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Paulo Fonseca pensa ganhar um título esta época com o Sporting de Braga

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O treinador do Sporting de Braga, Paulo Fonseca, disse hoje que pensa em ganhar um título esta época, mas frisou o “fosso” existente entre os ‘três grandes’ do futebol português e as restantes equipas.

O técnico, que falava perante uma plateia diferente do habitual, cerca de 80 reclusos do Estabelecimento Prisional de Braga, no âmbito da iniciativa “Um café com?”, do Centro Pastoral Penitenciário de Braga, passou em revista a sua vida pessoal, não sem alguma emoção, e profissional, admitindo ter ingressado no FC Porto ainda muito inexperiente.

Questionado sobre um dos reclusos sobre se pensa ganhar um título esta temporada, dado o Sporting de Braga estar ainda a disputar quatro competições, Paulo Fonseca disse que sim.

“Sinceramente penso. Mas estar em quatro competições é muito difícil e violento, temos de saber geri-lo, mesmo considerando que é possível jogar-se à quarta-feira e ao domingo”, respondeu.

Repetir a presença na final da Taça de Portugal, depois de ter eliminado o detentor do título, o Sporting, na quarta-feira, é um desejo assumido.

“Consigo perceber a deceção das pessoas do Braga em relação à final da época passada. Agora que eliminámos o Sporting, sinto o sonho de estar no Jamor a surgir novamente nas pessoas, mas temos de ser equilibrados porque faltam ainda algumas etapas e todas as equipas são fortes”, disse.

O treinador confessou que “adorava estar naquele ambiente do Jamor”, garantindo: “vamos fazer tudo o que for possível para estar lá já este ano”.

Já sobre ser campeão, tem a opinião que a tarefa é “muito difícil”, porque o investimento dos ‘três grandes’, Benfica, FC Porto e Sporting, aumentou este ano, ao passo que o dos outros diminuiu.

“Se eu dissesse que acredito [ser campeão] estou a iludir as pessoas e quero que elas percebam a realidade. Os grandes clubes, por terem mais adeptos, têm mais facilidade em ter mais receitas. O Braga, por exemplo, teve que vender jogadores este ano, houve essa necessidade, e conseguimos fazer uma equipa mais barata. Mas com os grandes foi ao contrário: muito por causa da ida de Jorge Jesus para o Sporting, houve um maior investimento e cavou-se um fosso ainda maior com os outros clubes”, analisou.

Instado a explicar o que falhou no FC Porto, preferiu assumir a sua responsabilidade.

“Era muito novo, pensava que sabia tudo e não sabia. A culpa também é minha, era inexperiente – só tinha um ano de I Liga. Cheguei ao FC Porto como um sonhador, a vida iria ser como sempre sonhei, mas a realidade mostrou-me outra coisa. Passei uma fase difícil, só via o sucesso e as vitórias e tive que refazer a carreira”, lembrou.

Revelou ainda que ser selecionador nacional não é ambição que tenha nesta fase da carreira porque prefere trabalhar diariamente com os jogadores.

“Não é esse o meu sonho. Não tenho essa ambição. Não me vejo muito a treinar uma seleção, mas se calhar daqui a 20 anos, quando estiver farto de aturar os jogadores, quem sabe?”, brincou.

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