Arquivo

Portugal constrói telescópio para procurar planetas parecidos com a Terra

Será o primeiro num observatório profissional
Portugal constrói telescópio para procurar planetas parecidos com a terra

Portugal vai construir um pequeno telescópio para estudar o Sol que será instalado no Chile, onde deverá estar operacional em finais de 2024, indicaram hoje à Lusa os investigadores responsáveis.

O projeto é coordenado pelo investigador Nuno Cardoso Santos, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, e insere-se num outro, FIERCE, que, nos próximos cinco anos, visa desenvolver novos métodos para a deteção de planetas fora do Sistema Solar (exoplanetas) semelhantes à Terra.

“O objetivo principal é usar o Sol, a única estrela para a qual conseguimos observar detalhes no seu disco, para perceber melhor como os fenómenos físicos que ocorrem na atmosfera de outras estrelas semelhantes perturbam as medições dos espetros” de luz, explicou o astrofísico, acrescentando que “estas perturbações produzem um ‘ruído’ nos dados de procura e estudo de exoplanetas”.

“Na prática, os dados obtidos vão-nos permitir otimizar a forma como analisamos os dados de procura de outros planetas”, adiantou.

Segundo Nuno Cardoso Santos, o telescópio, o primeiro português num observatório profissional, “vai permitir apontar para o Sol” e, ligado ao espetrógrafo ESPRESSO, instalado no Observatório do Paranal, no Chile, que acolhe o conjunto de quatro instrumentos (com espelhos de 8,2 metros de diâmetro) que formam o telescópio VLT, possibilitará “obter espetros de grande qualidade” da estrela.

O telescópio terá apenas 35 centímetros de diâmetro, mas “abertura suficiente para estudar o Sol, uma vez que se trata de um objeto bastante brilhante”, ressalvou Alexandre Cabral, igualmente investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e responsável pela construção do instrumento.

De acordo com Alexandre Cabral, “a característica mais importante” do telescópio “será a sua ligação ao espetrógrafo ESPRESSO, que é neste momento o instrumento com maior resolução espetral neste domínio de investigação”, nomeadamente ao nível do estudo de atmosferas de planetas extrassolares.

O telescópio tem a designação de PoET (Paranal solar ESPRESSO Telescope) e, segundo Nuno Cardoso Santos, vai permitir à ciência portuguesa “estar na linha da frente” na procura e no estudo de planetas parecidos com a Terra (composição, dimensões…).

O projeto FIERCE, no qual se enquadra o telescópio PoET, concebido inteiramente pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, será financiado com uma bolsa de 2,5 milhões de euros atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação a Nuno Cardoso Santos.

O plano, de acordo com Alexandre Cabral, é desenhar, construir e testar o telescópio “num período máximo de dois anos”.

“Estas fases serão feitas em Portugal, após os testes será feita a instalação no Paranal”, afirmou.

Se “tudo correr conforme o previsto”, o telescópio estará a funcionar em finais de 2024 e, a partir de então, começará “a obter dados para fazer a ciência” pretendida, assinalou o coordenador do projeto, Nuno Cardoso Santos, especialista no estudo de exoplanetas.

 
Total
0
Shares
Artigo Anterior
Benfica contrata internacional sérvio ao montpellier

Benfica contrata internacional sérvio ao Montpellier

Próximo Artigo
Carro arde em posto de combustível de guimarães

Carro arde em posto de combustível de Guimarães

Artigos Relacionados