Seguir o O MINHO

Alto Minho

Ponte da Barca: Queima do Pai Velho “triplica” população de Lindoso

Tradição remonta aos tempos celtas

em

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

É em Lindoso, uma freguesia beirã em Ponte da Barca, já dentro do Parque Nacional Peneda-Gerês, onde decorre um dos carnavais mais antigos de Portugal: “Remonta à época celta, ainda antes dos romanos”, afirma o povo, que, ao contrário de outros entrudos, é quem organiza e protagoniza os três dias festivos de tradição minhota. “Uma espécie de auto-gestão”.

As curvas sinuosas da Estrada Nacional (EN) 203, transformada em EN 304-1 já na entrada dos três lugares que compõe a freguesia (Cidadelhe, Parada e Lindoso), revelam uma atmosfera em todo atípica aos carnavais brasileiros ou italianos.

Confluência entre EN 203 e EN 304-1. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

A neblina sobre os ribeiros que vão descendo do sopé da Serra Amarela, uma das mais imponentes do parque geresiano, revela o que nos espera. Uma tradição folclórica, com gado cangado, carros de bois decorados e, claro, muitas concertinas e danças, à boa forma pagã que deu origem a esta festa.

Ana Teresa, proprietária do café Vilarinho, situado à face da EN  304-1, já no sopé do Castelo de Lindoso, não vai muito “em carnavais” minhotos, mas confidencia que “triplica” a clientela durante uma fase menos boa de turismo – o inverno.

Ana Teresa. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“No domingo esteve muita gente, mas estava um dia bom, mas hoje o dia vai melhorar e também esperamos que esteja bem composto, geralmente triplicam os clientes aqui no café”, diz a comerciante, fã de “outras músicas”, como “zumba, sertanejo ou latina espanhola”.  “Nunca gostei de folclore”, diz, mas admite que “a festa é muito importante para a terra”, tanto pelo comércio como pela tradição.

Desfile não tem hora marcada

O cortejo do Pai Velho, na terça-feira de Carnaval, nunca tem horário definido: “é durante a tarde”. Por ser organizado “pelo povo e para o povo”, sai quando estiver tudo em ordem para percorrer a freguesia.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Depois da partida junto a uma zona mais central do lugar de Lindoso, o cortejo segue em direção a Espanha, entrando no primeiro quilómetro da estrada portugusa.

Quilómetro um da EN 304-1. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

 

Rodrigo Vaz é quem conduz o carro de bois que acarreta Pai Velho. “Sou o dono destas duas vacas por isso é que venho na frente”, explica. Com quatro vacas de raça cachena, aos 59 anos, o produtor não se recorda da primeira vez que participou no Carnaval de Lindoso.

“Isto tem muitos anos, é de épocas imemoriais, e eu já ando nisto desde que me lembro”, sublinha. O “senhor Vaz” explica que esta tradição serve para “assinalar a saída do inverno”. “O carro é escarpado, só com o que há no inverno, para dar as boas-vindas à primavera”, aduz.

Rodrigo Vaz e o Carro do Pai Velho: Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Guiar as vacas. Essa é, também, a missão de Manuel Fernandes, que conduz o segundo carro de bois. “Venho eu porque estas são da minha avó, mas estou habituado às vacas”, assinala o barquense que é também Sapador Florestal.

“Esta tradição faz com que venha cá muita gente, de todos os lados. Se dividirmos, diria que apenas um quarto das pessoas que participam são aqui de Lindoso, o restante vem de fora”, acrescenta.

Manuel Fernandes e o carro cangado. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

De Santiago de Compostela para recordar tradições do Entrudo em Portugal

Dos “três quartos” de visitantes que vêm de fora, alguns são do Porto, outros da Galiza. De Santiago de Compostela chegam dois casais: Maria Lopez, Alfredo Solla, Lola Garcia e Gerardo Martinez. Vêm em busca das tradições do Carnaval português, tendo já estado em Macedo de Cavaleiros, para assistir ao desfile dos Caretos de Podence.

Vieram de Espanha em busca da tradição. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Há três anos passámos aqui, por acaso, e vimos passar o desfile. Este ano resolvemos voltar e trazer amigos porque este tipo de tradição popular já não se encontra em muitos locais”, explica Maria.

Alfredo salienta que, tanto em Portugal como na Galiza, os desfiles de Carnaval estão “institucionalizados”. “Em Lindoso ainda é um desfile do povo para o povo, onde não existem mil subsídios para as associações que organizam, e é isso que queremos ver”, diz o galego.

Os carros cangados e decorados, as concertinas, o Castelo de Lindoso, os espigueiros, tudo ajuda para que estes vizinhos atravessem a fronteira em busca das tradições barquenses, embora salientem que “o português do Norte é mais parecido com os galegos do que um espanhol do Sul”.

Não faltam concertinas no desfile do Pai Velho. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Temos muitas coisas parecidas, o vinho, o povo, a economia, a cultura, é tudo muito similar”, reforça Alfredo. Questionado sobre se Minho e Galiza poderiam ser uma “euroregião”, Alfredo responde com algum humor e, como é Carnaval, ninguém levará a mal.

“O problema seria episcopal, pois seria preciso escolher qual a arquidiocese que seria superior na região, se a de Braga ou a de Compostela”, brinca, recordando o furto das relíquias de São Frutuoso, em Braga, por parte de concidadãos galegos.

Não há horários

Gerardo Martinez também concorda que esta é uma festa “do povo e para o povo”. “É tão popular que nem conseguimos encontrar horários, mas penso que por ser organizado por populares, é difícil ter horários, porque depende de várias pessoas que funciona por vontades aleatórias”, afirma.

Cortejo passa em vários lugares para anunciar o fim do inverno

Depois de partir do centro do lugar, o desfile vai à fronteira com Espanha, regressa ao lugar de Parada, no ponto oposto da freguesia, subindo depois por entre as estreitas ruelas com calçada e casas feitas em pedra, já bem no interior do parque da Peneda-Gerês. Do outro lado do rio Lima, que banha as encostas de Lindoso, vê-se as montanhas do Soajo, outra “pérola” da cultura e tradição do Alto Minho.

Lindoso pertence ao PNPG. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Cortejo passa em frente à igreja de Lindoso. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Carros ‘cangados’ atravessam freguesia. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Não faltam concertinas no Carnaval de Lindoso. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Cortejo chamou a atenção da RTP. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Patrícia Costa, de Amarante, veio propositadamente para o evento. “Gosto muito de Lindoso porque, desde criança, sempre passeei muito com os meus pais pelo Alto Minho e aprendi a gostar”, refere.

“Já tinha vindo cá há pouco tempo para a Maratona de Concertinas e soube deste cortejo, então decidi vir este ano para conhecer a tradição e não me arrependi”, diz Patrícia, enquanto tenta retratar o desfile de todas as formas possíveis.

Patrícia Costa veio de Amarante. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Tristão Gonçalves, filho da terra, não perde um desfile. Responsável pelas castanholas (insturmento que toca há mais de 20 anos), vai marcando o compasso das concertinas e das rodadas dos carros de bois conforme chegam ao centro da freguesia, junto ao imponente Castelo de Lindoso.

Tristão Gonçalves. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Esta é a minha paixão e a minha festa favorita”, confessa. “Gosto de folclore e gosto das palhaçadas que muita gente faz, isso faz-me rir”, acrescenta.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Tristão reforça que esta festa “triplica” a população entre o domingo gordo e a terça-feira de Carnaval. “Três partes vêm de fora e uma é daqui”, reforça.

Chegados ao Castelo de Lindoso, seguem-se as rodas de vira e de Cana Verde ao som das concertinas e das castanholas, enquanto o gado descansa e o Pai Velho observa o local onde será queimado mais logo à noite.

A partir da meia-noite, depois de lido o testamento que, habitualmente, aponta “coisas menos boas” ao padre, ao presidente da junta e à própria Câmara Municipal. À boa moda do Minho.

Anúncio

Alto Minho

Aprovados apoios ao emprego, às empresas e às instituições de Caminha

Covid-19

em

Foto: Divulgação / CM Caminha

A Câmara de Caminha aprovou por unanimidade, em reunião ordinária do executivo municipal, um pacote de medidas de apoio ao emprego, às empresas e às instituições do concelho, informou hoje à Lusa o presidente da autarquia.

A proposta da maioria socialista no executivo municipal “prevê isenções de pagamento de rendas habitacionais e de comércio em espaços municipais, isenção do terrado das feiras semanais e de esplanadas, pagamento de tarifas fixas no abastecimento de água, saneamento e resíduos urbanos para pequenas e microempresas e o apoio financeiro a Instituições Particulares do Solidariedade Social (IPSS) e corporações de bombeiros”.

As medidas hoje aprovadas, por unanimidade, têm como objetivos “a manutenção do emprego, o equilíbrio financeiro da atividade empresarial e de suporte ao trabalho das IPSS que trabalham com idosos no concelho, incluindo as corporações de bombeiros de Caminha e Vila Praia de Âncora”.

No final da sessão, em comunicado enviado às redações, os três vereadores do PSD no executivo municipal informaram ter apresentado “nove medidas adicionais” à proposta da maioria socialista que consideram ser “geradoras de apoios importantes em época pandémica”.

Entre essas medidas, apontaram a isenção do pagamento das tarifas fixas da água e saneamento, com calibre de adução até 25 milímetros, nos meses de abril, maio e junho, do pagamento de tarifas fixas de recolha de resíduos sólidos para todos até julho do presente ano, o apoio de forma excecional e temporária às famílias que tiveram perdas do rendimento familiar iguais ou superiores a 25%, comparticipando em 50% no pagamento das rendas habitacionais” e defenderam “maior rapidez no pagamento a fornecedores, assegurando maior liquidez às empresas para fazerem face aos seus compromissos com os trabalhadores”.

Os vereadores do PSD alertaram ainda para a necessidade de “acompanhamento das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), no sentido de garantir apoio na aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (UEPI), sobretudo as IPSS que apenas têm creches e jardins-de-infância nas suas respostas sociais, uma vez que, pelo facto de estarem encerrados, não garantem receitas suficientes para o pagamento das despesas mensais, nomeadamente os salários dos trabalhadores”.

“O PSD estará sempre responsavelmente ao lado da população de Caminha, conforme continua a demonstrar reunião atrás de reunião, propondo novas alternativas e medidas para que todos possamos ultrapassar este estado pandémico o melhor possível”, sustenta a nota dos vereadores sociais-democratas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,2 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 70 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 311 mortes, mais 16 do que na véspera (+5,4%), e 11.730 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 452 em relação a domingo (+4%).

Continuar a ler

Alto Minho

Lar em Arcos de Valdevez confirma utente infetado

Covid-19

em

Foto: Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez

Há um caso positivo de covid-19 no Lar Vila Gerações, em Arcos de Valdevez, confirmou hoje a própria instituição à Altominho.tv.

Em causa está um utente na casa dos 90 anos que está internado no Hospital de Viana do Castelo.

Em declarações à Altominho.tv, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez, Francisco Araújo, adiantou que a instituição “irá proceder ao longo do dia de hoje à realização de testes a todos os utentes e funcionários” e estão a ser exercidos “todos os procedimentos exigidos nestas circunstâncias pela Direção Geral de Saúde”.

Arcos de Valdevez regista 21 casos de covid-19, segundo os dados divulgados hoje pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal, em estado de emergência até 17 de abril, regista ​​​​​​311 mortes, 11.730 infeções e 140 recuperados.

Continuar a ler

Viana do Castelo

Lar em Darque, Viana do Castelo, com 30 idosos infetados

Covid-19

em

Foto: RTP

A direção do centro social e paroquial de Darque, em Viana do Castelo, confirmou hoje à Lusa a infeção por covid-19 de 30 dos 41 utentes do lar da instituição e de três funcionários.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da direção, Xavier Moreira, adiantou que os resultados “começaram a chegar no final da semana passada e os últimos na tarde de domingo e vieram confirmar o pior dos receios”.

“Os 30 idosos, com idades entre os 70 e os 90 anos, estão todos estáveis. Estão todos no lar a ser acompanhados pelas autoridades de saúde, sendo que temos quatro utentes, cujos testes deram negativo e que estão isolados, num espaço da instituição”, explicou o padre Xavier Moreira.

O responsável acrescentou que “dos 40 funcionários já testados, apenas três estão infetados”.

O pároco criticou a “demora” na realização dos testes de despiste da doença, justificando “o número tão elevado de infetados por serem feitos a conta gotas”.

Além do lar, com 41 idosos, o Centro Paroquial de Promoção Social e Cultural de Darque, na margem esquerda do rio Lima, dispõe ainda de uma unidade de cuidados continuados de média e longa duração, com 32 utentes.

No total, trabalham naquela Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) 90 funcionários.

“Amanhã [terça-feira] vamos testar os 32 utentes da unidade de cuidados de média e longa duração e, entre amanhã e quarta-feira serão testados mais 52 funcionários. O problema disto é não existirem testes para toda a gente”, referiu.

Questionado sobre a possibilidade de o edifício ser alvo de uma operação de desinfeção, Xavier Moreira disse ser um objetivo da instituição, mas disse desconhecer quando ocorrerá face à situação atual.

“Temos o lar transformado num hospital com os utentes a serem acompanhados pelos funcionários, sob supervisão das autoridades de saúde”, apontou.

Viana do Castelo tem 68 casos registados, segundo os dados divulgados hoje pela Direção-Geral da Saúde.

Portugal, em estado de emergência até 17 de abril, regista ​​​​​​311 mortes, 11.730 infeções e 140 recuperados.

Continuar a ler

Populares