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Futebol

“Pode parecer que o sexto lugar é pouco, mas temos de encarar a realidade como ela é”

Pepa

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Imagem: Vitória SC / Facebook

Declarações após o jogo Boavista-Vitória SC (1-1), da 33.ª jornada da I Liga de futebol, disputado hoje no Porto:

Pepa (treinador do Vitória SC): “Fomos superiores na primeira parte. Tivemos muita qualidade com bola, uma saída ‘limpa’, uma fase de construção com muito critério. O Boavista tinha muita mobilidade na frente e iria procurar muito a profundidade, mas controlámos bem isso, tal como o jogo interior, e estávamos a conseguir pressionar alto.

Tivemos 45 minutos de um nível muito alto. Houve espaço entrelinhas, bola e chegadas no último terço com muita qualidade, mas faltou-nos agredir mais e fixar a linha de três centrais do Boavista para poder melhor. Depois, perdemos ali algumas bolas. Uma ou outra oportunidade do adversário nasceram de erros nossos que se podem pagar caro.

Na segunda parte, houve uma reação normal do Boavista, mas mantivemos a postura e quisemos chegar rapidamente ao segundo golo com qualidade e critério. Aí, o jogo ficou mais equilibrado. Depois, houve a expulsão. [O Abdul Munin] Foi bem expulso e não há mais nada a dizer. A partir daí, o jogo pendeu muito mais para o Boavista. Deixámos de conseguir pressionar tão alto, algo que deixou o Boavista confortável. Passámos por algumas dificuldades, mas a equipa esteve ligada e com um compromisso tremendo.

Foi pena, porque foi um espetáculo tremendo, mas só temos de nos lamentar, porque sentimos que estávamos confortáveis e íamos vencer o jogo. Parabéns às três equipas. Foi um jogo intenso, de qualidade e com espetáculo. Quando assim é, há que salutar.

Vou ter tempo para fazer o balanço, mas faltou-nos regularidade a nível exibicional ao longo da época. É um desafio que temos de executar no trabalho diário, espremendo os jogadores ao máximo e ajudando-os a saber lidar com estas situações. Agora, este é o caminho. Dos três empates, em dois ficámos aquém. Hoje, ficámos aquém no resultado. Não direi que merecíamos ter ganho, mas, enquanto foi 11 contra 11, fomos superiores.

O que me fascinou mais é, depois de estar por dentro, perceber que o Vitória é enorme. Sentimos que vamos ser melhores e mais fortes na próxima temporada, porque estamos todos envolvidos em recolocar o clube no patamar que queremos. Pode parecer que o sexto lugar é pouco, mas temos de encarar a realidade como ela é e o contexto do que nos aconteceu. Foi difícil, mas é nestes momentos que se veem os conquistadores.

Isto não é de um dia para o outro. Os miúdos estão a ser lançados com calma. Não tenho dúvidas de que o caminho é risonho. Queríamos ganhar, mas não dependemos de nós e também não sabemos o que irá acontecer. Enquanto for possível, vamos com tudo atrás do quinto lugar. Hoje, não conseguimos ganhar, mas corremos o risco de ter perdido.

Não vou ser hipócrita e dizer que não terei de torcer por ninguém. É o que tiver de ser. O futebol tem três resultados possíveis. Se o Gil Vicente pontuar, sou o primeiro a pegar no telefone e dar os parabéns ao Ricardo Soares. O futebol é isto. Temos de saber ganhar, perder e empatar e saber estar na vida e no futebol. Às vezes, ficamos um bocado cegos e pensamos só no nosso umbigo. Há que valorizar o Gil Vicente, que tem sido regular.

Se o Gil Vicente perder em casa [frente ao Tondela, no domingo], acredito que vamos ter o estádio cheio para disputarmos uma final ‘mano a mano’. Se o Gil pontuar, consegue o quinto lugar e só temos de dar os parabéns, enquanto nós iremos preparar esse jogo”.

Nuno Pereira (treinador-adjunto do Boavista): “Estávamos condicionados, uma vez que alguns titulares estavam de fora das opções por castigo. No entanto, tivemos de nos adaptar e as soluções não são as mesmas. Essa mudança [de Kenji Gorré para a ala esquerda] voltou a caracterizar-nos consoante a nossa forma de jogar, ideia e padrão. Aqueles últimos 10 minutos da primeira parte e o segundo tempo foram do Boavista.

É contagiante aquilo a que assistimos em casa. Passou, sobretudo, pela nossa ambição de ganhar. Queríamos premiar os nossos adeptos e terminar com uma vitória em casa, até porque é característica da equipa jogar sempre para ganhar, ter espírito positivo e enorme atitude competitiva. Foi um jogo muito competitivo e intenso, com equipas em busca da vitória. Saímos frustrados, pois essa vontade não se traduziu em três pontos.

[entrada de Paul-Georges Ntep] É muito explosivo, forte no um contra um e capaz de acelerar o jogo. Muitas vezes, não aproveita essas características fantásticas. Entrou motivado e com vontade de se mostrar. Passado pouco tempo, fez o golo do empate.

São momentos e emoções do jogo. Muitas vezes, os atletas crescem com o ambiente, o resultado, a equipa e os seus colegas. O Paul-Georges Ntep não competiu muito durante esta época e isso pode ter gerado uma revolta nele próprio, que se traduziu neste golo e num bom rendimento. Foi importante para nos ajudar a somar um ponto, pelo menos”.

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