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Politécnico de Viana dá três dimensões a ponte de Leonardo da Vinci que nunca saiu do papel

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Uma ponte desenhada por Leonardo da Vinci para Istambul, que nunca chegou a ser construída, está entre os projetos que vão ganhar três dimensões (3D) no âmbito de um trabalho da unidade de modelação criada pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC).

“A partir da realidade aumentada damos dimensão a projetos arquitetónicos, alguns demolidos, outros que perduram e muitos que nunca chegaram a ser construídos, como é o caso da ponte que Leonardo da Vinci desenhou mas que nunca saiu do papel”, explicou o docente da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do IPVC, Manuel Rivas.

O autor e principal responsável pelo projeto intitulado Viana 3D, adiantou que o desenho do pintor italiano, que também foi arquiteto, entre outras áreas em que atuou, foi fornecido Genco Berkin, professor na faculdade Fatih Sultan Mehmet Vakif University, em Istambul, “que encontrou o projeto de Leonardo Da Vinci perdido na gaveta”.

“O esboço ainda não foi modelado porque foi rejeitada uma candidatura que fizemos a fundos comunitários, mas vamos insistir no novo quadro do Portugal 2020”, explicou o professor dos cursos de Design do Ambiente e do Produto.

Aquele projeto integra uma das vertentes do Viana 3D, “das cidades que nunca o foram”, que pretende “mostrar às pessoas projetos que, por uma razão ou outra, nunca chegaram a existir” e, chegou ao conhecimento daquela unidade de modelação do IPVC através dos contactos que o docente foi estabelecimento com colegas de vários países.

“A partilha da informação em conferências internacionais, e alguns artigos que resultaram dos trabalhos desenvolvidos, captaram o interesse de outras unidades de investigação e instituições de ensino superior, explicou.

O projeto nasceu em 2006, durante o mestrado do docente e no âmbito da disciplina arquitetura modernista.

O trabalho de recolha dos traçados originais e identificação de autores e obras do modernismo português do começou em Viana do Castelo e traduziu-se na recolha de centenas de projetos arquitetónicos, alguns demolidos, outros que perduram e muitos que nunca chegaram a ser construídos.

A unidade de catalogação e modelação iniciada há cerca de quatro anos, com o apoio dos alunos do curso de Design do Ambiente, já modelou em 3D mais de 54 edifícios, entre eles “o antigo mercado municipal de Viana do Castelo, onde foi construído ao prédio Coutinho”, com demolição prevista desde 2000, ao abrigo do programa Polis.

A investigação “resultou na identificação da autoria, até então desconhecida, de muitas das construções que eram afinal assinadas pelos arquitetos de referência do modernismo português”.

Dos mais de 54 edifícios modelados, 11 são projetos que nunca foram construídos e que deram origem à ideia de fazer “O Portugal que podia ter sido”.

“Foram horas de investigação no Arquivo Municipal de Viana do Castelo a procurar projetos de edifícios, desde os anos 70, de algum valor arquitetónico. Uns foram construídos, outros sofreram alterações, outros demolidos e outros nem sequer chegaram a ser construídos e deram lugar a outros. É o caso tribunal, situado na avenida central da cidade”, explicou.

Ainda em Viana do Castelo, a investigação desvendou edifícios de Rogério de Azevedo, um dos pioneiros do movimento moderno português e o que mais presença tem em Viana, Moura Coutinho e Júlio José de Brito, autor do Teatro Rivoli e Cinema Coliseu (em coautoria com Cassiano Branco e Mário de Abreu) que em Viana assina, entre outros, o edifício da Pastelaria-Café Paris, de 1954.

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