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Braga

“Ninhos de asiáticas” em Vila Verde podem levar ao abate de árvores mais altas

Proteção civil

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Foto: O MINHO

Os Bombeiros de Vila Verde estão a ter alguns problemas para conseguir destruir enxames de vespa velutina que se localizam em vespeiros a mais de 25 metros de altura, recorrendo ao envenenamento como forma alternativa, embora sem conhecer ainda o sucesso da experiência.

Na Rua de Pedome, junto ao centro daquela vila minhota, dois ninhos em árvores altas têm alarmado a população, temerosa por eventuais ataques das chamadas ‘asiáticas’. Alguns populares queixam-se de que os bombeiros foram lá, mas negaram-se a destruir, por estarem “muito altos”.

O MINHO contactou a direção daquela Associação Humanitária, que é a responsável pela eliminação dos ‘ninhos’, e esta confirmou que há dificuldades em chegar aos locais mais altos, mas assegura que os mesmos foram envenenados com recurso alternativo e que as vespas devem morrer ao longo das próximas horas.

Vespeiro na Rua de Pedome, Vila Verde. Foto: O MINHO

Paulo Renato Rocha explica que têm sido dados “tiros com inseticida” e agora estão “à espera a ver se faz efeito”. Caso a experiência não seja bem sucedida, e as vespas continuem a sua atividade normal, vai ser necessário abater os pinheiros.

“Sim, a única solução será deitar abaixo, mas para isso temos de ter acordo do proprietário”, explicou o presidente dos bombeiros, cuja responsabilidade foi diretamente atribuída pela Câmara, que paga pelo serviço.

Paulo Renato afirma que, em todo o concelho, já foram destruídos mais de 300 ninhos durante o ano em curso, mas que agora, com o cair das folhas, há muita gente a alertar para vespeiros que ficam à vista. Alguns até já estão inativos e são de outros anos, mas a população vê a aparatosa construção e entra em pânico.

Há também algumas alegações, nas freguesias mais remotas, para com os bombeiros, acusando-os de ignorarem a eliminação dos vespeiros em zonas mais florestais, mas o presidente justifica-se com “prioridades”. “No centro é mais prioritário, é onde há circulação de pessoas. Nas florestas não há tanta urgência”, disse.

No entanto, os apicultores, que detêm maioria dos apiários em zona florestal, não concordam, e queixam-se que este tem sido dos piores anos em termos de ‘matança’ de abelhas levada a cabo pelas velutinas.

Vespa velutina chegou ao Minho há 10 anos. Apicultores já exterminaram “largos milhares”

Plano de ação e vigilância

A vespa velutina nigrithorax chegou acidentalmente à Europa em 2004, num porto francês, dentro de um contentor carregado com fruta. De acordo com o que se pode ler no portal do ICNF, em setembro de 2011, “a espécie invasora foi confirmada pela primeira vez em Portugal por entomólogos e apicultores”, em Viana do Castelo.

“O investigador José Manuel Grosso-Silva e o apicultor Miguel Maia (Associação Apícola Entre Minho e Lima) confirmaram que dali os núcleos se expandiram pelo Noroeste e Centro de Portugal”, lê-se na mesma nota. Em 2021, já conseguiu colonizar com sucesso grande parte de Portugal e do Sul do continente europeu.

Vespa velutina sai de apiário. Foto. Fernando André Silva / O MINHO

De forma a “diminuir o impacto causado pela vespa asiática nas zonas onde já se encontra instalada e prevenir a disseminação da espécie a outras áreas”, foi desenvolvido o “Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal”, a cargo da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, e do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.

Através deste plano, o Governo disponibiliza anualmente mais de um milhão de euros para que os municípios possam desenvolver um plano eficaz de eliminação da espécie, algo que não se tem provado suficiente para erradicar as já maiores predadoras de abelhas em Portugal.

200 mil para o combate na região do Ave

Recentemente, foi anunciada a aprovação de uma candidatura dos municípios de Cabeceiras de Basto, Fafe, Guimarães, Mondim de Basto, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Famalicão e Vizela com valor de 200 mil euros para implementar um plano contra a vespa asiática.

O projeto prevê a implementação de uma rede de armadilhas no território, a aquisição de equipamentos para captura e destruição de ninhos, capacitação técnica operacional e, ainda, a realização de uma conferência para discussão da temática da vespa velutina e os seus impactos na região.

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