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Os bombeiros são heróis que fazem despertar o imaginário infantil

Alguns crescem, mas não viram costas aos sonhos

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Foto: Rui Dias / O MINHO

Diogo Monteiro foi um dos últimos elementos a juntar-se ao efetivo da corporação vizelense que ontem celebrou 145 anos. Inscreveu-se juntamente com um amigo de infância com quem partilhava o sonho de ser bombeiro.

Diogo alistou-se em 2017, na altura ainda não podia ser bombeiro, por ser menor de idade. Os pais autorizaram-no e foi começando a frequentar o quartel. “Deram-me oportunidade de ir fazendo algumas formações, de ir aprendendo”, afirma. Quando a maior idade chegou, em 2019, não teve dúvidas em fazer o curso.

Em criança sonhava com apagar fogos, mas aprendeu com ser bombeiro é mais que isso. Foto: Rui Dias / O MINHO

Um pacto de amigos

Embora tenha um tio e um primo que foram bombeiros, diz que não foi por influência familiar que descobriu a paixão. “Eles hoje já nem são bombeiros. O que acontecia, quando eu era pequeno, é que ouvia as sirenes e via os carros dos bombeiros a passar e sonhava ser um deles. Um dia houve um incêndio perto da minha casa e fiquei a ver os bombeiros a combater o fogo, junto com o meu amigo Nelson Salgado. Nesse dia decidimos, os dois, que havíamos de ser bombeiros”, recorda.

A pacto entre os amigos vingou, quando se inscreveram fizeram-no juntos e hoje vivem o sonho de crianças. Os pais ficaram um pouco surpreendidos, “porque era uma coisa de amigos que eu não falava muito em casa”. No princípio, pensaram que era uma brincadeira. Talvez, por isso, nunca se opuseram. A avó, de 82 anos, é quem disfarça pior a ansiedade em que fica quando vê o neto partir ao chamamento da sirene. “A minha namorada já me conheceu bombeiro (embora ainda não tivesse o curso), de forma que já sabia o que a esperava”. Mesmo assim, admite que às vezes é duro ter que a deixar, “nos fins de semana quando ela está livre e eu tenho que vir”. 

Diogo faz três secções por mês, como manda a lei – no seu caso, três noites –, mas, além disso, dá mais duas ou três noites por semana ao serviço. No dia seguinte, levanta-se bem cedo para uma jornada de oito horas na construção civil. “Até agora, ainda não apanhei nenhuma secção em que tivesse que trabalhar toda a noite. Se um dia acontecer, no dia seguinte tenho que ir trabalhar, depois há de arranjar-se tempo para descansar”, pondera.

Diogo Monteiro com o comandante dos BVV, Paulo Felix. Foto: Rui Dias / O MINHO

Batismo de fogo

Os bombeiros não o desiludiram, contudo, teve que aprender que o trabalho não é só apagar fogos. “Aquilo com que nós sonhávamos era com incêndios, urbanos e florestais. Não ligávamos muito à emergência, ao socorro em acidentes, mas tivemos que aprender que o trabalho de um bombeiro também passa por isso”, reconhece.

Apesar de só estar formado há um ano e meio, já teve o seu batismo. “No primeiro fogo, levamos um banho e mangueira e enfarruscam-nos a cara com cinza”. Ainda não teve nenhuma situação de perigo de vida, mas já passou duas noites a combater um incêndio.

O que lhe mete mais medo é ter a vida de outros nas mãos. “Em certas situações, quando estamos a prestar socorro, um erro, um gesto mal medido, pode ser fatal. Sinto muito essa responsabilidade, embora sejamos bem treinados e quando saímos vai sempre alguém mais experiente e diferenciado”, aponta.

Para já, Diogo está a viver um sonho, passa mais tempo no quartel do que seria preciso, a ouvir as histórias que os mais antigos contam e a imaginar quando será a sua vez.

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