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Ponte da Barca exporta 1,5 milhões em vinho verde para a Rússia (negócio pode desabar)

Responsáveis preocupados com possível retaliação da Rússia em temos de importações

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Vindimas na Adega de Ponte de Lima. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

A Rússia já é o maior mercado de exportação para a Adega de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, representando, no último ano, receitas de 1,5 milhões de euros. Com a tensão a aumentar entre aquele país e a União Europeia, as sanções estão já à vista, e podem prejudicar o negócio – que tem vindo a crescer de ano para ano – de forma muito impactante.

José Oliveira, diretor-geral da Adega de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez, contactado por O MINHO a propósito de possíveis sanções que bloqueiem a exportação, explicou que a administração “está muito apreensiva e preocupada” com o que poderá acontecer caso o “mercado número um” resolva responder à Europa, e aplicar sanções nos produtos provenientes do velho continente.

Em 2015, quando existiram as primeiras sanções face à anexação da península da Crimeia, por parte da Rússia, o vinho ficou de fora. Mas, desta vez, ainda não se sabe se será assim.

“Estamos dependentes das medidas que possam vir a ser adotadas, principalmente de retaliação por parte da Rússia”, alertou o responsável.

“Na primeira situação conseguimos controlar mais ou menos, conforme decorria o conflito, mas neste momento não temos qualquer dado que nos possa permitir afirmar que o caminho será este ou aquele. Há uma grande indefinição”, explicou.

A Adega de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez exporta várias marcas para os chamados países de leste e do Báltico, sobretudo de vinho verde, algumas com bastante peso na exportação.

“É um mercado muito importante para nós, e obviamente que a situação que está a acontecer, afeta-nos não só no mercado da Rússia, mas também na Ucrânia, Bielorussia, Cazaquistão e outros países ao redor, onde temos ligações comerciais e clientes”, acrescentou.

E prosseguiu: “Estamos muito apreensivos e preocupados, porque a Rússia é o mercado onde temos vindo a crescer mais nos últimos anos”.

José Oliveira explica que 75% da faturação pertence à exportação: “É um peso muito grande, e a Rússia sendo mercado principal, é uma fatia de perto de 1,5 milhão de euros de receita proveniente desse mercado, isto a nível anual”.

Outro fator de preocupação é o estanque que pode vir a sofrer, pois, segundo José Oliveira, no final deste ano era esperada uma receita de 2 milhões de euros, “numa situação normal”.

Há ainda outra questão que preocupa mas que, para já, ainda “não foi sentida”. Trata-se da desvalorização da moeda russa (o rublo). “Se a moeda desvaloriza face ao euro, o vinho vai ficar mais caro ao importador, e depois fica mais caro para o consumidor final”, lamenta.

José Oliveira recorda que, ainda este mês, a Adega de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez esteve na feira Prodexpo, na Rússia, para mostrar os vinhos, mas ninguém achava que pudesse existir sanções: “Não se notou nada, correu tudo muito bem, nem sequer os importadores estavam com algum tipo de receio”.

Contudo, agora, a situação parece ter mudado, sobretudo depois de a UE e os EUA anunciarem sanções comerciais com a nação liderada por Vladimir Putin.

Ponte de Lima também está preocupada

Celeste Patrocínio, presidente da Adega Cooperativa de Ponte de Lima, também se mostrou preocupada com a situação geopolítica e na forma como pode afetar as exportações para a Rússia, sem, no entanto, achar que possa atingir de forma muito significativa as vendas daquela cooperativa.

“A Adega [de Ponte de Lima] trabalha com o mercado russo e participa nas feiras em ações de promoção levadas a cabo por entidades portuguesas. Recebemos, aliás, algumas medalhas de ouro e prata na edição deste ano da Prodexpo”, afirmou.

E prosseguiu: “A atual agitação geoestratégica é preocupante, também para nós, claro, não podia deixar de ser. Recorde-se que em situações idênticas, na Crimeia, houve consequências na importação por parte da Rússia por parte de produtos agroalimentares, sobretudo para a carne de porco”.

Contudo, o vinho “ficou de fora” nessa situação, conforme mencionado pelo congénere de Ponte da Barca. “Não sabemos o que vai acontecer, até à data não temos indicação de nenhuma alteração dos nossos importadores e das encomendas que estavam feitas. Saíram normalmente”, avançou.

“Vamos ver o que acontece. O assunto preocupa, tem o seu peso, mas temos outros mercados”, avaliou, deixando a ressalva que o mercado russo “é importante” mas, quanto ao futuro, “é aguardar para ver”.

UE deu aval às sanções

Recorde-se que, nesta terça-feira, os embaixadores dos Estados-membros junto da União Europeia deram o aval final à lista de sanções europeias à Rússia, após o reconhecimento russo de territórios separatistas no leste ucraniano, anunciou a presidência francesa do Conselho.

“As sanções têm aplicação imediata após a publicação no Jornal Oficial da UE”, conclui a presidência francesa do Conselho.

Horas antes, o chefe da diplomacia da União Europeia anunciou a aprovação, por unanimidade entre os 27 Estados-membros, de um pacote de sanções à Rússia, visando “atingir, e muito” as autoridades russas.

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