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Portugueses continuam a confiar em notícias mas duvidam do que lêem na Internet

Segundo o relatório anual do Reuters Institute for the Study of Journalism.

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Foto: DR

Portugal continua a ser um dos países do mundo onde a população mais acredita nas notícias, apesar de a confiança estar a baixar, começando também a existir preocupação sobre artigos falsos divulgados através das redes sociais.

Em causa está o estudo Reuters Digital News Report 2018, realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism e em Portugal coordenado pelo Observatório da Comunicação (OberCom), que revela que o país é, juntamente com a Finlândia, aquele onde a população mais confia nas notícias, isto numa lista de 37 em todo o mundo.

O documento, que teve por base inquéritos ‘online’ feitos entre janeiro e fevereiro deste ano, num total de 74.194 inquiridos, cerca de 2.000 por país, demonstra assim que, em Portugal (como na Finlândia), 62% confiam nas notícias.

Ainda assim, e “apesar dos elevados níveis de confiança, observa-se, entre 2015 e 2018, uma quebra significativa da confiança”, realçam Gustavo Cardoso, Miguel Paisana e Ana Pinto Martinho, investigadores do OberCom em comunicado.

A confiança geral nas notícias passou, assim, de 65,6% em 2015 para 62,1% este ano, enquanto a confiança nos conteúdos consumidos baixou de 71,3% para 62,3% em 2018.

Portugal é também o segundo país onde a população mais se preocupa sobre o que é real ou falso na internet, segundo indicaram 71% dos inquiridos, logo a seguir aos do Brasil urbano.

A internet é, aliás, uma das formas mais usadas pelos portugueses para aceder a notícias, incluindo através das redes sociais, mas a televisão continua a ser o principal meio, usada por mais de 55% dos inquiridos.

No meio ‘online’, os portugueses disseram chegar às notícias indo diretamente às páginas dos meios de comunicação, pesquisando em motores de busca ou procurando nas redes sociais.

Mas, quanto ao pagamento destas notícias em formato digital, apenas 8,6% dos inquiridos afirmaram fazê-lo, menos 0,9% do que no ano anterior.

Entre os 37 países, Portugal é, inclusive, um daqueles onde menos se paga por este tipo de conteúdos, juntamente com o Canadá e o Chile.

Quanto aos conteúdos duvidosos e às chamadas notícias falsas (as ‘fake news’), 48,7% dos inquiridos afirmou ter-se deparado com artigos com erros factuais ou títulos enganadores, enquanto 41,6% disse ter encontrado títulos que pareciam ser de peças jornalísticas, mas eram de anúncios. Já outros 37,7% indicaram ter visto notícias com factos manipulados.

Os inquiridos indicaram ainda que acediam aos conteúdos noticiosos essencialmente através do computador (80,7%), mas também destacaram a utilização do telemóvel (77,8%). Tal utilização leva a que, pela primeira vez neste estudo, os portugueses indiquem usar dois aparelhos para aceder a notícias na Internet, em vez de usarem só um.

São as notícias em texto que os portugueses mais preferem, à frente de outros meios como o vídeo.

Questionados relativamente aos órgãos de comunicação a que acederam recentemente, os inquiridos afirmaram que, no que toca à televisão tradicional, viram mais a SIC, a TVI e a RTP, isto por ordem decrescente.

Nos canais noticiosos, os mais indicados foram a SIC Notícias e a TVI 24.

Relativamente aos jornais em papel, as escolhas dos inquiridos recaíram sobre o Jornal de Notícias e Correio da Manhã, enquanto na imprensa ‘online’ se destacaram o Jornal de Notícias e o Público.

No que toca a publicações digitais, os inquiridos mencionaram, por esta ordem, o portal Sapo, o Notícias ao Minuto e o Observador.

Este é o sétimo relatório anual do Reuters Institute for the Study of Journalism e o quarto com informações sobre Portugal.

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Parlamento felicita equipa médica que operou 14 crianças na Jordânia

Votos de louvor do PAN e do PSD

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Foto: DR / Arquivo

O parlamento aprovou, esta sexta-feira, dois votos, de PAN e PSD, de congratulação à equipa médica composta maioritariamente por elementos do Centro de Cirurgia Cardiotorácica do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) que operou 14 crianças na Jordânia.

A Assembleia da República saudou assim, por unanimidade, a equipa liderada pelo cirurgião cardiotorácico Manuel Antunes, pelo sucesso das intervenções, através dos dois votos.

A equipa, que integrava ainda um elemento de outro centro hospitalar português, esteve em Amã de 21 a 29 de setembro, para a sua terceira missão cirúrgica humanitária anual consecutiva, no Gardens Hospital.

“As cirurgias foram efetuadas em crianças com patologia cardíaca congénita, sendo a mais nova de sete meses e a mais velha de 15 anos”, refere um comunicado do CHUC enviado à agência Lusa no início de outubro, salientando que a maioria das intervenções decorreu com recurso a circulação extracorpórea.

Segundo a nota, a missão foi dirigida para o tratamento cirúrgico da patologia cardíaca infantil da população síria refugiada em território jordano.

Os oito elementos da equipa, liderados pelo cirurgião cardiotorácico Manuel Antunes, participaram de forma voluntária e gratuita e, além da cirurgia, prestaram formação específica ao pessoal clínico.

A missão contou com o apoio e o trabalho dos elementos do próprio Gardens Hospital, nomeadamente dos seus cardiologistas, pessoal técnico e de enfermagem.

“Todos os doentes tiveram pós-operatórios favoráveis e no momento de regresso da equipa a Portugal, nove tinham tido alta hospitalar”, adianta o comunicado do CHUC.

A equipa operou, nos últimos três anos, 40 doentes, incluindo os intervencionados nesta missão, sem qualquer mortalidade ou complicações graves.

Estas missões cirúrgicas têm sido financiadas pela União Europeia, através de subsídios específicos atribuídos a “La Châine de l´Espoir Francesa”, que deu suporte logístico e organizativo local aos membros da Cadeia de Esperança Portugal e equipa cirúrgica.

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Sócrates saúda saída da prisão de Lula e aponta “indiferença” de um PS “grávido de Estado”

Corrupção na política

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Foto: Twitter

O antigo primeiro-ministro José Sócrates considera que a saída da prisão de Lula da Silva representou uma “reentrada no mundo” do ex-chefe de Estado brasileiro, acontecimento em relação ao qual o PS, “grávido de Estado”, manifestou “indiferença”.

Estas posições foram assumidas por José Sócrates num artigo publicado, esta sexta-feira, na revista brasileira “Carta Capital”, ao qual a agência Lusa teve acesso e que é dedicado ao líder histórico do Partido dos Trabalhadores (PT) do Brasil, tendo como título “Sei que estás em festa, pá”.

“Não foi uma saída da prisão, mas uma reentrada no mundo. No mundo, literalmente: Televisões em direto e primeiras páginas dos jornais. Um simbolismo extraordinário. Regressado da provação, Lula da Silva entra em palco com firmeza e de coração limpo. O que mais impressiona é a energia – vem para lutar, não para se reformar. Vem sem ressentimento, mas sabe também o que não pode voltar a acontecer”, escreve José Sócrates.

Neste artigo, o antigo secretário-geral do PS entre 2004 e 2011 refere-se às reações em Portugal na sequência da saída da prisão de Lula da Silva.

De acordo com José Sócrates, em Portugal, “o tom dominante foi de regozijo”, até porque, na sua opinião, “muitos portugueses já conhecem a fraude judicial e a miserável conduta de um juiz [Sérgio Moro] que, para chegar a ministro, instrumentalizou a sua função, colocando-a ao serviço de uma caçada política”.

“Na política institucional, o costume: O Partido Comunista e o Bloco de Esquerda saudaram a libertação, a direita institucional calou-se e o PS mostrou indiferença”, sustenta.

Segundo o antigo líder dos socialistas, para o PS, “grávido de Estado, já nada o impressiona nesta história de direitos constitucionais”.

Não são só os brasileiros que tem que lidar com pulhas

Ainda no panorama político nacional, José Sócrates lança um duro ataque ao eurodeputado social-democrata Paulo Rangel pela posição que adotou na sequência da saída prisão do antigo presidente brasileiro.

“Pelo caminho ainda vi na televisão um deputado europeu vomitando ódio contra Lula, dizendo que este é, sem dúvida, corrupto – só que não têm provas. Parece que é jurista. Como veem, não são só os brasileiros que tem que lidar com pulhas”, afirma.

Neste seu artigo, José Sócrates defende que “a grandeza” do momento em que Lula da Silva abandonou a prisão “fez-se de muitas iniquidades”.

“Vem da história do golpe, da presidenta [Dilma Roussef] destituída sem crime de responsabilidade, como se o regime fosse parlamentar e não presidencial. Vem da história da lava jato, operação judiciária que se revelou ser o instrumento e a oportunidade para criminalizar todo um partido e perseguir o seu líder histórico. Vem da história da singular condenação de corrupção por factos indeterminados e da prisão em violação da Constituição”, advoga o antigo líder do executivo português entre 2005 e 2011.

José Sócrates condena depois “a história da cassação dos direitos políticos, rasgando com petulância o direito internacional e a determinação do comité de direitos humanos das Nações Unidas para que o antigo presidente fosse candidato”.

“A emoção do instante é também o resultado da memória de violência e de humilhação destes últimos anos e em particular da disputa eleitoral. De um lado toda a direita unida, a moderada e a extremista, a que se juntou a agressividade da imprensa e a vergonhosa parcialidade do aparelho judiciário. Por detrás deles surgiu ainda a sombra do partido militar que, passo a passo, em aproximações sucessivas, ganhou rosto e visibilidade na vida pública”, salienta.

Do outro lado, segundo José Sócrates, “rodeados de uma linguagem ameaçadora e belicista e com o antigo presidente preso, os dirigentes e militantes do partido lutaram e lutaram e lutaram para defender o seu património de governação e a ímpar transformação social conseguida na economia, na distribuição de riqueza, nas oportunidades educativas, na redução das desigualdades, na inclusão social, na afirmação do Brasil como uma nova e jovem voz na cena da política internacional”.

“Agora que o seu líder histórico dá um pequeno passo para a liberdade, tudo muda e o país parece outro. Fico contente”, acrescenta.

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Investigadores pedem mais tempo para realizar estudos que sustentem eutanásia

Faculdade de Medicina do Porto e do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde

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Foto Ilustrativa / DR

Investigadores da Faculdade de Medicina do Porto e do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) alertaram, esta sexta-feira, para a necessidade de tempo para realizar mais estudos que sustentem futura lei da morte antecipada em Portugal.

Num artigo científico publicado no Journal of Death and Dying, o grupo de investigadores defende que há questões que devem ser acauteladas no âmbito da legislação sobre a morte medicamente assistida, como por exemplo identificar pessoas que podem mudar de ideias, definir um período de espera diferenciado para doenças terminais e não terminais, bem como perceber que condições pessoais podem potenciar o desejo de antecipar a morte.

À falta de estudos sobre eutanásia e tomada de decisão, o trabalho avaliou a literatura existente sobre ideação suicida, tentativa de suicídio e suicídio em diferentes populações.

Segundo Miguel Ricou, professor de Bioética da FMUP e investigador do CINTESIS, os resultados sugerem que “existe uma forte possibilidade de reversão do desejo de morrer, pelo que é preciso distinguir entre os indivíduos que manterão o seu desejo e beneficiarão do término da vida e os outros que poderão mudar de ideias”.

Neste ponto, os investigadores identificam claramente os casos dos doentes terminais, que vivem, por vezes, em grande sofrimento, e nos quais o declínio é contínuo, o que dificulta a capacidade de adaptação.

“São casos que podem beneficiar da morte antecipada, se essa for a vontade do doente, e cujo processo pode tornar-se fútil, se for muito atrasado”, sustentou Miguel Ricou.

No entanto, nos restantes casos, os autores deste estudo propõem que sejam acauteladas outras questões.

“Os estudos sobre suicídio revelam que, nos primeiros dois anos, a maioria das pessoas que pensa ou tenta o suicídio muda de ideias e deixa de desejar a morte”, sublinhou o investigador.

Defende, por isso, que “esta informação deve ser tida em conta antes de decidir sobre a possibilidade de alguém com uma doença crónica ou que perdeu alguma função (como a capacidade de andar ou a visão, por exemplo) pedir para morrer”.

“O processo de adaptação pode ser muito diferente daquele que acontece nas doenças terminais, sendo mais próximo daquele que parece suceder no suicídio. Pode haver ainda mais espaço para uma intervenção que fomente a adaptação do doente à sua nova condição e reverta o desejo de morte”, considerou Miguel Ricou.

Assim, os investigadores aconselham que seja definido um “período de avaliação mais alargado”, no caso dos pedidos de morte antecipada realizados por doentes não terminais, na medida em que isso “pode fomentar a adaptação do doente às suas condições de vida, reduzindo o sofrimento e, eventualmente, revertendo o desejo de morrer”.

As outras variáveis que interferem com o desejo de morrer são a existência de sintomatologia depressiva, ou “desesperança”, a perda de funcionalidade, a existência de baixos níveis de suporte social e a perceção de perda de dignidade.

Segundo Miguel Ricou, “também nestes casos o tempo e a intervenção psicológica podem ser úteis para despistar os casos dos doentes nos quais existe margem para uma mudança de ideias”.

“Não é aceitável que, num processo em que está em causa a tomada de decisão consciente de um doente, a intervenção psicológica não esteja considerada em nenhum projeto de lei”, disse.

O estudo refere ainda a associação existente entre alguns traços de personalidade e o suicídio, como a impulsividade e assertividade.

Os investigadores referem ainda que, em Portugal, a taxa de suicídio em 2010 foi de 10,3 por 100.000 habitantes, uma taxa mais alta do que outras mortes violentas, como acidentes de carro e mortes relacionadas ao trabalho.

“Estes números revelam a necessidade de examinar e entender melhor o desejo de morrer e, especialmente, os eventos que o desencadeiam”, acrescentou o investigador.

Um trabalho anterior, do mesmo grupo de investigação, divulgado em julho, revelou que 60% dos médicos são a favor da legalização da eutanásia em Portugal. O mesmo estudo indicava que o sofrimento manifestado pelo doente, em consequência da doença, é, para os médicos, um critério mais relevante que o respeito pela autonomia, ainda que esta última seja uma condição obrigatória.

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