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Norte e Galiza querem atrair indústria aeroespacial e mobilidade elétrica

Afirma o diretor do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial

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Bosch em Braga. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O diretor do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (AECT) da Eurorregião Norte-Galiza, Nuno Almeida, disse à Lusa que o Noroeste Peninsular quer atrair a indústria aeroespacial e da mobilidade elétrica, aproveitando as valências dos dois lados fronteiriços.

Falando à Lusa depois da assinatura de um protocolo do AECT da Eurorregião Norte-Galiza com a Confederação de Empresários de Galiza (CEG), Nuno Almeida apontou ao “setor muito importante” da indústria aeroespacial.

“Estando perfeitamente patente a colaboração e o trabalho no setor automóvel, estamos agora a avançar para o setor aeroespacial, aproveitando as competências que a Galiza tem, nomeadamente no seu centro ligado a este setor na província de Lugo”, disse à Lusa, em conversa telefónica, o responsável.

O objetivo é conjugar as competências galegas com “as que as empresas portuguesas têm”, referindo-se especificamente ao Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEIIA), em Matosinhos (distrito do Porto), “a alguns centros tecnológicos e às próprias empresas ligadas ao setor automóvel”.

“Também estamos particularmente atentos a uma outra linha de trabalho, que é à mobilidade do futuro, isto é, ao automóvel do futuro”, acrescentou Nuno Almeida.

Aí, o responsável do AECT da Eurorregião apontou à “capacidade instalada da Stellantis, na zona de Vigo, mas também à nossa Bosch em Braga”, que no seu entender “têm que estar necessariamente envolvidos nesta dinâmica”.

O AECT da Eurorregião “tem tentado, além das dinâmicas que existem entre as empresas, dar visibilidade a esta cooperação de uma maneira mais institucional, porque às vezes também é necessário, sobretudo para alertar outros agentes à escala nacional dos dois países”.

Nuno Almeida referiu ainda que a Junta da Galiza (governo regional) “muito gostaria de trazer uma fábrica de baterias elétricas” para a Eurorregião, “uma disputa que está a acontecer na Europa de uma forma muito competitiva”.

“Pensando na Península Ibérica, pensamos que esta Eurorregião Galiza-Norte seria o espaço ideal para localizar uma estrutura tão importante como essa em termos de mobilidade do futuro”, sustentou, lembrando a vocação industrial do território.

“A nossa região é muito empreendedora, os galegos também têm essa características”, referiu, apontando ainda a outros setores que podem ser desenvolvidos entre os dois países, como a indústria agroalimentar, por via do setor dos laticínios, e as florestas.

Quanto à assinatura do protocolo com a Confederação de Empresários da Galiza (CEG), Nuno Almeida referiu a importância do suporte institucional na relação transfronteiriça, dado que a CEG já tinha assinado um protocolo com a Confederação Empresarial da Região do Minho (Confminho).

“Achamos que neste momento, muito por força da pandemia, tínhamos que dar um sinal aos nossos agentes e às nossas empresas – que estão, como disse, habituadas a cooperar – de que estamos atentos e que vamos tentar maximizar, na medida do possível, esta cooperação em favor das pessoas”, justificou.

O foco do AECT da Eurorregião Norte-Galiza está na estratégia para o período 2021-2027 e na “capacidade para apresentar projetos ganhadores” num território que viu 60% das suas candidaturas transfronteiriças aprovadas no quadro comunitário anterior.

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