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Alto Minho

Pais de Ponte de Lima “abraçam” rio para contestar turmas mistas

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Os pais dos 255 alunos da EB1 de Ponte de Lima que participaram esta quinta-feira na ação “Abraço ao rio Lima”, promovida pela Câmara local, vão “continuar a lutar” contra as turmas mistas (com alunos do 1.º e 2.º anos) na escola.


“Vamos continuar a lutar porque o problema é que ainda não obtivemos uma resposta. Fizemos uma exposição antes do início do ano letivo. Depois do ano letivo começar enviámos um abaixo-assinado à Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEST) e nunca nos deram resposta”, explicou o presidente da associação de pais, Miguel Franco.

Esta quinta-feira, os pais envergaram camisolas pretas durante o “Abraço ao rio Lima”, que há seis anos assinala o Dia Nacional da Água e o Dia Internacional do Idoso.

Susana Marlene tem uma filha que faz seis anos na próxima semana e que, este ano letivo, entrou para a primeira classe.

Na turma são 26 alunos, sendo que sete são do primeiro ano de escolaridade, e os restantes da segunda classe.

“Enquanto a minha filha está a aprender as primeiras letras, os outros já levam um ensino mais avançado”, explicou Susana.

Adiantou que, neste sistema “os alunos facilmente se distraem, porque, enquanto o professor explica a matéria a uns, os outros estão a brincar”.

Aquela encarregada de educação destacou ainda a diferença de evolução na aprendizagem da filha, em relação ao filho mais velho, que não frequentou turmas mistas.

Na ação realizada na ponte velha de Ponte de Lima, os 255 alunos da EB1 usaram uma fita preta no braço “em sinal de luto”, tendo sido ainda afixadas faixas pretas e cartazes para chamar a atenção para o problema.

A iniciativa contou com a participação de mais de 1.500 alunos dos 12 centros educativos do concelho, 60 alunos de Xinzo de Lima, localidade galega geminada com Ponte de Lima e representantes de seis instituições particulares de solidariedade social (IPSS).

O presidente da Câmara Municipal (CDS), Vítor Mendes, manifestou “solidariedade para com pais e alunos” e sublinhou que esta situação representa “um retrocesso educacional sem paralelo”.

“Apelo ao Ministério de Educação para que, com bom senso possa resolver, o mais rapidamente, esta situação, que não acontece apenas na EB1 de Ponte de Lima mas noutras escolas do nosso concelho”, disse.

Victor Mendes destacou o “esforço enorme” feito pelo município no reordenamento escolar que implicou a construção de 12 centros escolares orçados em 27 milhões de euros, e com comparticipação comunitária de mais de 16 milhões de euros.

“O grande argumento que tínhamos junto das populações era exatamente o facto de pensarmos que nunca mais haveria razões para haver turmas mistas. O que é facto é que, infelizmente, essa situação está a ocorrer”, frisou.

O autarca anunciou ainda que, na sexta-feira, o vereador da Educação irá acompanhar os pais na manifestação agendada para o Porto, às 09h30, à porta da DGEST.

Na quarta-feira, o Ministério da Educação afirmou que a constituição de turmas mistas naquela escola foi uma opção do próprio agrupamento.

“Foi considerada uma alternativa de fazer só uma turma mista redistribuindo os alunos, mas a Direção do agrupamento decidiu que a situação encontrada seria a mais adequada” lê-se na nota.

O curto texto do MEC nada adiantou sobre as razões que conduziram a essa opção.

“Foi entendimento da direção do agrupamento dar continuidade às turmas do 2.º ano de escolaridade, por razões pedagógicas e de continuidade dos docentes destas turmas, integrando-se, por isso, os alunos matriculados no 1º ano (condicionais) nas turmas atrás referenciadas”, sustentou.

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Viana do Castelo

Já é conhecido o cartaz da Romaria d’Agonia 2020

Autoria de Luís Carlos Araújo Lagadouro

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O distanciamento social imposto pela pandemia de covid-19 inspirou o autor do cartaz escolhido para ser a imagem da edição 2020 da Romaria d’Agonia, em Viana do Castelo, por retratar uma festa “sentida à distância, através das plataformas digitais”.

O fotógrafo Luís Lagadouro, de 31 anos, natural da freguesia de Outeiro venceu o concurso com um cartaz que junta tradição e tecnologia.

Cartaz da Romaria d’Agonia 2020. Foto: Luís Carlos Araújo

A imagem, hoje apresentada publicamente no teatro municipal Sá de Miranda, retrata uma mordoma, sentada numa cadeira, com a imagem da santa padroeira, a Senhora d’Agonia, colocada numa parede e, em frente para um computador. Sorrindo olha para o monitor, simulando a visualização de um dos números da romaria que este ano se cumprirá através das plataformas digitais.

“A ideia surgiu em conversa com amigos, brincando com a inundação de transmissões em direto nas redes sociais. Comentamos que as Festas d’Agonia 2020 seriam praticamente todas virtuais. Comecei a pensar que por ser virtual não teria de perder a alma e poderia passar uma imagem de esperança. E daí veio a ideia de estar a (vi)ver as festas em casa, mas igualmente trajado como se faz durante a festa, pois há sempre alguém que leva um lenço, uma camisa ou um colete vestido”, explicou.

A mordoma Teresa Viana, de 27 anos e residente em Vila Nova de Anha, também em Viana do Castelo, escolheu envergar um traje de domingar, que inclui um lenço com cem anos.

“Tenho de ter sempre presente no meu pensamento que, para além de um ano atípico, só tenho de sentir orgulho e alegria por me darem esta oportunidade. Queremos demonstrar a todos os vianenses e a todos aqueles que querem viver a romaria connosco que este ano também será possível. E que para o ano estaremos todos juntos e com mais paixão pelas nossas festas”, afirmou a jovem.

O cartaz da romaria voltou, este ano, a ser selecionado em concurso público, que decorreu entre 03 de março e 29 de maio, tendo recebido propostas de 16 candidatos, num total de 21 propostas.

Em 2019, segundo dados então avançados pela VianaFestas, contaram-se 83 propostas, maioritariamente de Viana do Castelo, mas também de Coimbra, Braga, Porto e Lisboa.

Romaria decorre de 19 a 23 de agosto

A edição 2020 da Romaria Nossa Senhora da Agonia vai decorrer entre os dias 19 e 23 de agosto.

“Será uma festa diferente, mas também por isso ainda mais emotiva, por ser vivida desta vez apenas à distância. As preocupações com a saúde pública, numa festa que envolve a concentração de tantas pessoas, não podia ser colocada em segundo plano, tendo em conta o momento que todos vivemos. Este ano vamos sentir a romaria, mas para o ano estaremos, todos, a vivê-la como sempre”, disse António Cruz, presidente da Comissão de Festas da Romaria d’Agonia.

Este ano, a capital do Alto Minho não vai festejar nas ruas, pela primeira vez em 248 anos, os números emblemáticos da Romaria d’Agonia devido às restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Além do cartaz foi também apresentada a programação digital da festa, um momento que habitualmente se realizava num restaurante da cidade com mais de uma centena de pessoas e que este ano se realizou no teatro da cidade, com cerca de 50 pessoas, cumprindo as regras impostas pela pandemia de covid-19.

A programação será disponibilizada num sítio na Internet, num espaço designado “A festa de todos”, e através das redes sociais com os números principais da romaria, informação e memórias de uma romaria com cerca de dois séculos e meio de história.

A página criada disponibilizará conteúdos multimédia sobre momentos das festas, acessíveis para telemóveis por códigos de barras bidimensionais (QR Code) disponíveis na Exposição de Rua “Sentir as Festas d’Agonia”, em vários locais pela cidade de Viana do Castelo.

O dia 20 de agosto, dedicado a Nossa Senhora d’Agonia, padroeira dos homens do mar, será celebrado presencialmente, na igreja que lhe está dedicada no Campo d’Agonia, mas com limitações determinadas pelas autoridades de saúde e pela Confederação Episcopal Portuguesa relativamente às celebrações litúrgicas.

Haverá ainda outros momentos celebrados presencialmente, como exposições, a apresentação da revista “A falar de Viana, entre outros.

“Vamos dar o exemplo, quer ao Estado, quer à sociedade civil”

Para o presidente da câmara, José Maria Costa, esta foi a forma que Viana do Castelo encontrou para que as festas “não sejam um motivo de preocupação ou que quem a organiza fique com peso na consciência por não serem cumpridas as regras que todos são exigidas”.

“Perante os devaneios a que temos assistido em algumas zonas do país, vamos dar o exemplo, quer ao Estado quer à sociedade civil, que fazemos a festa de forma diferente. Será uma lição de que em Viana do Castelo a romaria assume-se de corpo inteiro, mesmo em ano de pandemia”, sustentou.

O autarca socialista admitiu que o formato eminentemente digital que a romaria assume este ano “vai afetar a vida económica do nosso concelho” , mas também um “desafio à reflexão que dará mais sentido às raízes e à essência de uma festa que convoca todos para um encontro de partilha”.

Anteriormente à Lusa, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, estimou que o cancelamento, no formato habitual, da edição 2020 representará uma “perda direta de receita de 10 milhões de euros, sobretudo nos setores do comércio, restauração e hotelaria.

(notícia atualizada às 20h49)

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Viana do Castelo

Trabalhadores da Auto Viação Cura, em Viana, exigem pagamento de salários

Empresa refuta acusações

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Foto: DR / Arquivo

Os trabalhadores da Auto Viação Cura, de Viana do Castelo, exigiram hoje o pagamento integral dos salários de março, maio e junho e estão dispostos a concentrarem-se à porta da empresa até receberem uma garantia da administração.

“A empresa pagou metade do salário de março. A partir de abril entrou em ‘lay-off’ e pagou a todos os trabalhadores. Em maio, continuou em ‘lay-off’ mas metade dos trabalhadores não receberam nem os 70% assegurados pela Segurança Social, nem o restante pago pela empresa. Sabemos que a empresa já recebeu a comparticipação da Segurança Social relativa ao mês de junho, mas ainda não pagou a nada a nenhum trabalhador”, explicou hoje à agência Lusa o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN), José Manuel Silva.

O dirigente sindical avançou que “os trabalhadores vão reunir-se em plenário, na segunda-feira e que, na terça-feira, irão concentrar-se em frente aos escritórios da empresa para exigir uma garantia de pagamento dos ordenados”.

José Manuel Silva adiantou que “hoje foi enviado um ofício para à Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) a denunciar a situação”.

“Os trabalhadores estão dispostos a ficar em frente à empresa e não vão arredar pé até terem garantia de que vão receber os salários. Se a empresa alegar que não tem dinheiro, que é o costume, pelo menos que pague aos trabalhadores a parte que já recebeu da Segurança Social”, defendeu José Manuel Silva.

Segundo o coordenador do STRUN, “a empresa emprega cerca de 30 trabalhadores, sendo que apenas entre cinco a seis trabalhadores não estão em regime de ?lay-off’.

Contactado pela Lusa, o porta-voz daquela empresa de transporte público, Rui Matos, explicou que “os meses de março, abril e maio estão totalmente liquidados”.

Arresto “insólito” põe em risco continuidade de transportadora em Viana

O responsável admitiu “que o mês de junho está por liquidar, que a empresa já recebeu os 70% de comparticipação da Segurança Social, mas que tem um acordo com a comissão de trabalhadores para que os salários possam ser pagos até ao dia 15 do mês seguinte, o que faz ainda mais sentido nesta fase de pandemia de covid-19 que estamos a viver e ,em que não temos trabalho”.

Os salários não são só a comparticipação da Segurança Social. Não percebo tanto barulho, nem sabia deste plenário porque há um acordo com a comissão de trabalhadores que os salários podem ser pagos até ao dia 15 do mês a seguir. Hoje ainda é dia 10 e, de facto, o que está em atraso é o mês de junho”, especificou Rui Matos.

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Alto Minho

BE questiona Governo sobre impactos da construção de linha de alta tensão no Alto Minho

Polémica

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Foto: Ilustrativa / DR

O Bloco de Esquerda quer saber qual o impacto da construção da linha dupla de alta e muita alta tensão, que vai desde Fonte Fria, Galiza, e abrange cinco concelhos do Alto Minho, na população e na paisagem local.

Numa pergunta dirigida ao ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, hoje enviada à Lusa, os deputados Maria Manuel Rola e Jorge Costa dizem “poder estar em causa impactes negativos causados pela linha elétrica na saúde das populações, na paisagem e no território”, desde Ponte de Lima até Melgaço.

O projeto está em consulta pública desde o dia 15 de junho até ao dia 24 de julho.

“O projeto de traçado desta linha dupla de alta e muito alta tensão de 400 quilovolt [kV] incide em áreas de valor incalculável e extremamente sensível, como o Parque Nacional Peneda-Gerês, áreas da Rede Natura 2000, Sítios de Importância Comunitária e monumentos nacionais de paisagem cultural”, sustentam os deputados do Bloco.

Os deputados do BE alertam que “as linhas que a Rede Elétrica Nacional (REN) quer implantar preveem o transporte de energia numa potência inaudita em Portugal, num traçado que até agora foi apresentado de forma pouco rigorosa (intencionalmente ou não) quanto à proximidade a locais povoados, sem que as várias Juntas de Freguesia tenham recebido o estudo de Impacte Ambiental e sem que as populações afetadas tenham sido devidamente informadas”.

Destacam que “a implantação da nova dupla linha de 51 quilómetros, totalizando 6.029 hectares, passa por seis concelhos, Vila Verde (Braga), Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Monção e Melgaço (Viana do Castelo), totalizando 55 freguesias”.

No requerimento frisam que “recentemente a Assembleia Municipal de Arcos de Valdevez aprovou, por unanimidade, três moções de rejeição ao projeto de linha de alta e muito alta tensão”, adiantando que “este projeto tem causado a indignação de autarcas e da população no Alto Minho e na Galiza”.

Os deputados do Bloco de Esquerda querem saber se o Governo, face ao “elevado impacto da instalação de uma linha de muito alta tensão e a falta de esclarecimento sobre esta matéria junto das autarquias e populações afetadas, vai alargar o prazo de consulta pública do projeto e se vai exigir à REN que a proposta de traçado seja apresentada de forma rigorosa, com identificação clara dos núcleos populacionais, edifícios e respetivos usos, património cultural e ambiental, que possam vir a ser sobrepostos pela mencionada linha de muito alta tensão”.

O Bloco quer igualmente ser informado sobre a intenção do Governo de “proceder à realização de um estudo que avalie a possibilidade da colocação subterrânea dos cabos da linha elétrica, tal como recomendou, em 2018, uma resolução da Assembleia da República”.

Naquela recomendação, a AR pede ainda ao Governo que “suspenda a construção da linha de muito alta tensão em Barcelos e em Ponte de Lima, enquanto não forem conhecidas as conclusões do referido estudo”, e reclama “a regulamentação urgente dos níveis máximos de exposição humana admitidos a campos eletromagnéticos derivados das linhas, instalações ou equipamentos de alta e muito alta tensão”.

Em causa está a construção de uma linha elétrica de 400 kV desde Fontefria, em território galego, Espanha, até à fronteira portuguesa, com o seu prolongamento à rede elétrica nacional, no âmbito da Rede Nacional de Transporte operada pela empresa REN.

Em 2015, o projeto foi “recalendarizado” para ser submetido a novos estudos.

De acordo com o Estudo de Impacto Ambiental, o troço nacional deste projeto prevê a construção de duas novas linhas duplas trifásicas de 400 kV, atravessando, potencialmente, 121 freguesias.

A proximidade desta linha, aérea, às casas, as consequências dos campos eletromagnéticos gerados na saúde humana ou o impacto visual de torres 75 metros com margens de segurança de 45 metros para cada lado são as principais preocupações das populações de ambos os lados da fronteira.

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