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Alto Minho

Paredes de Coura procura soluções para conflito “universal e secular” entre o homem e o lobo

Lobo-ibérico foi encontrado morto no fim-de-semana passado. E não foi a primeira vez, naquela região

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Foto: DR

O concelho de Paredes de Coura inaugura, na sexta-feira, a Casa da Biodiversidade de “apoio e procura de soluções” que permitam um “equilíbrio no conflito universal e secular” existente entre o homem e o lobo.

“A Casa da Biodiversidade não é o espaço do lobo, é o espaço das pessoas que precisam de ajuda para poder lidar com o lobo. Precisam de ajuda para se proteger, conhecendo-o bem e evitando os seus prejuízos e, sobretudo, para saber como devem agir para serem ressarcidas quando não foi possível protegê-las”, afirmou hoje à Lusa o presidente da Câmara de Paredes de Coura.

“Para nós, neste conflito não existe o lado do lobo e o lado do homem, só existe o lado do problema e o lado das soluções. Nós queremos estar, definitivamente, do lado das soluções. Não queremos milagres, procuramos soluções”, reforçou.

Segundo dados avançados pelo autarca socialista, o último ataque do lobo a um rebanho ocorreu há dois meses, na freguesia de Ferreira. Já na semana passa, adiantou Vítor Paulo Pereira, um lobo foi encontrado morto a tiro, na zona entre Cossourado e Sapardos, na fronteira do concelho de Paredes de Coura e Vila Nova de Cerveira.

Lobo-ibérico encontrado morto com tiro na nuca em Paredes de Coura

Vítor Paulo Pereira diz que é preciso acabar com este “conflito imemorial entre o lobo e o homem”, que, defendeu, “nasce do medo profundo do animal e que é incutido desde cedo nas crianças, através da ideia do lobo mau”.

“Esse medo alimenta-se cada vez mais do desconhecimento e transforma-se em ódio quando somos confrontados com os prejuízos que o animal causa. Não somos presunçosos ao ponto de dizer que queremos resolver este problema, o que queremos com este projeto é repor algum equilíbrio nesta relação e, através desse equilíbrio, garantir a preservação do animal e a qualidade de vida das pessoas”, reforçou o autarca.

Vítor Paulo Pereira lembrou que a proteção da biodiversidade não é uma opção, mas “uma questão de sobrevivência enquanto território sustentável e criativo”.

“A proteção do lobo ibérico só se consegue se não nos esquecermos que as pessoas também fazem parte da biodiversidade e, por isso, só as ajudando e trabalhando com elas podemos garantir a proteção do lobo”, afirmou.

A Casa da Biodiversidade, a inaugurar na sexta-feira de manhã numa cerimónia que contará com o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, integra-se no projeto “O Lobo e o Homem” que a Câmara de Paredes de Coura está a desenvolver e que representa um investimento superior a 138 mil euros, financiado por fundos do Norte 2020.

A Casa da Biodiversidade, orçada em mais de 100 mil euros, resultou da recuperação do edifício de uma antiga sede de junta de freguesia de Castanheira.

O imóvel encontrava-se devoluto e “reabre portas transformado em Casa da Biodiversidade”, um espaço de “apoio aos proprietários lesados pelo ataque dos lobos e de investigação científica, uma vez que é nela que ficará instalada a base de campo do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genético da Universidade do Porto (CIBIO)”.

“A ideia é enfrentar este problema de longa data e transformá-lo numa vantagem para a população, garantindo com isso uma eficaz preservação da espécie. O conflito de outrora ganha contornos diferentes e não permite hoje a escolha entre o lado do lobo ou o lado do homem, a opção é entre o lado do problema e o lado da solução”, adiantou Vítor Paulo Pereira.

O projeto “O Lobo e o Homem” tem como parceiros a Associação Aldeia, o CIBIO, a Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico (ACHLI) e a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

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Alto Minho

Alvarinhos de Monção e Melgaço triunfam nos Óscares do vinho verde

Cinco vinhos alvarinhos de Monção e de Melgaço arrebataram os prémios “Best of 2019”

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Foto: Divulgação / Arquivo

Cinco vinhos alvarinhos de Monção e de Melgaço arrebataram os prémios “Best of 2019” do Concurso “Os Melhores Verdes”, que foram entregues esta quinta-feira noite na Sala do Arquivo, na Alfândega do Porto.

A eleição dos melhores vinhos verdes é uma iniciativa anual da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) e esteve a cargo, este ano, de um júri composto por “críticos e provadores de sete países, selecionados nos principais mercados de exportação do vinho verde”, informou o organismo.

Desde 2009 que a CVRVV inclui a categoria “Best Of” no Concurso Melhores Verdes, visando promover um “Top 5” alvo de maior divulgação e promoção internacional, e este ano os distinguidos “são uma vitória unânime da casta Alvarinho da sub-Região de Monção e Melgaço”, uma das nove da Região Demarcada dos Vinhos Verdes.

Os vinhos “Best Of 2019” são Valados de Melgaço Reserva Alvarinho 2017, Encosta dos Castelos Alvarinho 2018, Dom Ponciano Colheita Seleccionada Alvarinho 2013, Vinha Antiga Escolha Alvarinho 2017 e Portal do Fidalgo Alvarinho 2018.

O júri deste concurso elegeu ainda 12 referências na categoria Ouro, entre 291 amostras a concurso, agrupadas nas categorias Vinhos Verdes Brancos, Rosados, Tintos, de Casta, Colheita igual ou anterior a 2016, Espumantes, Aguardentes e Regional Minho.

Entre os vinhos premiados com o ouro figuram dois “Best Of”, o Dom Ponciano Colheita Seleccionada Alvarinho 2013, na categoria Colheita anterior a 2016, e o Encosta dos Castelos Alvarinho 2018, na da casta Alvarinho.

Os outros premiados com Ouro são Quinta dos Encados Grande Escolha 2018 (Branco), Desfiado Reserva 2018 (Rosado), Quinta da Samoça Vinhão 2018 (Tinto), Ardina Colheita Seleccionada 2018 (Arinto), Quinta de Linhares 2018 (Avesso), Vale do Homem 2018 (Loureiro), Opção Azal 2018 (Azal), Alvarinha (Aguardente), Muralhas de Monção Branco Reserva Bruto Alvarinho 2015 (Espumante) e Quinta de Gomariz Colheita Seleccionada Alvarinho 2018 (Regional Minho).

O prémio “A melhor Vinha 2019”, que reuniram 15 concorrentes, foram para a Quinta da Calça (Esposende), Quinta de Ornellas (Amares) e Solar das Bouças (Amares), o de “Melhor Viticultor do ano” foi entregue a João Tomás (Quinta da Calça) e o de “Vinha e Ambiente” coube à Quinta de Santiago.

O presidente da CVRVV, Manuel Pinheiro, disse à agência Lusa que o triunfo dos alvarinhos na categoria “Best Of” mostra que “é uma casta internacionalmente” reconhecida” e que esses “vinhos estão prontos para a exportação e serão bem recebidos nos mercados externos”.

“A esmagadora maioria dos vinhos verdes exportados são de lote e o alvarinho ainda está ser descoberto como uma grande casta a nível mundial. A Região tem é que agarrar esta oportunidade”, acrescentou, referindo que a nova aposta deve ser “valorizar” o produto” mais do que “crescer”.

Manuel Pinheiro declarou-se ainda “muito satisfeito pelo número recorde” de 291 vinhos concorrentes e pelos prémios atribuídos, pois “o último ano foi difícil e ainda assim conseguiram-se bons vinhos”, mérito, em sua opinião, da “viticultura, que tem sido a alavanca da região”.

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Caminha

Ferryboat volta a cruzar o rio Minho entre Caminha e La Guardia

Santa Rita de Cássia começou a operar no rio Minho em 1995

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Foto: Divulgação / CM Caminha

O ‘ferry’ internacional que liga Caminha (Alto Minho) e La Guardia (Galiza) volta a navegar a partir de sexta-feira, depois de um mês de paragem para manutenção e renovação do certificado de navegabilidade, informou hoje a autarquia.

De acordo com o sítio oficial da autarquia na internet, hoje consultado pela agência Lusa, o ferryboat Santa Rita de Cássia vai retomar a ligação entre Caminha e La Guardia, a partir das 14:00, de sexta-feira.

A embarcação interrompeu as ligações entre as duas margens do rio Minho no passado dia 18 de março, para a realização de “intervenções de rotina, que implicaram a docagem do ‘ferry’ e vistoria por técnicos da Direção-geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, condições necessárias para a renovação do certificado de navegabilidade”.

Segundo dados avançados pelo presidente da Câmara, Miguel Alves, em 2018, atravessaram o rio Minho, a bordo daquela embarcação, cerca de 90 mil pessoas.

Foto: Divulgação / CM Caminha

O ‘ferryboat’ Santa Rita de Cássia começou a cruzar o rio Minho em 1995.

Depois uma paragem de cerca de 11 meses, em 2014, devido ao assoreamento do canal de navegação, o “Santa Rita de Cássia” retomou o funcionamento em abril de 2015, de forma condicionada, só aos fins de semana.

Em junho desse ano fazia a travessia apenas durante as marés altas, tendo começado a trabalhar de forma interrupta a partir de 01 de julho.

Caminha é único concelho do vale do Minho que depende do transporte fluvial para garantir a ligação regular à Galiza. Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço dispõem de pontes internacionais.

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Viana do Castelo

Viana defende corredor atlântico para fazer face a cenário pós-Brexit

José Maria Costa em Dublin

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Foto: DR

O presidente da Câmara de Viana do Castelo defendeu um corredor Atlântico ferroviário a ligar os portos portugueses aos do norte de Espanha e França, até à Normandia para fazer face a um cenário pós-Brexit, informou hoje a autarquia.

Para José Maria Costa, que participou, em Dublin, num seminário promovido pela Comissão Europeia sobre as ligações entre portos e cidades na bacia Atlântica, a possibilidade de saída do Reino Unido da União Europeia, “torna ainda mais urgente um reforço da cooperação entre as cidades e os portos do Atlântico”.

“É necessário que a Comissão Europeia, no âmbito do processo de revisão da RTE-T “Rede Transfronteiriça de Transportes” identifique o corredor Atlântico ferroviário que liga os portos portugueses aos portos do Norte de Espanha e portos franceses até à Normandia”, sustentou.

O autarca socialista da capital do Alto Minho, que participou numa mesa redonda dirigida pelo coordenador europeu do corredor Atlântico, referiu que aquela ligação “tem como primeiro objetivo promover uma extensão real destas ligações ferroviárias a portos da Irlanda através dos portos da Bretanha e Normandia”.

José Maria Costa defendeu “uma perspetiva europeia para o corredor Atlântico em que se torna prioritário um planeamento e um tratamento político deste corredor por parte dos governos de Portugal e Espanha”.

“Desta forma garante-se que toda a fachada atlântica ibérica não ficará de fora das grandes conexões portuárias e ferroviárias do futuro da Europa”, frisou.

A missão do corredor Atlântico “assenta, num primeiro plano, na rentabilização da infraestrutura ferroviária existente, sem investimento adicional, através de uma gestão centralizada da atribuição de capacidade, da gestão de tráfego e do relacionamento com os clientes”.

O corredor Atlântico “assume-se também como plataforma privilegiada para a coordenação dos investimentos na infraestrutura ferroviária em Portugal, Espanha, França e Alemanha, no sentido de serem ultrapassadas barreiras técnicas e operacionais, promovendo a interoperabilidade e, consequentemente, fomentando uma maior competitividade do transporte ferroviário de mercadorias”.

No seminário que decorreu terça e quarta-feira em Dublin, participaram responsáveis europeus da estratégia marítima atlântica, dos portos do Norte da Europa, de Espanha, do Báltico e também da Associação da Autoridade de Energia Renovável da Irlanda.

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