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Cávado

Polémica em Esposende por causa de junta ter oferecido um quadro ao pároco

Homenagem gera troca de acusações entre PS e PSD

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Foto: Facebook da Junta de Esposende, Marinhas e Gandra

O PS/Esposende acusou hoje a União de Freguesias de Esposende, Marinhas e Gandra de “ignorar a separação entre Igreja e Estado”, ao custear a “exuberante oferta” de uma pintura a um pároco pelos 50 anos de sacerdócio.

A secção de Esposende do PS, liderada por Tito Evangelista, manifestou em comunicado na rede social Facebook, “repúdio” pelo gesto daquela união de freguesias, que ofereceu um quadro a óleo ao pároco Avelino Marques Peres Filipe, no qual o sacerdote é retratado.

Em declarações à Lusa, o presidente da União de Freguesias de Esposende, Marinhas e Gandra, Aurélio Neiva (PSD), não quis comentar as acusações dizendo que “as críticas ficam com quem as faz” e que o valor da oferta será esclarecido “quando e onde tiver de ser”, ao passo que o presidente da autarquia, o social-democrata Benjamim Pereira, considerou a posição do PS “deplorável, absurda e mesmo insultuosa”.

“Se não têm argumentos para combater o trabalho notável desta Junta de Freguesia e dos seus elementos, deveriam dar o lugar a pessoas educadas e que tenham ética no exercício dos cargos para os quais foram eleitos, mesmo que estes sejam apenas de natureza partidária”, afirma Benjamim Pereira, também através da sua página pessoal no Facebook.

Para o autarca, “confundir o desempenho” do pároco, com 82 anos e que “continua a servir a sua gente, com os conceitos de Estado Laico e de separação de poderes” é “ignorância quanto ao seu valor”.

No texto do PS, a secção de Esposende manifesta “o seu repúdio pelo comportamento da União de Freguesias de Esposende, Marinhas e Gandra, que, ignorando a Constituição da República Portuguesa, designadamente a separação entre a Igreja e o Estado, encomendou, a um reconhecido artista, um quadro a óleo do pároco de Marinhas, uma das três paróquias da União de freguesias, para oferecê-lo ao mesmo”.

Segundo o PS de Esposende, “desde a primeira República, instaurada em 1910, que existe separação legal entre a Igreja e o Estado, e não é legalmente permitido, nem moralmente admissível, gastar dinheiros públicos, provenientes dos impostos de todos, para custear exuberantes ofertas particulares, neste caso a um pároco”.

Aquele partido acusa ainda a Junta de “nada fazer anos a fio” e usar “repetidamente como justificação a falta de disponibilidade financeira para atividades sociais”, mas que “não olha a meios ara “ofertas legalmente proibidas e moralmente inadmissíveis”.

O presidente da autarquia, Benjamim Pereira, anunciou que vai apresentar a proposta para atribuição da mais alta condecoração municipal, a Medalha de Honra, ao padre Avelino Filipe.

Em resposta ao autarca, igualmente via Facebook, a secção do PS de Esposende refere não estar surpreendida pela tomada de posição do autarca.

“Não nos surpreende. Os amigos políticos do PSD reúnem-se, promovem-se, protegem-se, defendem-se e insultam os adversários. É já um hábito”, acusam

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