Seguir o O MINHO

Alto Minho

No caminho português até Santiago faz falta o som dos passos de milhares de peregrinos

Reportagem

em

Foto: Ilustrativa / DR

Reportagem de Andrea Cruz, da Agência Lusa


No caminho português pela costa, que parte do Porto e passa pelo Minho até Santiago de Compostela, na Galiza, ouve-se a natureza, mas falta o som dos passos de milhares de peregrinos que a pandemia silenciou nos dois países.

“Ouvem-se os pássaros, os grilos, o vento, mas falta o som dos passos dos peregrinos, do cajado a bater nas pedras e a marcar o ritmo da caminhada, das conversas em idiomas de todo o mundo ou das cantigas entoadas em grupo. É triste”, desabafa Alberto Barbosa, o presidente da Associação dos Amigos dos Caminhos Santiago de Viana do Castelo.

O mesmo silêncio atravessa os caminhos Interior e Central nesta rota milenar seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX, quando foi descoberto o sepulcro do apóstolo Santiago Maior em Santiago de Compostela, capital da Galiza, em Espanha.

O surto do novo coronavírus quase parou aeroportos, repôs fronteiras entre Portugal e Espanha e impediu a peregrinação rumo à catedral de Santiago, encerrada desde 13 de março, para venerar as relíquias do santo. A pé, a cavalo ou em excursões, faltam as pessoas no caminho, que no ano passado atingiu um recorde, com 350 mil peregrinos.

O movimento na rota parou há mais dois meses. Suspendeu negócios que germinaram e tinham tudo para ganhar dimensão com o retorno da peregrinação.

“O caminho espalha economia por onde passa. Da pequena mercearia ao café, do restaurante ao alojamento, dos transportes a outros serviços. É uma microeconomia que gera receitas para as localidades mais pequeninas e isso é que é muito interessante no caminho”, reforçou Alberto Barbosa.

O “pico” da presença dos peregrinos na região começa em março e estende-se até final do verão. Em 2019, mais de 80 mil passaram por Valença, rumo a Tui, através da centenária ponte sobre o rio Minho.

Só no albergue de São Teotónio, o primeiro dos três municipais existentes no Alto Minho, pernoitaram 10% daqueles viajantes. O edifício está fechado e sem data para reabrir.

“Até setembro os albergues públicos não devem abrir. Têm de se adaptar e não vai ser fácil, ao contrário dos privados”, explicou à Lusa o vereador do turismo da Câmara de Valença.

José Monte antevê uma redução “drástica” da capacidade do albergue, com duas camaratas e 60 beliches, que até agora acolhiam “muita gente, de todos os destinos”.

“Estamos à espera de orientações para nos adaptarmos”, referiu, olhando o edifício inaugurado há 15 anos.

Mas, desabafa, com o controlo das fronteiras desde março, que impede as deslocações turísticas e de lazer entre os dois países, sendo apenas permitida circulação de transportes de mercadorias e de trabalhadores transfronteiriços, é “muito difícil” ver “alguma luz ao fundo túnel”.

“Mal a nossa ponte internacional, um marco do caminho, esteja aberta e não haja condicionalismos julgo que as pessoas, naturalmente, irão fazer o caminho, seguindo as regras e procurando espaços privados”, vaticinou o autarca.

Além dos peregrinos, Valença está privada da visita regular dos vizinhos galegos, que estão a 400 metros de distância, em Tui. A fortaleza portuguesa, habituada a 12 mil pessoas por dia, está deserta. Dos 200 estabelecimentos comerciais instalados no interior, poucos reabriram e o silêncio tomou conta de ruas e vielas.

“Havia uma cultura de sinergias que funcionava em função da ponte. Havia uma rotina dos espanhóis viram a este lado fazer compras, almoçar, jantar. O bacalhau é o prato de eleição. Hoje isso reduz-se a nada”, desabafou José Ponte.

Perto da muralha, com vista para o Minho e para as duas pontes, João Teixeira regressa a casa, de sachola ao ombro. Mata o tempo em trabalhos no quintal porque a loja de numismática, filatelia e velharias, no rés-do-chão da habitação, está fechada. Faltam os clientes, “cerca de 80% de espanhóis”.

“O pouco dinheiro que tínhamos amealhado foi todo. Enquanto não abrirem a fronteira isto vai ser um caos. É muito triste”, afirmou, lamentando também a ausência dos peregrinos que lhe compravam “muitas conchas de Santiago”.

Em Caminha, não há ponte, mas há um ‘ferryboat’ parado. No centro da vila o albergue gerido pela associação presidida por Alberto Barbosa acolhia mais de seis mil peregrinos por ano. Fechou e já não reabre este ano.

“Este é um espaço de partilha. Pode não ser muito compatível com o novo coronavírus que não se dá muito bem com partilhas. É difícil adaptar estes espaços às exigências da DGS [Direção-Geral da Saúde]. É preciso investir e é preciso ver se justifica”, explicou.

Já em Carreço, Viana do Castelo, no alojamento local criado por Hugo Lopes na casa que herdou da família, as portas reabriam com o desconfinamento, com redução de 30% na lotação e as normas impostas pela covid-19. Em todos os recantos da Casa do Sardão está presente a passagem de peregrinos, mas deles agora nem sinal.

Mas, apesar da incerteza quanto ao futuro, o professor de educação física que trocou o ensino por um novo projeto de vida quis acender uma “luz ao fundo do túnel”.

“Para motivar as pessoas. Dar-lhes algum conforto e alento para que comecem a reorganizar os projetos de viagens, de peregrinação. Não que o façam agora, mas que pelo menos vejam uma luz ao fundo do túnel”, referiu.

Hugo viveu no estrangeiro, lecionou nos PALOP, mas foi nos montes de Carreço, naquele “espaço de partilha”, que diz ter experienciado a “mudança” mais “positiva” na sua vida.

“O sentimento que existe aqui é muito especial. A peregrinação a Santiago não é turismo, pode ser entendido como uma forma de turismo, mas não é. O espírito que se vive é completamente diferente”, frisou.

Hugo Lopes sabe que a normalidade vai demorar a chegar à tradição secular, mas acredita que chegará.

“Vai durar um bocadinho. Vai ser uma partilha com distanciamento quanto baste. Vamo-nos aproximando consoante nos permitam aproximarmo-nos”, rematou.

Em Portugal, morreram 1.289 pessoas das 30.200 confirmadas como infetadas, e há 7.590 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Anúncio

Alto Minho

Caminha quer resposta “à medida” dos concelhos no nível mais alto de risco

Covid-19

em

Foto: Imagem CM Caminha

O presidente da Câmara de Caminha defendeu hoje a implementação de cinco “respostas e soluções desenhadas à medida” dos concelhos que venham a integrar o nível mais elevado de risco em função da incidência da covid-19.

Em declarações hoje à agência Lusa, o socialista Miguel Alves disse compreender a eventual definição pelo Governo de patamares de risco em função da incidência da doença causada pelo SARS-Cov-2, mas exigiu que “as respostas sanitárias e as compensações económicas sejam majoradas de acordo com o mesmo critério”.

“Confirmando-se a aplicação de restrições mais gravosas para 28 concelhos que estão no vermelho, quase todos na região Norte, é absolutamente necessário que as mesmas sejam acompanhadas por medidas e soluções desenhadas à medida dessa circunstância”, sublinhou.

Para Miguel Alves, que é também presidente do Conselho Regional do Norte, “não se pode apertar o garrote à economia e à vivência comunitária desses territórios sem encontrar soluções e respostas específicas para os específicos problemas criados”.

“De acordo com os números mais recentes apresentados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), Caminha apresenta um índice de 970 novos casos de infeção por 100 mil habitantes, estando incluído no escalão mais grave de incidência cumulativa de casos nos últimos 14 dias”, explicou.

“De acordo com as notícias mais recentes, estes números servirão de critério para o Governo aplicar medidas mais restritivas”, acrescentou.

Para responder a essas restrições, defendeu o “reforço da informação entre entidades”, afirmando ser “incompreensível que o município de Caminha não tenha acesso aos dados por freguesias, não conseguindo traçar um mapa da situação epidemiológica no seu próprio território como condição importante de eficácia no combate à doença”.

O autarca propõe também a implementação, “desde já, de respostas majoradas de apoio à restauração, ao comércio local, à cultura ou às autarquias”.

“Se estes territórios, os seus comércios ou restaurantes, tiverem três vezes mais fins de semana condicionados do que os restantes, têm de ter três vezes mais apoios, financiando campanhas de divulgação ou criando medidas novas que paguem pelo pagamento de rendas ou de despesas fixas”, sugeriu.

No futuro, defendeu também, “estes territórios devem ser discriminados positivamente na adesão a fundos para investimento em cultura, reabilitação urbana, divulgação do comércio, de modo a renovarmos a sua atratividade”.

“A própria autarquia, que sempre fará um esforço maior, deverá ter a possibilidade de aderir a planos de incremento de tesouraria mais simplificados”, observou.

Segundo o autarca de Caminha, a aplicação de mais restrições também “deve ser acompanhada de um plano intensivo de rastreamento em lares, centros de dia, unidades de cuidados continuados, centros de saúde e todas as escolas, de todos os ciclos, incluindo as profissionais”.

O socialista defendeu ainda que os autarcas dos concelhos que venham a integrar o nível mais alto de risco da doença “devem ser chamados a participar nas reuniões do Infarmed”, porque só assim podem “conhecer melhor a evolução da situação epidemiológica no país e nos territórios”, bem como podem “colocar as questões aos especialistas, contribuindo, também, para futuras decisões”.

Por fim, Miguel Alves insta à criação de “um núcleo de acompanhamento e avaliação da aplicação destas medidas no território, que não se limite a tomar nota da evolução dos números, mas que possa estar no território, perceber as fragilidades e propor soluções”.

“Esta equipa deverá apresentar relatório simplificado da situação a cada 15 dias, contribuindo para as decisões que o Governo terá de tomar”, referiu.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,3 milhões de mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 3.632 em Portugal.

Continuar a ler

Alto Minho

Alto Minho tem 1.306 casos ativos. Maiores subidas em Ponte de Lima, Viana e Caminha

Dados locais

em

Foto: DR / Arquivo

O Alto Minho tem, atualmente, 1.306 casos ativos de covid-19, mais 150 entre segunda e quarta-feira, segundo dados recolhidos por O MINHO junto da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, atualizados às 17:00 de ontem.

O distrito de Viana do Castelo soma, desde o início da pandemia, 3.174 casos, mais 193 nestes dois dias.

Há a lamentar 88 óbitos, mais três desde segunda-feira, todos em Caminha.

Contam-se ainda 1.780 recuperados, mais 40 desde segunda-feira.

As maiores subidas de casos ativos verificaram-se em Ponte de Lima, Viana do Castelo, Caminha e Valença.

Ponte de Lima tem agora 360 casos ativos (+49), Viana do Castelo 342 (+32), Caminha 181 (+30) e Valença 150 (+20).

De resto, todos os concelhos registam aumento de casos ativos, embora menos acentuados.

Cerveira tem 58 casos ativos (+1), Paredes de Coura 41 (+2), Monção 38 (+4), Arcos de Valdevez 90 (+6), Melgaço 18 (+4) e Ponte da Barca 28 (+2).

Continuar a ler

Alto Minho

Caminha com 181 casos ativos e mais três mortes por covid-19

Dados locais

em

Foto: DR / Arquivo

Mais três pessoas morreram por covid-19 em Caminha entre segunda e quarta-feira, de acordo com o boletim da ULSAM – Unidade Local de Saúde do Alto Minho, atualizado às 18:00 de ontem.

Caminha regista atualmente 10 óbitos por covid-19.

Aquele concelho do Alto Minho conta com 181 casos ativos, mais 30 em dois dias.

Desde o início da pandemia, Caminha já registou 386 casos confirmados e 195 pessoas já recuperaram da doença.

Continuar a ler

Populares