“O discernimento não está a ser o melhor”

Ricardo Sá Pinto

Declarações após o jogo Moreirense-Marítimo (0-1), da 25.ª jornada da I Liga de futebol, disputado hoje em Moreira de Cónegos:

– Ricardo Sá Pinto (treinador do Moreirense): “Entrámos bem no jogo e chegámos várias vezes perto da área do Marítimo, mas não fomos definindo bem no último terço. Agora, estávamos no jogo até ao golo. O Marítimo não tinha chegado nenhuma vez [à área do Moreirense] e, mais uma vez, sofremos um golo injusto e a equipa fica intranquila.

Não era o que estávamos à espera. Não é por falta de empenho da parte dos jogadores, mas o discernimento não está a ser o melhor. A ansiedade tomou conta da equipa depois do golo. Várias situações levaram a que a equipa não fizesse um bom jogo. Precisamos de golos, de definir melhor e mais tranquilidade. Hoje, notou-se um nervosismo diferente.

O público normalmente apoia e está connosco até ao último minuto, mas desta vez houve alguma impaciência deles na primeira parte e os jogadores sentiram isso. Enfim, há que analisar bem este jogo, perceber onde é que temos de melhorar e se foi só pela questão emocional. Essa parte é decisiva a este nível e, faltando menos jogos, ainda mais será.

Saber viver com esta situação tem de partir dos atletas. Temos de ser mais positivos e fortes mentalmente. Às vezes, a infelicidade pode acontecer, mas não podemos baixar o ânimo. Faltam nove finais. Não somos de desistir, mas é um dia de tristeza, porque as expectativas eram muito altas. O empate já nos deixava triste, quanto mais a derrota.

Esta equipa tem capacidade para nos surpreender a qualquer altura. Já fizemos grandes jogos e bons resultados desde que estou cá. Não é qualquer equipa que empata na Luz ou ganha em Vizela. Fizemos coisas boas em Braga. Acho é que nos falta regularidade durante o jogo. Temos de evitar que aconteçam esses dissabores, estando ainda mais concentrados e focados em lances estratégicos. Se sucederem, temos de saber reagir.

Eles têm capacidade para dar a volta a uma situação menos positiva já no próximo jogo [diante do Sporting], que é de dificuldade alta. Mas não é só disso que precisamos. Não podemos ganhar um jogo ou empatar e depois perder dois. Não é o que pretendemos”.

– Vasco Seabra (treinador do Marítimo): “Foi um jogo muito difícil, frente a uma equipa difícil de combater, que colocava muita gente na nossa última linha. Mantivemo-nos estáveis defensivamente, mas tivemos dificuldade em ligar o jogo com bola e algumas perdas que não são habituais. Isso impediu que tivéssemos mais controlo do jogo a nível ofensivo.

Ainda assim, tivemos a bola longe da nossa baliza e, com melhor definição, podíamos ter feito mais mossa. Na segunda parte, tivemos todas as condições para dilatar o resultado. Jogámos com maior tranquilidade. A equipa quis muito agarrar-se ao jogo e à vitória. Tivemos oportunidades para fechar o jogo mais cedo e ter um desfecho com menos nervosismo, que é natural de quem quer segurar o jogo. Penso que foi uma vitória justa.

Temos um orgulho muito grande nos nossos adeptos. Hoje esteve muita gente afeta ao Marítimo, com um ruído muito grande e um apoio incessante durante todo o jogo. Trouxe-nos uma dimensão que ainda não tínhamos sentido fora e sentimos um conforto muito grande. Está vitória foi sentida pelos jogadores, no sentido de a oferecer aos adeptos.

Em termos de objetivos, a verdade é que a nossa equipa tem um pensamento muito singular, de treino a treino e de jogo a jogo. Não gostamos de pensar muito no que vem para a frente, senão não vemos os degraus que às vezes nos aparecem e tropeçamos.

Conquistámos mais três pontos e queremos continuar a trabalhar muito. Temos de ser uma equipa muita séria, coesa e unida para mostrar ao fim de semana que é capaz de competir e ser feliz no jogo. Queremos ter ainda um maior domínio para valorizar os nossos jogadores, porque eles merecem ser falados pelas coisas boas que fazem.

Tenho de valorizar muito os obreiros incríveis [da recuperação na classificação], que são os jogadores. A crença, atitude e entrega de todos é fantástica. Desde que chegámos, sentimos sempre uma energia muito grande. Neste momento, mais do que outra coisa, tenho de valorizar a forma como se unem com uma alegria contagiante. Quando pisam o relvado, são trabalhadores sérios, dão o máximo e ambicionam sempre conquistar algo”.

 
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