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Futebol

“O balanço não pode ser positivo”

Vitória voltou a não vencer e fica afastado dos 16 avos de final na Liga Europa

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO (Arquivo)

Declarações dos treinadores após o Vitória SC-Standard de Liège (1-1), jogo da quinta jornada do Grupo F da Liga Europa de futebol, disputado em Guimarães:

Ivo Vieira (treinador do Vitória): “O balanço [do grupo F] não pode ser positivo, porque, além de sabermos que era um grupo extremamente difícil, com equipas competitivas, acreditávamos muito que poderíamos ombrear com o adversário na disputa de cada jogo. Não é positivo, porque o objetivo principal fica arredado com o resultado de hoje e do outro jogo [o Eintracht Frankfurt venceu o Arsenal, por 2-1].

A equipa teve um desempenho à altura do jogo, contra uma equipa muito atlética e intensa. Os jogadores foram excecionais na entrega e no querer. Não fomos bons na tomada de decisão. O adversário também fez pela vida. O desempenho dos atletas foi bom na luta. Não foi um jogo com grande qualidade, mas teve emoção. Nos últimos 20 minutos, o jogo ficou muito ?partido’ e houve ocasiões para ambas as equipas.

No futebol, é muito fácil arranjar ‘pecados’ e encontrar culpados. Assumo as responsabilidades quanto aos jogos e aos resultados. Não vivo com o sentimento de receio das coisas não correrem bem. Sou homem de dar o ‘corpo às balas’ perante os desafios. Não quero estar sempre a falar sobre orçamentos, mas há diferenças perante as outras equipas. O Vitória equilibrou essas diferenças noutros aspetos. Os meus jogadores tiveram um empenho muito bom e a equipa cresceu.

A competitividade e as rotinas vão-se perdendo [após uma paragem de 18 dias], embora haja espaço para melhorar alguns aspetos. Tentámos implementar isso na equipa. Mas a diferença [no jogo de hoje] não se fez por aí, porque os jogadores tiveram um desempenho muito aceitável em termos físicos.

Vitória volta a não vencer e fica de fora dos 16 avos de final da Liga Europa

(Sobre um alegado ‘conservadorismo’ nas substituições) O nosso objetivo é sempre ganhar. Não conseguimos. Mais do que ninguém, nós tentamos proporcionar a vitória aos nossos adeptos. Não conseguimos, porque o adversário também é muito competente. O relvado estava pesado e há jogadores que, em termos de dimensão atlética, podem não aguentar tanto.

A questão financeira também é sempre importante. Segundo uma notícia que li, fizemos cerca de cinco milhões de euros. Rentabilizámos atletas. É sempre bom acrescentar ao clube.

Acho que [o Bruno Duarte] teve uma entorse, mas o departamento médico está mais preparado para dar a informação certa.”

Foto: DR / Arquivo

Michel Preud’homme (treinador do Standard de Liège): “Se tivermos em conta que o Eintracht Frankfurt só ganhou aqui 1-0 e o Arsenal empatou 1-1, num jogo em que poderia ter perdido, o nosso desempenho não foi assim tão mau, num jogo disputado sob condições atípicas. Podemos fazer 10 pontos neste grupo e não passar. Esperemos que o Vitória vença em Frankfurt, no último jogo.

As duas equipas queriam ganhar. Criaram oportunidades. A partida poderia ter terminado 2-2 ou 3-3.

O Vitória tem o mesmo problema do que nós. Joga muito bom futebol, mas tem dificuldades para finalizar as oportunidades de golo. Nos últimos jogos do campeonato belga, temos falhado várias oportunidades. Na Liga Europa, ainda é preciso ser-se mais ‘matador’. O futebol é um processo. O Vitória tem condições para ser melhor equipa no futuro.

Gostava que, na primeira parte, tivéssemos tido mais velocidade e profundidade, mas não é fácil, com a chuva, jogar constantemente a bom nível.

(Sobre o facto do Standard, tal como na fase de grupos da época passada, ser incapaz de vencer fora) Em Frankfurt, poderíamos ter alcançado um empate [o Standard perdeu 2-1] e hoje talvez um pouco mais. Mas o resultado de hoje não é assim tão mau, perante o adversário com que jogámos.”

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Futebol

Nélson Semedo admite que hoje “teria feito o mesmo que Marega”

Caso Marega

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Foto: DR

O futebolista internacional português Nélson Semedo confessou, em declarações ao jornal Público, que, “hoje, teria feito o mesmo que Marega”, quando em 2017 também foi alvo de insultos racistas no estádio do Vitória.

“Hoje, teria agido de maneira diferente. Na altura não era tão maduro. Se fosse hoje, teria feito exatamente o mesmo que fez o Marega. Teria saído de campo”, expressou o jogador do FC Barcelona, num e-mail enviado ao jornal Público.

Em janeiro de 2017, num encontro da Taça da Liga, o lateral direito, então ao serviço do Benfica, gesticulou para a bancada, em reação aos insultos de que estava a ser alvo, tendo mesmo sido admoestado com um cartão amarelo pelo árbitro Carlos Xistra, no final da primeira parte.

O internacional luso classificou de “lamentável o que se passou em Guimarães”, afirmando que “no futebol, como em tudo na vida, não pode haver espaço para o racismo” e que o avançado do FC Porto “foi muito corajoso por ter saído do jogo” de domingo, com o Vitória SC, no Estádio D. Afonso Henriques.

Semedo revelou que, em 2017, foi “muito apoiado” pelos “colegas e por todo o staff do Benfica”, mas “nem tanto” pela opinião pública. O lateral direito lembrou mesmo que leu um artigo em que condenavam o seu gesto e no qual consideravam que “o cliente [os adeptos] tem sempre razão”.

Nélson Semedo referiu que o racismo “é um problema global”, que tem sido cada vez mais comum “por falta de punição ou por punição leve por parte da UEFA ou dos responsáveis de cada federação”.

“Na minha opinião, o que o árbitro tem de fazer é terminar o jogo e não esperar que um jogador sofra tanto ao ponto de ter de abandonar a partida”, acrescentou.

No domingo, em Guimarães, durante um jogo da 21.ª jornada da I Liga de futebol entre o Vitória de Guimarães e o FC Porto, o avançado maliano dos ‘dragões’ Moussa Marega abandonou o jogo, após ter sido alvo de cânticos e insultos racistas por parte de adeptos da equipa minhota.

Vários jogadores do FC Porto e do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas Marega mostrou-se irredutível na decisão de abandonar o jogo, tendo acabado por ser substituído, numa altura em que os ‘dragões’ venciam por 2-1, resultado com que terminou o encontro.

Ao abandonar o relvado, Marega apontou para as bancadas do recinto vimaranense, com os polegares para baixo, numa situação que originou uma interrupção de cerca de cinco minutos.

Na sequência do sucedido, o Ministério Público já instaurou um inquérito relacionado com os cânticos e insultos racistas dirigidos ao futebolista, que está “em investigação” pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Guimarães, informou hoje a Procuradoria-Geral da República.

Vários responsáveis políticos, como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, já condenaram o episódio.

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Futebol

Vitória acusa Liga de “gravosa desconsideração institucional”

Caso Marega

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Imagens via Sport TV

A SAD do Vitória SC emitiu um segundo comunicado face ao caso Marega, onde acusa a Liga de desconsideração institucional, lamentando que não tinha sido levado em conta a publicação do primeiro comunicado, onde eram condenados os atos de racismo. A SAD manifesta ainda total apoio às autoridades, disponibilizando-se a colaborar.

Comunicado na Íntegra:

“Em face das posições publicamente assumidas pela Polícia de Segurança Pública e pela Procuradoria-Geral da República, o VITÓRIA SPORT CLUBE reitera a sua total disponibilidade para colaborar ativamente na identificação dos verdadeiros responsáveis pela ocorrência de qualquer manifestação de racismo ou discriminação no Estádio D. Afonso Henriques, para o que apela ainda à cooperação dos seus adeptos e associados.

Igualmente, o VITÓRIA SC iniciou as diligências de averiguação ao seu dispor, designadamente através da disponibilização das imagens do sistema CCTV do recinto desportivo – que, pasme-se, não se avariou e se mantém em bom estado de funcionamento –, manifestando desde já a sua intenção de se constituir assistente no âmbito dos processos desencadeados pelas autoridades judiciais competentes.

O racismo é um ato de traição à fundação do clube, perante o qual o VITÓRIA SC e os seus adeptos serão, como sempre foram, verdadeiramente implacáveis. No entanto, é imperioso assinalar que este é um problema de dimensão nacional, que se repete e vem repetindo ao longo de vários anos e em diversos estádios, ao qual as entidades com responsabilidade governativa não se podem alhear com declarações simplistas de repúdio e censura seletivas.

Com efeito, não é admissível pretender que o VITÓRIA SC vista a pele de lobo defronte um problema social que já conheceu condenações efetivas no plano desportivo nacional e internacional, contando embora com o silêncio e a parcimónia de todos os órgãos e entidades que agora prontamente se pronunciaram. São conhecidos os casos de racismo, de glorificação da morte, de homicídio, de violência e de discriminação no futebol português, todos sem a indignação correspondente.

O VITÓRIA SC não admite que o bom nome e imagem do clube e dos seus adeptos sejam oportunamente colocados em causa por conta de um ato criminoso que não representa, antes afronta, a sua forma de estar, sentir e atuar.

Por ser assim, é ao lado de todos – e tem de ser com todos – que o VITÓRIA SC se posiciona na promoção de um desporto igual e universal, sem lugar nem tempo para a violência, racismo, xenofobia, intolerância ou discriminação.

Finalmente, cumpre registar a gravosa desconsideração institucional perpetrada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional contra o VITÓRIA SC, ignorando de forma inadmissível a sua posição de censura e condenação sobre os acontecimentos em causa aquando da divulgação, através das redes sociais, de todas as outras levadas a cabo pelos restantes clubes.

O racismo é condenável e o VITÓRIA SC também o condena.”

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Futebol

“O que me choca mais é ter sido em Guimarães onde sempre respeitei os adeptos”

Caso Marega

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Foto: DR / Arquivo

Moussa Marega, futebolista que está no epicentro da atenção mediática depois de ter abandonado o relvado do Estádio Dom Afonso Henriques, em Guimarães, este domingo, por alegados insultos racistas, já reagiu ao caso que tem marcado a ordem do dia.

Em entrevista a uma emissora francesa [RMC], o maliano do FC Porto confessa estar a ser alvo de muito apoio: “Os meus companheiros não compreenderam a minha reação, mas ficaram chocados com o que aconteceu. Foram reações de amigos, que me tentarem acalmar. Conhecem-me muito bem. Fui para casa. Recebi muitas mensagens, dão muita-me força, uma força incrível. Agradeço a todas as pessoas”.

“Foram comportamentos muito duros. Disse-lhes [aos colegas de equipa] que não valia a pena e não consegui jogar nesse terreno. Os insultos começaram no aquecimento. Ao início eram só três pessoas a gritar comigo. É impossível jogar um jogo assim”, disse.

Recordou ainda o período que jogou no Minho: “Joguei no Guimarães [Vitória SC], sempre respeitei o clube e os adeptos. É uma cidade e um clube que já me deu muito. Ficámos em quarto lugar, tivemos acesso às competições europeias, devo muito a este clube. Sempre que marquei golos contra o Guimarães [Vitória SC] nunca festejei”.

O avançado maliano do FC Porto Marega pediu para ser substituído, este domingo, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, no terreno do Vitória SC, por alegados cânticos racistas dos adeptos da formação vimaranense, numa altura em que os ‘dragões’ venciam por 2-1, resultado com que terminaria o encontro.

Depois de pedir a substituição, Marega apontou para as bancadas do recinto vimaranense, com os polegares para baixo, numa situação que originou uma interrupção de cerca de cinco minutos.

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