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Alto Minho

Ponte de Lima: Contas das Feiras Novas investigadas

PS Ponte de Lima​ remeteu para o Ministério Público denúncias vindas de dentro do executivo CDS. Assunto fez aquecer última reunião da Assembleia Municipal

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Victor Mendes, presidente da Câmara, e Ana Machado, presidente da associação concelhia das Feiras Novas, exibem o diploma do Guinness. DR

O “saco preto” da Associação das Feiras Novas abriu uma ‘caixa de Pandora’ que promete chamuscar o executivo municipal de Ponte de Lima nos próximos meses.

As alegadas irregularidades denunciadas pela vice-presidente, Mecia Martins (CDP-PP), ao jornal Alto Minho, já estão no Ministério Público por iniciativa do Partido Socialista local.

Mecia Martins revelou, na última Assembleia Municipal, que “ainda não” enviou as denúncias para as instâncias judiciais “por não ter reunido as provas todas”. Instada a comentar as suas declarações por António Carlos Matos, do PS, a vice-presidente, numa atitude inédita, assomou ao parlatório para esclarecer o que tinha dito, acabando por confirmar quase tudo.

Mecia Martins, jornal Alto Minho (agosto). Imagem: Reprodução

Mecia Martins, jornal Alto Minho (agosto). Imagem: Reprodução

Vamos ao início do caso. Mecia Martins, numa entrevista ao Alto Minho, lançou uma série de insinuações e levantou um conjunto de suspeitas sobre a associação presidida por Ana Machado, sua colega do CDS na vereação. Entre outras coisas e a propósito da concessão dos parques estacionamento à Associação, por altura das festas, a vice-presidente referiu que “é uma situação que me incomoda. Tem que vir tudo discriminado. Não posso compactuar em atirar o dinheiro do povo para dentro de um saco preto”.

A não apresentação das receitas dos parques nem das contas da Associação dos anos de 2017 e 2018 mereceram também críticas. “Eu ainda hoje estou sem saber as contas do ano passado, porque não foi apresentado o relatório. E eu não me sinto bem, porque nós fomos eleitos para olhar pelos interesses do concelho e temos de saber o que se passa”, afirmou.

PS envia para o Ministério Público

Ora foram estas e outras declarações que agitaram as ondas políticas de Ponte de Lima e levaram o deputado municipal do PS, António Carlos Matos, a pedir um conjunto de documentação ao executivo municipal, entre eles os estatutos da Associação e os relatórios de contas de 2017 e 2018.

O PS anunciou, também, que tinha enviado as declarações de Mecia Martins para o Ministério Público por considerar “haver acusações graves e merecedoras de uma investigação judicial”.

Exposição parcial feita pelo PS. (13 de setembro). Imagem: DR

Na Assembleia Municipal, no passado sábado, o deputado socialista tomou em mãos o assunto e pediu uma série de esclarecimentos sobre esta matéria.

“Ao dizer que a Associação não apresentou nem aprovou as contas, a vice-presidente acusou o presidente da Câmara, como presidente da Assembleia Geral da Associação, de não ter feito cumprir a lei, e insinuando a existência de possíveis actos de corrupção da presidente da Associação, sua colega vereadora”, lembrou o socialista.

António Carlos Matos (PS). Foto: Facebook

Depois de questionar Mecia Martins se já tinha sido consequente com os seus actos e pedido uma investigação judicial, António Carlos Matos lançou um desafio a Vitor Mendes: “não é possível ter, em simultâneo, confiança política de quem está sentado ao seu lado direito (Mecia) e ao seu lado esquerdo (Ana Machado). Se as acusações são falsas a vice-Presidente não pode continuar, se são verdadeiras a vereadora Ana Machado, tem que ser exonerada”.

Aproveitando a máxima do CDS/PP na campanha, “estabilidade e confiança”, o socialista deixou mais umas farpas: “se há coisa que não existe neste caso é a estabilidade e confiança”, pedindo ao autarca que acabe o mandato com dignidade.

Mecia responde

Num momento inédito, a vice-presidente quis ‘dar o troco’ e, para além de reiterar algumas ideias, fez mais revelações.

“Já votei verbas sem ter as contas aprovadas porque eram tantas coisas para ver que não tinha tempo para ler ao pormenor os dossiers. Com o tempo, fui conhecendo os dossiers com mais profundidade”.

A vice-presidente disse que “continua sem saber a renda fixa da Associação em relação aos parques de estacionamento. O que sei é que a Feira Semanal rende 15 mil euros para a autarquia e o valor das taxas é público”.

Mecia Martins negou falta de lealdade, “é mentira que não seja leal, sou frontal para o bem da transparência, para que tudo fique certo” e revelou: “todos sabem, antecipadamente, qual é a minha intenção de voto na reunião de câmara”.

Ana Machado: “A associação tem que apresentar contas”

A presidente da Associação das Feiras Novas e também vereadora do CDS, Ana Machado, subiu ao parlatório para dizer de sua justiça, num discurso mais emotivo mas bastante esclarecedor.

“As Feiras Novas não são da Câmara, da Associação ou das colectividades, são de Ponte de Lima”, começou por dizer garantido que “a Associação tem obrigação de apresentar as contas e quem chega de novo tem que se inteirar do que se passa”.

Segundo Ana Machado, “sempre tive o apoio para todas as decisões que foram tomadas”, nomeadamente, no que se refere às taxas do terrado, decisão tomada há dois anos. “Os parques de estacionamento são todos da Câmara”.

A propósito acrescente-se que segundo os relatórios de contas, os parques deram um lucro em 2017 e 2018 de dez mil euros, três no primeiro e sete mil euros no segundo ano. “As Feiras Novas são apartidárias e não são políticas”, garantindo que se sente “bem ao lado do presidente”.

“Mantenho a confiança política nas duas”

Vitor Mendes entrou no debate e começou para manifestar manter “a confiança política nas duas vereadoras” e lembrou que “o presidente da Câmara não ficará de parte daquilo que são as suas responsabilidades” neste caso e “estarei cá para [as] assumir”.

Sobre a aprovação, só agora no mês de setembro, das contas de 2017 e 2018, o autarca justificou que “só agora houve condições para as aprovar e que, em breve, serão apresentadas ao executivo”.

 

Eleitos do CDS. Foto: DR

Ora, Vitor Mendes foi, ainda, mais longe nas suas considerações: “não descarto as responsabilidades judiciais que possam existir e enviaremos para as autoridades caso haja motivo para tal” porque “estamos a falar de dinheiro público e temos que ter a certeza que estamos a cumprir o nosso papel. Não podemos ter dúvidas sobre isso”.

Para o autarca, “há pessoas mais interessadas em fazer aproveitamento político” desta questão, reiterando que “a estabilidade e a confiança continuam a existir “ e não vale “tentar destabilizar as relações entre a Associação e o executivo”.

A Associação Concelhia das Feiras Novas

A Associação Concelhia das Feiras Novas foi constituída em 16 de janeiro de 2001 para “organizar e promover festas e outros eventos culturais e recreativos, nomeadamente a organização e realização das festas concelhias, tradicionalmente denominadas Feiras Novas”.

A Assembleia Geral é presidida pelo presidente da Câmara em exercício tendo por secretários um elemento nomeado pelo Município e outro pela Associação Empresarial de Ponte de Lima.

A direcção tem um presidente, um secretário geral, um tesoureiro e dois vogais competindo-lhes a gerência, social, administrativa, financeira e disciplinar. Os três primeiros são nomeados pela autarquia e os dois vogais pela Associação Empresarial.

Entretanto sob a sua alçada ficaram o Museu do Brinquedo Português e a Feira do Cavalo de Ponte de Lima a quem a câmara, segundo o relatório de contas, atribuiu um subsídio de 100 mil euros em 2017.

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Alto Minho

Viana distribuiu dez mil máscaras e cinco mil luvas por IPSS

Covid-19

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Foto: Divulgação / CMVC

Fazendo o balanço das primeiras duas semanas de estado de emergência, a Câmara Municipal de Viana do Castelo anunciou que, neste período, distribuiu dez mil máscaras P1 e cinco mil pares de luvas por Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do concelho.

A autarquia refere, ainda, que “foram servidas 1889 refeições: 517 para alunos com escalão; 340 para famílias com dificuldades; 1032 para profissionais de saúde, forças de segurança e bombeiros” e que a Linha de Apoio Social atendeu 247 pedidos que “foram encaminhados para instituições ou tratados pelos voluntários municipais”.

O estado de emergência em Portugal foi hoje renovado com medidas ainda mais restritivas, como a proibição de sair do concelho de residência e o fecho de aeroportos, entre os dias 9 e 13 de abril.

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Alto Minho

Três dias de buscas por jovem de Melgaço suspensos sem sucesso

Resgate

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As buscas para encontrar um jovem que caiu ao rio Minho na terça-feira, em Melgaço, foram suspensas às 19:05, na quinta-feira, prosseguindo nos próximos dias com “dispositivo mais reduzido”, informou o capitão do porto de Caminha.

Contactado pela agência Lusa, o capitão do porto e comandante da Polícia Marítima (PM) de Caminha, Pedro Costa, explicou que “durante os três dias de operações não foi encontrado nenhum indício” na freguesia de Remoães, em Melgaço, onde o jovem caiu ao rio Minho, sendo “muito baixa a probabilidade de o corpo se encontrar naquela zona”.

“Foi importante termos empenhado nos últimos dias um forte dispositivo que, em coordenação com a barragem de Frieira, na Galiza, permitiu uma investigação com bastante rigor na zona de Remoães. Nesta altura, e com o caudal que o rio apresenta, a probabilidade do corpo se encontrar nesta zona é muito baixa”, explicou.

Durante o dia de ontem estiveram envolvidos nas buscas dois meios aéreos da Guardia Civil e da Agência de Emergência Galega 112 (Achega), três embarcações, duas espanholas e uma da PM de Caminha. Em terra, nas duas margens, participaram meios dos bombeiros voluntários de Melgaço e da Guardia Civil espanhola, num total de mais de 20 operacionais.

Na terça-feira, o jovem de 26 anos “escorregou e caiu” quando “passeava” junto ao rio internacional, na freguesia de Remoães, no concelho de Melgaço, distrito de Viana do Castelo.

Pedro Costa acrescentou que “as buscas vão continuar nos próximos dias, com meios mais reduzidos”.

“Na sexta-feira, contaremos com o apoio de uma embarcação da Armada espanhola e, no fim de semana, serão empenhados meios da PM de Caminha, numa coordenação que já habitual entre as autoridades dos dois lados do rio internacional”, afirmou.

O acidente ativou, como é habitual naquela zona transfronteiriça, o projeto ARIEM+ – Assistência Recíproca Inter-regional em Emergências e Riscos Transfronteiriços.

Os objetivos do ARIEM+ incluem a criação de uma Rede de Comando Operacional Único para a gestão conjunta de recursos humanos e materiais em situações de risco que melhorem a gestão e coordenação de emergências no local.

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Alto Minho

Cinco infetados no centro de saúde de Melgaço. Câmara exige encerramento

Covid-19

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Foto: Mapio

O presidente da Câmara de Melgaço exigiu hoje o encerramento temporário do centro de saúde, após cinco profissionais terem testado positivo para a covid-19, e reclamou a desinfeção da unidade.

“Manter profissionais de saúde, pertencentes a um núcleo já com cinco infetados, a prestar serviços à comunidade, representa um risco de contágio cruzado muito elevado, quando ainda se aguardam os resultados aos 15 profissionais entretanto colocados em isolamento”, afirma o socialista Manoel Batista, em comunicado enviado às redações.

Manoel Batista defende uma “ação musculada e imediata no centro de saúde”, reclamando “o encerramento temporário da unidade de saúde para que seja realizada uma desinfestação profunda, que a autarquia “já diligenciou”.

O município disponibilizou-se ainda para realizar testes de despiste da doença a “todos os colaboradores” daquela unidade de saúde.

“Hoje à tarde, a Unidade Local de Saúde do Alto Minho (ULSAM) reuniu-se para analisar o pedido de Manoel Batista, tendo no final do encontro informado a autarquia de que o centro de saúde vai continuar em funcionamento com os serviços mínimos assegurados pelos colaboradores que não apresentaram sintomas, sendo que o atendimento dos doentes em área dedicada à covid-19 passará a ser” feita no espaço equivalente em Monção, refere a nota.

De acordo com os números divulgado na quarta-feira, na página oficial do município no Facebook, Melgaço tem 10 casos confirmados de covid-19, sendo que cinco estão localizados na aldeia de Parada do Monte, colocada em cerco sanitário desde a semana passada.

A ULSAM é constituída por dois hospitais: o de Santa Luzia, em Viana do Castelo, e o Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima. Integra ainda 12 centros de saúde, uma unidade de saúde pública e duas de convalescença, e serve uma população residente superior a 244 mil pessoas, contando com 2.500 profissionais, entre os quais 501 médicos e 892 enfermeiros.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 51 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 190.000 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 209 mortes, mais 22 do que na quarta-feira (+11,8%), e 9.034 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 783 em relação a terça-feira (+9,5%).

Dos infetados, 1.042 estão internados, 240 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 68 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março, tendo a Assembleia da República aprovado hoje o seu prolongamento até ao final do dia 17 de abril.

Além disso, o Governo declarou no dia 17 de março o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.

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