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Guimarães

Emigrante morto por uma bala perdida em França vai ser sepultado em Guimarães

Família é de São Cristóvão de Selho

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Foto: DR

Carlos Soares, português de 34 anos que foi morto, na noite da passada quinta-feira, em Pontoise, França, vítima de uma bala perdida durante uma rixa, vai ser sepultado em Guimarães, de onde a família era originária.

Também serão realizadas exéquias em França. No próximo sábado, dia 10 de abril, às 10:30, na Eglise de Notre Dame de Pontoise, vai ser realizada uma cerimónia fúnebre em memória do português. O corpo é depois transportado para Portugal.

Na terça-feira, dia 13 de abril, acontece uma nova cerimónia fúnebre na Igreja de São Cristóvão de Selho, a que se segue o sepultamento do corpo, no jazigo familiar, no cemitério daquela freguesia.

O velório realiza-se na capela mortuária de São Cristovão de Selho, na segunda-feira, 12 de abril, a partir das 18:00.

Carlos Soares foi morto por uma bala perdida na semana passada, em Pontoise, na região parisiense, e os três suspeitos detidos são também de origem portuguesa. A Comunidade portuguesa na região está “revoltada”.

“Os três alegados autores principais estão presos preventivamente e acusados de homicídio. […] Aparentemente os três indivíduos são da Comunidade cigana portuguesa”, disse Sandrine Parise-Heideger, advogada da família de Carlos Soares, em declarações à Lusa.

Carlos Soares, 34 anos, cresceu no bairro Marcouville, um bairro difícil nos arredores da cidade de Pontoise. Apesar de ser uma cidade “onde as pessoas vivem bem” e “com elevado nível de vida”, certos pontos desta cidade têm bairros onde “as pessoas têm dificuldades em viver em conjunto”, explicou a advogada.

Alexandre Soares, Presidente da associação portuguesa Estrelas de Portugal Cergy-Pontoise, descreveu a mesma situação. “Há bairros que são inseguros e nós evitamos ir a certos sítios por causa disso. Não se pode ir a todo o momento a todo o lado”, disse o dirigente associativo, referindo que em Pontoise há uma “grande” Comunidade portuguesa e que a sua associação conta com cerca de 50 alunos entre jovens e adultos que aprendem o português.

Como fazia habitualmente, apesar de já não viver em Marcouville, Carlos Soares passou para visitar os amigos no seu antigo bairro e estava a participar num pequeno churrasco quando uma camioneta atropelou voluntariamente um jovem, que acabou por morrer, e um dos indivíduos no veículo saiu e começou a disparar com uma arma de fogo.

Carlos Soares foi atingido por uma das balas e não resistiu aos ferimentos, tendo morrido nessa mesma noite no hospital. A razão deste duplo homicídio terá sido o alegado roubo de uma mota.

Os amigos de Carlos Sousa organizaram uma recolha de doações na internet para ajudar nas despesas com o funeral, mas também para apoiar a viúva e a filha de cinco anos do casal. “A sua mulher é formidável e está a enfrentar as coisas da maneira possível, porque tem de cuidar da filha que chora e pede pelo pai. É apoiada pela família e pelos amigos. As pessoas gostavam tanto do Carlos que toda a gente de Marcouville a está a apoiar também”, indicou a advogada.

Contactadas pela Lusa, as autoridades de polícia da região, a Prefecture da região de Val-d’Oise, preferiram não comentar sobre o aumento da delinquência neste e noutros bairros da região parisiense que têm levado a várias mortes devido a rixas entre jovens. “Desde há um ano, na região de Paris, há novamente muitos crimes de sangue. Claro que há tráfico de drogas, roubos de carros, mas isso é uma delinquência comum. No entanto, há uma agressividade que se multiplicou e uma passagem aos atos muito rápida, parece que a vida humana não tem qualquer importância”, lamentou a advogada da família do lusodescendente.

O processo por homicídio demora no mínimo 18 meses em França e com os atrasos nos tribunais devido à Covid-19, é possível que só haja uma decisão daqui a dois ou três anos.

O funeral de Carlos Soares vai acontecer na manhã de sábado em Pontoise e o corpo vai ser trasladado para Portugal onde na terça-feira haverá uma cerimónia fúnebre em Guimarães, de onde a família é originária.

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