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Páscoa com Foda à Monção em ‘take-away’ chega ao maior jornal brasileiro

“A palavra tem, em Portugal, o mesmíssimo sentido que no Brasil”

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Foto: DR

A notícia de que, por causa da pandemia, a Foda à Monção vai, esta Páscoa, ser servida em regime ‘take-away’ por vários restaurantes do concelho já chegou ao maior jornal do Brasil, o Folha de S. Paulo. E o artigo até aventa uma outra explicação para o nome dado ao Cordeiro Assado à Moda de Monção.

No artigo, de acesso exclusivo a assinantes, intitulado “Páscoa em Portugal tem entrega de foda em domicílio”, assinado por Marcos Nogueira, na rubrica Cozinha Bruta, começa-se por explicar que a Feira da Foda foi cancelada e que a iguaria monçanense será entregue em ‘take-away’.

O autor explica que se trata de uma iguaria típica de Monção e que “a palavra ‘foda’ tem, em Portugal, o mesmíssimo sentido que tem no Brasil”.

Daí parte para a explicação oficial do “nome artístico”: Reza a história que os habitantes do burgo, que não possuíam rebanhos, dirigiam-se às feiras para comprar o animal. E, como em todas as feiras, havia de tudo, bons e maus. A verdade é que os produtores de gado, quando o levavam para a feira, queriam vendê-lo pelo melhor preço.

Desta forma, nas semanas anteriores, para que os animais parecessem gordos, punham-lhes sal na forragem, o que os obrigava a beber muita água. Na feira, onde os ditos eram comercializados, apareciam com uma barriga cheia de água e pesados, parecendo realmente gordos.

Os incautos, que não sabiam da manha, compravam aqueles autênticos “sacos de água” e, quando se apercebiam do logro, exclamavam à boa maneira do Minho: Que foda! O termo tanto se popularizou que o prato passou a designar-se, por estas bandas, como foda. De tal modo que é frequente, pelas alturas festivas, como a Páscoa, ouvir dizer: “Ó Maria, já meteste a foda?”.

No entanto, no mesmo artigo, esta versão é contestada por Jorge Vaz Nande, argumentista natural de Monção e residente em São Paulo. Segundo aquele, podia haver um ou outro que caísse na ‘esparrela’ mas nunca em número suficiente para criar uma designação nova.

Lembrando que cresceu a chamar ao prato “cabrito, apesar de ser cordeiro”, Jorge Vaz Nande aponta que “é um prato que demanda muito trabalho”. E aí poderá estar, argumenta, a explicação para o nome: “É caro e dá uma grande trabalheira, então, é uma grande foda”.

Já não é a primeira vez que a Foda à Monção impressiona os brasileiros. Em 2019, o humorista António Tabet, da Porto dos Fundos, partilhou um vídeo promocional da Feira da Fora, do realizador barcelense Marco Neiva, e o ‘tweet’ viralizou.

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