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Braga

Norte e Galiza são palco “natural” para “automóvel do futuro”

Afirma o presidente da CCDR-N

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Conferência “Fundos Europeus: o Minho e a Galiza”. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-Norte) afirmou hoje que a eurorregião Galiza-Norte de Portugal deve acolher o “projeto ibérico de referência da mobilidade de futuro”, defendendo um “mecanismo de exceção” para a fronteira.

António Cunha lembrou os projetos candidatados ao Plano de Recuperação e Resiliência que colocam o Norte “à frente” no “desenvolvimento das baterias elétricas e dos conceitos para o automóvel autónomo” para vincar que a eurorregião é “o ecossistema de desenvolvimento tecnológico e inovação produtiva mais bem preparado” para a “mobilidade do futuro”, merecendo atenção dos governos de Portugal e de Espanha.

“Norte e Galiza estão especialmente alinhados em radicar na eurorregião o projeto ibérico de referência da mobilidade elétrica e do automóvel autónomo. (…) É a localização natural dos investimentos estruturantes que precisamos de realizar na agenda do automóvel do futuro”, realçou, no discurso proferido durante a conferência “Fundos Europeus: o Minho e a Galiza”, organizada pela Confederação Empresarial da Região Minho (Confiminho), em Braga.

Convencido de que as duas regiões podem partilhar esforços noutras áreas do conhecimento, como a investigação espacial, com “todo o seu potencial de novo conhecimento e oportunidades económicas”, o responsável defendeu um “mecanismo de exceção” para se “salvaguardar o singular metabolismo social e económico” da fronteira.

“Importa que os governos da República Portuguesa e do Reino de Espanha reconheçam, no quadro legal e na prática, a especificidade inequívoca da nossa raia, e especialmente a grande permeabilidade das margens do rio Minho. De facto, em apenas 8% do perímetro fronteiriço total dos nossos países, concentra-se 50% da circulação total de pessoas entre Portugal e Espanha”, especificou.

Para António Cunha, o reconhecimento da eurorregião com seis milhões de habitantes e laços “históricos, culturais, comerciais e de inovação” constitui, aliás, um “imperativo ético”, além de “político, social e económico”.

O presidente da CCDR-Norte mencionou ainda a estratégia de desenvolvimento conjunto até 2027, aprovado pela eurorregião em julho, que envolve a “digitalização das indústrias”, a “descarbonização das economias”, a “retoma sustentável do turismo” e o “incremento da inovação”, e recordou a “esperança” de ver concretizada a ligação de alta velocidade entre Porto e Vigo.

“Acalentamos, com indisfarçável ansiedade, a esperança maior da prometida ligação ferroviária, rápida e regular. Os compromissos nacionais não podem tardar a sua concretização. São uma prioridade. Disso depende a competitividade de futuro da eurorregião e a coesão territorial dos nossos países”, sublinhou.

De seguida, o diretor-geral de Relações Exteriores da Xunta da Galiza, Jesus Gamallo Aller, enalteceu o trabalho conjunto das regiões ao longo dos últimos 30 anos e realçou a necessidade de ambas estarem juntas na “transição digital” e na “transição energética verde” que se aproxima.

Os discursos antecederam a assinatura de um protocolo de cooperação entre a Confminho e a Confederação de Empresários da Galiza.

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