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Braga

População revoltada com cheiro nauseabundo de ETAR em Braga. “Nem posso abrir as janelas”

AGERE justifica problema com “intervenções de manutenção”

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Foto: DR

Nauseabundo. O cheiro que sai da ETAR localizada em Frossos, no concelho de Braga, está a incomodar e a revoltar a população local e das freguesias vizinhas. A AGERE justifica que a estação “está a operar com limitações decorrentes da realização de intervenções de manutenção”. O PAN já questionou a Câmara sobre o assunto.

“Sou obrigada a estar dentro de casa com as janelas fechadas. Nem posso abrir as janelas. É um cheiro mesmo muito mau”, relata a O MINHO uma moradora da freguesia de Real. “E cada vez está pior”, critica.

O cheiro nauseabundo não é só sentido em Frossos, mas também nas freguesias vizinhas, havendo queixas até no lugar de Cabanas, em Dume, a cerca de três quilómetros de distância.

“Nos últimos dois anos, mas sobretudo nas últimas semanas, temos sido assolados com cheiros nauseabundos que têm origem na ETAR da AGERE localizada em Frossos”, denuncia a União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe.

Trata-se de um “odor que incomoda e reduz a nossa qualidade de vida”, salienta autarquia. “O cheiro é tão forte que temos recebido queixas da zona da Volvo (Cabanas)”, acrescenta.

Também a Junta de Merelim S. Pedro e Frossos já efetuou “diligências” para “obter informações acerca da origem dos maus cheiros que se fazem sentir nas imediações da ETAR”.

Numa publicação na sua página de Facebook, aquela autarquia partilha a resposta que lhe foi dada presidente do Conselho de Administração da AGERE, Rui Morais.

“Ações de manutenção concluídas durante o mês de abril”

Nessa comunicação, a AGERE esclarece que a ETAR “efetivamente está a operar com limitações decorrentes da realização de intervenções de manutenção de elevada importância para a mesma”.

No entanto, garante a empresa municipal, “das referidas intervenções não resulta qualquer incumprimento dos valores legais estipulados para a descarga na Ribeira de Panoias”.

“No entanto, conjugadas com as acentuadas amplitudes térmicas que se têm verificado, este constrangimento contribuiu para o agravamento da propagação de mau cheiro na envolvente à ETAR”, reconhece a AGERE.

“Sendo o tratamento feito em órgãos a céu aberto, ao amanhecer e entardecer, quando as temperaturas atmosféricas descem, regista-se uma transferência de calor do líquido para atmosfera, o que gera naturalmente um cheiro mais intenso que admitimos propagar-se com maior intensidade nas imediações, conforme direção da brisa ou vento”, acrescenta.

A AGERE prevê que as “ações de manutenção referidas estejam concluídas durante o mês de abril, com impactes muito positivos no funcionamento da ETAR”.

A empresa refere ainda que “se encontra em fase final de preparação o Concurso Público para a construção da nova ETAR de Braga, a denominada ETAR do Este, que permitirá aliviar de modo significativo a pressão ambiental sobre a Ribeira de Panoias, na medida em que parte do caudal que agora aflui à ETAR de Frossos passará a ser tratado nessa nova ETAR”.

PAN questiona Câmara

Entretanto, esta quarta-feira, o PAN – Pessoas-Animais-Natureza questionou a Câmara de Braga sobre o assunto, realçando que, “recentemente”, o partido tem “vindo a receber inúmeras denúncias relativamente aos odores provenientes da ETAR de Frossos, que se torna insuportável para muitos munícipes, e o qual lamentamos”.

Tiago Teixeira e Rafael Pinto, respetivamente porta-voz concelhio e distrital do partido, reuniram-se na terça-feira com o presidente da União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, Francisco Silva, “de forma a compreender o impacto desta situação na vida dos seus fregueses e a periodicidade com que ocorrem”.

O PAN salienta que já “foi esclarecido inúmeras vezes pela autarquia que a sobrecarga na ETAR de Frossos juntando aos erros de construção é de facto um problema que tentam constantemente abordar através da mitigação dos odores sentidos”.

Mas o partido quis “ir além dessas questões” e questionou a autarquia “sobre estas ações de manutenção, a periodicidade das mesmas e a falta de prévia comunicação aos munícipes e juntas de freguesia”.

Para além destas questões, foram também realizadas outras como, o tipo de tratamento utilizado na ETAR de Frossos, os planos para a modernização das instalações e alteração do tipo de tratamento usado, refere o partido.

“No nosso entender a autarquia não se deve apenas focar no presente, desculpando-se com a nova ETAR. A criação da nova ETAR que demorará ainda alguns anos, já inclui um tratamento com um sistema de desodorização com recursos a filtros biológicos que vai sem dúvida ajudar na sobrecarga e odores, mas os odores provenientes da ETAR de Frossos são do resultado de tratamentos com metodologias antigas, infraestruturas com erros, e manutenções, e isso vai continuar a existir após a construção da nova ETAR. Portanto temos que garantir que existe um plano para resolver estas situações”, conclui Tiago Teixeira.

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