Seguir o O MINHO

Alto Minho

População de Arcos de Valdevez sem receber correio desde dia 02 prepara abaixo-assinado

Atrasos devem-se a falta de carteiros

em

Foto: Ilustrativa / DR

A população de várias freguesias de Arcos de Valdevez está a preparar novo abaixo-assinado por atrasos na distribuição do correio que, em Jolda São Paio, não chega desde o dia 02, disse hoje o presidente da Junta.

“Desde o dia 02 de agosto que não recebemos mais correio. Nesse dia, recebemos um molho de cartas para a freguesia toda, mas até hoje nada mais”, afirmou hoje à agência Lusa, Pedro Alves.

Segundo o autarca, os emigrantes “estão preocupados porque aproveitaram a vinda a Portugal para renovar o cartão de cidadão e ainda receberam a senha, que vem por correio, para poderem levantar o documento”.

“Isto é vergonhoso. Quando eu estive na guerra colonial, entre 1972 e 1974, recebíamos correio duas vezes por semana. Aqui nem uma só vez. Não estamos nos anos 70, estamos em 2021. É uma vergonha”, afirmou Pedro Alves.

O autarca sente-se “revoltado” e garantiu que vai voltar a questionar os CTT para saber que razões justificam que “uma parte do concelho de Arcos de Valdevez continua sem receber o correio a tempo e horas, para além da troca de cartas”.

Fonte da Câmara de Arcos de Valdevez, hoje contactada pela Lusa, adiantou estar em curso “uma nova campanha de recolha de assinaturas em várias freguesias para reunir num abaixo-assinado, o segundo em dois anos relacionado com os atrasos na distribuição do correio no concelho”.

A fonte adiantou que “além de Jolda São Paio, o atraso na distribuição de correio afeta ainda as freguesias de Miranda, União de Freguesias de Jolda Madalena e Rio Cabrão, entre outras”.

No final de julho, durante um plenário de profissionais dos daquele concelho e ainda a Ponte da Barca, onde está situada uma Estação dos CTT, referiu que a situação se deve à falta de contratação de carteiros pelos CTT.

Na altura, em declarações à agência Lusa, o secretário nacional do Sindicato Democrático dos Trabalhadores dos Correios, Telecomunicações, Media e Serviços (Sindelteco), Henrique Pereira, explicou que, neste momento, “faltam cinco carteiros”, sublinhando que o trabalho “de 11 carteiros está a ser feito por seis”.

“Esta situação arrasta-se há cerca de dois anos. As pessoas foram saindo e a empresa não foi contratando. É preciso preencher os postos de trabalho vagos, que não são preenchidos há muito tempo”, vincou o responsável sindical.

O secretário nacional do Sindelteco conta que esta situação tem levado a queixas e reclamações por parte da população de Arcos de Valdevez e de Ponte da Barca quanto ao serviço prestado pelos CTT.

“É bastante penoso para os trabalhadores levarem com as reclamações das populações, que desconhecem a real situação. Os carteiros são o elo mais fraco e a população não sabe que a culpa não é deles. Estes profissionais querem servir bem a população, mas para isso são precisos meios. A população queixa-se aos carteiros, mas estes também já estão saturados”, afirmou Henrique Pereira.

O sindicalista disse ainda que, a partir de segunda-feira, os carteiros vão passar a “cumprir escrupulosamente” o horário, deixando de fazer horas extras, “que também já não eram pagas”.

Contactados hoje, os CTT ainda não responderam ao pedido de esclarecimento, por escrito enviado da Lusa, mas no final de julho a empresa “confirmou a existência de alguns constrangimentos na distribuição de correio na área de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, devido a ausências não previstas de quatro colaboradores”, justificando “que não foi possível substituir imediatamente devido a dificuldades no recrutamento”.

“Os CTT estão ativamente a trabalhar para substituir estes recursos humanos e a procurar outras soluções que minimizem estes constrangimentos, nomeadamente recorrendo a ‘outsourcing’ e reforçando a equipa com trabalhadores de outros centros de distribuição já a partir de segunda-feira. Os CTT estimam que a distribuição de correio estará regularizada nos próximos dias e lamentam eventuais constrangimentos causados aos clientes”, acrescentava a empresa, na resposta escrita, então enviada.

Populares