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Padre de Guimarães suspeito de abusos sexuais detido por posse de arma (mas paroquianos defendem-no)

Fiéis desagrados com afastamento do sacerdote
Padre de guimarães suspeito de abusos sexuais detido por posse de arma (mas paroquianos defendem-no)
Foto: DR

Nada demove algumas das pessoas envolvidas nas atividades da Unidade Pastoral de Serzedo e Calvos de defender o padre Albino Meireles, mesmo depois de ter sido detido e constituído arguido, na passada sexta-feira, por posse de armas ilegais. O sacerdote, de 44 anos, estava suspenso pela arquidiocese de Braga, desde o dia 09 de março, depois o seu nome surgir na lista que foi entregue Comissão Independente de Investigação aos Abusos Sexuais na Igreja. Catequistas, Escuteiros Adultos e junta fabriqueira comunicaram ao arcebispo a suspensão de atividades.

Albino Meireles foi detido pela Polícia Judiciária, na sexta-feira, na residência paroquial, em Serzedo, onde ainda estava alojado, apesar de estar suspenso das atividades religiosas. De acordo com a Arquidiocese, o padre encontrava-se em “retiro espiritual”. Albino Meireles foi constituído arguido e posto em liberdade no mesmo o dia. Ainda na noite de sexta-feira, o padre terá entregado as chaves da casa paroquial e, segundo moradores das freguesias, “ter-se-á retirado para casa da mãe, na zona do Porto.”

Confusão à porta da missa

Durante o fim de semana, os serviços religiosos nas duas paróquias foram assegurados pelo bispo titular de Dume e auxiliar da arquidiocese de Braga, Delfim Gomes. O desagrado dos fiéis com o afastamento do padre Albino Meireles notou-se pela contestação que se fez ouvir antes das celebrações e pelas igrejas que ficaram quase desertas durante as missas.

Uma delegação da junta fabriqueira da Unidade Pastoral de Serzedo e Calvos dirigiu-se, ontem, ao Paço da Arquidiocese, em Braga, para defender o padre Albino Meireles. A reunião foi uma promessa de Delfim Gomes, depois das altercações nas paróquias, no passado domingo, “para melhores esclarecimentos”. Na reunião, os três elementos da junta fabriqueira, o chefe de Agrupamento de Escuteiros, a presidente dos Escuteiros Adultos e a representante das catequistas, foram recebidos pelo arcebispo de Braga, José Cordeiro, pelo bispo auxiliar, Delfim Gomes e pelo arcipreste de Vizela, padre Samuel.

Atividades suspensas na paróquia

A junta fabriqueira comunicou às autoridades eclesiásticas que cessa a sua atividade. Os Escuteiros Adultos suspendem “por tempo indeterminado a sua atividade”. As catequistas reforçaram a vontade que já tinham manifestado, no dia 01 de abril, de deixar de exercer “a doutrina da catequese”.

Os paroquianos manifestaram também ao arcebispo o seu descontentamento por o padre de Calvos e Serzedo ter deixado de ser o reitor do Santuário da Lapinha, na montanha da Penha. Relativamente ao processo do padre Albino Meireles, José Cordeiro disse aos paroquianos que não foram informados mais cedo “porque o processo ainda está em segredo de justiça”. O arcebispo prometeu visitar Calvos brevemente, “e dar-nos mais informações”, lê-se num comunicado do grupo.

A delegação fez-se deslocar numa carrinha de nove lugares cedida pela União de Freguesias de Serzedo e Calvos. O presidente da Junta, Filipe Lopes, confirmou o empréstimo, mas não quis tomar posição relativamente ao caso do padre Albino Meireles. Segundo um comunicado do grupo que reuniu com o arcebispo, “o sacristão de Calvos também foi convidado para participar nesta reunião de esclarecimento, mas não compareceu.”

Apesar de estar suspenso do exercício das atividades religiosas, desde o dia 09 de março, Albino Meireles mantinha muita atividade junto dos fiéis das paróquias de Serzedo e Calvos. Diariamente colocava mensagens no Facebook e recebia solidariedade de vários paroquianos. Há até mensagens em que o padre continua a dar orientações sobre atividades paroquiais.

Como O MINHO noticiou, a Arquidiocese de Braga recebeu uma lista com oito nomes da Comissão Independente. Em comunicado, a Igreja informou que um padre suspeito de abusos sexuais foi suspenso de funções, três “correspondem a sacerdotes já falecidos”, um dos nomes não corresponde a nenhum padre que conste dos arquivos da arquidiocese. É ainda referido, no mesmo comunicado, que um dos nomes “corresponde a um sacerdote que foi alvo de um processo canónico por abuso sexual de menores já concluído e que resultou na aplicação de medidas disciplinares em vigor.”

 
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