A Igreja Paroquial de Cabaços, em Ponte de Lima, recria esta noite a tradição do “botar das almas”, um costume secular do Minho que serve para rezar pelos entes queridos que já faleceram. A recriação será levada a cabo pelo Grupo de Cantares do Samiguel e de Cabaços, e decorre no adro da igreja, após a missa.
Em comunicado enviado a O MINHO, o pároco Paulo Emanuel Dias, que em outubro do ano passado teceu duras críticas à celebração do “Halloween”, ou “Dia das Bruxas”, festejo que considera não respeitar as almas dos que partiram, explica que a iniciativa tem início às 21:00 horas, com a missa a decorrer a partir das 20:00.
O mesmo padre lembra que esta tradição do “botar das almas” era “um ato de piedade popular”, quando os habitantes subiam aos lugares mais elevados das paróquias para entoarem versos e orações ditas numa melodia fúnebre e num tom dolente.
Para o pároco, o “botar das almas” é percebido como o grito dos falecidos que ainda não estão na glória do Paraíso, e por isso “perfeitamente” ajustado para ser feito durante o período da Quaresma.
De acordo com a Agência Ecclesia, foi feita uma investigação na paróquia para perceber o tipo de rezas e cânticos utilizadas pelos “antigos”, e chegou-se à conclusão de que existem 9 rezas ou cantos diferentes, correspondentes a nove famílias diferentes da freguesia.
Dessa forma, vão ser entoadas as 9 rezas ou cânticos de período quaresmal durante a missa desta noite em Cabaços, como destaca o padre Paulo Emanuel Dias, defendendo que na Quaresma “não se canta nem se dança, nem se fala ao amor”.