Pedro Abrunhosa fala da sua “cumplicidade” com Braga antes de concerto no Altice FORUM

Concerto está marcado para as 21:30, desta sexta-feira, e O MINHO conversou com o músico
Foto: Arlindo Camacho

“Uma relação de cumplicidade”. É assim que o músico Pedro Abrunhosa apelida a relação que tem com a cidade de Braga. Dezenas de concertos depois em vários espaços bracarenses, o compositor portuense sobe ao palco, pela primeira vez, ‘na maior sala de espetáculos do Norte do país’. O concerto no Altice FORUM Braga, que traz ‘Espiritual’ na bagagem, está marcado para as 21:30, desta sexta-feira, e O MINHO conversou com o artista.

Anos 80. Em Braga, era o Sardinha, o Migaitas, o início da Universidade do Minho que marcavam o emergir de uma nova era. Novas realidades musicais começam a tomar conta de bares e cafés-concertos.

O jazz é uma delas com a Orquestra de Jazz do Porto a assumir um protagonismo especial. A liderá-la um músico pouco conhecido do grande público mas bastante referenciado no meio musical: Pedro Abrunhosa.

Pedro Abrunhosa, Cool Jazz Orchestra (1989). Foto: DR

“Braga sempre foi um sítio com o qual tive uma relação muito especial, muito forte. Fui sempre muito bem acolhido”.

A relação da cidade com o músico foi amadurecendo até se tornar cúmplice: “ainda antes dos Bandemónio, tinha a ‘Máquina do Som’ que nos levou muitas vezes a Braga. Um dos primeiros concertos do álbum ‘Viagens’ em 1993 foi em Braga. Já fizemos uma quantidade de enterros da gata, já tocamos ‘n’ vezes no Theatro Circo, essa sala carismática e na Noite Branca”.

E há inclusive uma história que não se esquece porque “são estas histórias que ficam na mitologia do meu imaginário. Lembro-me de estar no Hotel do Parque e sair às cinco da manhã para ir tocar num dos Enterros da Gata”.

Altice FORUM

A verdade é que o concerto de amanhã sai fora do ‘tradicional circuito’. O Altice FORUM Braga foi inaugurado há poucos meses e Abrunhosa já visitou o espaço: “a primeira impressão é bastante boa” e aproveita para desmitificar uma ideia feita: “é diferente tocar numa sala para poucas pessoas ou noutra para muitas pessoas. É verdade que os músicos têm que tocar bem mas as salas também têm a sua mística”.

O Altice FORUM “é uma sala recentemente nova mas pela qualidade dos espectáculos que já apresentou promete. Ainda recentemente toquei em Coimbra, num convento e a sala impôs-se aos músicos”. Por isso, o músico espera que “amanhã, a sala fale comigo”.

Provocado pela sua cidade do Porto ter perdido o estatuto “da maior sala de espectáculos do Norte para Braga”, Abrunhosa tem uma reacção curiosa: “não fico nada triste. Quando se fala em equipamentos espero sempre que seja em crescendo. Ainda bem que há salas com qualidade e dimensão para se fazerem grandes espectáculos. Era óptimo que a maior sala fosse em Moimenta da Beira, era sinal que havia cultura e público interessado”.

Para o músico, a cidade de Braga, desde Bracara Augusta, assumiu uma importância religiosa e política relevantes em todo o Noroeste Peninsular, “está numa encruzilhada de caminhos o que faz, por exemplo, com que os meus concertos tenham sempre público galego”.

Concerto

Foto: Divulgação

Desde Dezembro na estrada, Pedro Abrunhosa reconhece que “o concerto já está muito rodado. Não vamos tocar na íntegra o ‘Espiritual’ porque incluímos as grandes canções de outros discos. Há alturas em que ‘desisto’ de tocar determinadas canções mas é o público que exige o seu regresso. E há outras canções que têm que fazer parte do reportório como ‘Não Posso Mais’ ou ‘Lua’”.

Composição

O músico e compositor sempre foi muito atento “ao real. Não podes estar permanentemente a criar. Aliás, isso da inspiração não existe, é uma ideia romântica. Existe muito trabalho, trabalho e trabalho”.

Daí a necessidade de se olhar para a realidade que o circunda: “pode ser uma realidade romântica que afeta a todos, de amores perdidos, traídos, que acabam mas também é uma realidade sensível, que produz um efeito que ressoa. Pode acabar por ser inútil e nem sair do estúdio mas é fundamental”.

Intervenção pública

Abrunhosa sempre foi conhecido pela sua intervenção social e política. No rescaldo das eleições europeias com uma taxa de abstenção enorme, o músico reconhece que “existe um afastamento das pessoas às propostas dos partidos” e lembra uma expressão “maquiavélica que saiu de cena”, ‘arco da governação’ para fazer a sua análise.

“São aqueles que estão à margem dos tradicionais partidos que se estão a rebelar contra o arco da governação e isso viu-se nestas eleições”. Os partidos na esfera do arco da governação, “sobretudo o PSD, foram castigados” porque “não acautelaram os interesses teleológicos, diretos, da população”.

Toda a questão da banca, a troika, a impunidade perdulária dos banqueiros por “infiltração entre a política e a banca“ têm da parte do bloco central “uma cobertura mútua. Há uma rebelião e quem ganha são os extremos”.

É um Pedro Abrunhosa em grande forma e igual a si mesmo aquele que se espera, amanhã, em Braga. Para um concerto ‘Espiritual’, onde haja ‘Amor em tempos de muros’. E que no final, ‘levantemos voo’ para ‘um sítio melhor’.

 
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