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Viana do Castelo

Nem o “coração fraco” impede ex-pescador de viver procissão em Viana

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Foto: Cristina Moreira

O coração “obrigou” Edmar Lomba a largar a faina a que entregou 59 anos de uma vida “escrava”, mas não o impede de viver com “emoção” a procissão ao mar, durante a romaria Agonia, em Viana do Castelo.

“O meu coração é fraco nesse ponto. Sinto-me emocionado. Qualquer coisinha que nos acontecesse no mar, uma pessoa lembrava-se logo da nossa padroeira, a Senhora da Agonia”, afirmou o pescador, reformado, hoje com 75 anos.

Era “moço” quando participou na primeira procissão ao mar realizada há 50 anos e, desde então, nunca “falhou”.

A procissão ao mar é um dos números mais emblemáticos da Romaria d’Agonia, mas também dos mais recentes, já que se realiza, sempre a 20 de agosto, desde 1968.

Já o culto em Viana do Castelo à padroeira dos pescadores tem a sua primeira referência escrita em 1744.

Além da Senhora da Agonia, são ainda transportadas ao rio e ao mar as imagens da Senhora de Monserrate, de São Pedro e da Senhora dos Mares.

Nas margens do Lima, milhares de pessoas concentram-se para ver e saudar a procissão de mais de uma centena de embarcações de pesca e de recreio.

Até “largar” a pesca, “por causa de problemas de coração”, Edmar Lomba “acompanhou a senhora” nos barcos dos “patrões”, mas, este ano, irá a bordo do “Tiago e Catarina”, em homenagem aos netos, a embarcação de pesca do único de quatro filhos que lhe seguiu as pisadas.

“Sou pobre, mas sou um homem de muita fé, sempre fui. Ir na procissão ao mar é como ir a Fátima. Sinto a mesma devoção”, desabafou, enquanto guardava o baralho de cartas que todas as manhãs lhe ocupa o tempo no Cantinho do Pescadores, um espaço de apoio à comunidade piscatória, criado no coração da ribeira.

Cinquenta anos depois da primeira procissão, Edmar Lomba diz que o número é “agora muito mais rico”, porque “os barcos são de melhor qualidade e porque a Nossa Senhora não subia o rio, no sentido da ponte Eiffel, até ao centro da cidade”.

“Os barcos iam até à barra e regressavam. Ora o povo está todo no centro da cidade, nas margens do rio. É uma loucura de gente a ver passar a procissão”, referiu, relembrando alguns “sustos” que se viveram nos primeiros anos daquele costume.

“Era um perigo muito grande porque naquele tempo deitavam muitos foguetes e, algumas das canas, caiam dentro dos barcos. As pessoas, com medo, tentavam fugir e os barcos adornavam. Uma vez caíram todos à água, mas não morreu ninguém”, contou.

No regresso a terra, os pescadores transportam os andores de novo à igreja situado no Campo da Agonia, passando pelas ruas da ribeira onde, durante a madrugada, foram confecionados, manualmente, os típicos tapetes de sal.

A confeção dos desenhos, gravados nas ruas com várias toneladas de sal colorido, realiza-se sempre na noite anterior ao dia da padroeira, mobilizando centenas de pessoas, sobretudo moradores daquela zona da cidade.

Nascido e criado na antiga rua do Loureiro, hoje Monsenhor Daniel Machado, no coração da ribeira de Viana onde também casou e criou os quatro filhos, Edmar Lomba diz que aquele costume já não é “como antigamente”.

“Hoje são poucos os que são filhos de pescadores. Já há pouca gente do mar”, lamentou, recordando que no seu tempo de rapaz, “a ribeira parecia uma família”.

“Havia pobreza, mas muita união”, sublinhou, apontando os 14 anos que “deu” à pesca do bacalhau como “garante do sustento que lhe permitiu comprar a casa onde, já viúvo, sobrevive com uma pequena reforma”.

Dos tempos “duros” da pesca do bacalhau, lembrou com “carinho” os 11 dias em que esteve internado no navio-hospital Gil Eannes, que prestava assistência hospitalar aos pescadores e tripulantes da frota bacalhoeira portuguesa na Terra Nova e Gronelândia.

“Ao escalar um bacalhau, a faca falhou-me e caçou-me a mão. Estive 11 dias dentro do Gil Eannes”, referiu, olhando em direção ao “Anjo Branco”, como era apelidado pelos pescadores. Está atracado na doca comercial da cidade, bem perto do “Cantinho dos Pescadores” onde Edmar Lomba, diariamente, “mata” o tempo antes do almoço e, à tarde, depois da sesta.

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Viana do Castelo

Surfista Marta Paço é a Cidadã de Mérito “mais nova de sempre” de Viana

Medalha entregue hoje

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A surfista portuguesa Marta Paço, de 14 anos, que em dezembro conquistou a medalha de bronze no mundial de surf adaptado, nos Estados Unidos, é a Cidadã de Mérito, “mais nova de sempre” de Viana do Castelo.

Hoje, na atribuição do galardão, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, José Maria Costa, destacou que, na altura “com apenas 13 anos e cega de nascença, a Marta Jordão Paço foi a atleta mais jovem” do ISA World Adptative Surfing Championship que decorreu em dezembro na praia de La Jola,em San Diego, Califórnia.

José Maria Costa, que falava durante a sessão comemorativa dos 171 anos de elevação de Viana do Castelo a cidade, classificou aquele evento desportivo como “histórico” para o surf e agradeceu à atleta e ao treinador Tiago Prieto pelo “contributo para a promoção da inclusão no desporto”.

“Esta edição do mundial de surf Adaptado, além de ter sido placo da primeira competição na categoria feminina com deficiência visual, registou um recorde ao nível de participações. Mais de 120 surfistas de 24 países”, reforçou.

Marta Paço, invisual, atleta do Surf Clube de Viana há dois anos, terminou a final com 3,73 pontos, menos 11,11 pontos do que a vencedora, a britânica Melissa Reid.

No total, a Câmara de Viana do Castelo homenageou hoje, 23 personalidades ligadas à cultura e ao ensino, empresas e instituições locais de várias áreas, propostas pela maioria socialista na autarquia, pelos vereadores do PSD e da CDU.

Também com o título de Cidadã de Mérito foi homenageada Raquel Gaião, bióloga de 23 anos, natural do concelho, aluna de mestrado em biodiversidade e conservação marinha na Universidade do Algarve que, em setembro de 2018, se transformou na primeira mulher portuguesa a ganhar o prémio mundial atribuído pela Global Biodiversity Information Facility Young Researchers Award (GBIF).

Os membros do comité destacaram o potencial da investigadora vianense ao nível dos impactos relacionados com o clima das macroalgas, uma ordem taxonómica de importância ecológica, social e económica nas comunidades costeiras ao redor do mundo”, sublinhou.

A coreógrafa Tânia Carvalho, a escritora Marlene Ferraz, o professor catedrático da Universidade de Lisboa, António Maria Feijó e o bispo auxiliar do Porto, Pio, Gonçalo Alves de Sousa, foram entre outras, as figuras distinguidas com aquele título.

No discurso que proferiu na sessão, o presidente da Câmara anunciou, a propósito das comemorações dos 140 anos da ponte Eiffel sobre o rio Lima, que estão a decorrer até junho, a intenção de criar um centro interpretativo da obra do arquiteto francês na estação de caminhos de ferro da cidade.

O projeto de mestrado em Património e Turismo Cultural de Rui Maia, da Universidade do Minho, “assenta na ponte Eiffel de Viana do Castelo, obra do século XIX, integrada no vasto património industrial português”, explicou, acrescentando que a intenção é criar um espaço físico “dedicado à ponte, proporcionando a fruição do legado de Gustave Eiffel”.

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Viana do Castelo

Líderes do PSD de Viana “advertidos” no caso das duas listas às autárquicas

Eleições autárquicas de 2017

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Carlos Morais Vieira, à esquerda, e Eduardo Teixeira, à direita, com o antigo secretário-geral do PSD. Foto: DR / Arquivo

O conselho de jurisdição nacional do PSD aplicou a sanção disciplinar de advertência aos líderes da distrital e da concelhia do partido, em Viana do Castelo, na sequência do caso das duas listas apresentadas à Assembleia Municipal nas últimas autárquicas.

De acordo com o acórdão 272018, a agência Lusa teve ontem acesso, o presidente da comissão política distrital, Carlos Morais Vieira, foi advertido por não ter enviado as listas a candidatar, em Viana do Castelo, às eleições autárquicas de 2017 ao plenário da secção local do PSD.

“Foram solicitados por diversas formas e com diversas insistências que os responsáveis distritais indicassem os nomes que integrariam as listas candidatas bem como o Programa Eleitoral com o objetivo de permitir que essa Assembleia se pronunciasse sobre os mesmos. Não foi indicado por qualquer forma, nenhum nome nem nenhum elemento do Programa Eleitoral, nem sequer apresentada qualquer justificação para tal”, lê-se no documento datado de 19 de dezembro.

Contactado pela agência Lusa, Carlos Morais Vieira disse ter sido notificado da decisão do conselho de jurisdição nacional, na quarta-feira, mas escusou-se a falar sobre o assunto.

Já o presidente da comissão política concelhia, Eduardo Teixeira, foi sancionado por ter entregado, no tribunal, uma lista concorrente aquele ato eleitoral sem poderes para o efeito e sem aprovação da distrital do partido.

“Tal lista não foi entregue pelo Mandatário com poderes para o ato, nem obteve aprovação distrital (…) O mandatário com poderes para o ato, não só entregou lista diferente como impugnou a anteriormente entregue”, adianta o acórdão.

À Lusa, Eduardo Teixeira disse não ter sido notificado da decisão e por esse motivo não quis prestar declarações.

Para eleições autárquicas de 2017, o PSD de Viana do Castelo apresentou duas listas de candidatos à Assembleia Municipal daquele concelho.

Uma das listas, apresentada pelo candidato do partido à Câmara de Viana do Castelo, homologada pelos órgãos nacionais e aprovada pela comissão política distrital, era encabeçada por Eduardo Viana, ex-secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade do anterior governo PSD/CDS-PP e atual deputado municipal.

A outra lista era liderada pelo presidente da comissão política concelhia, ex-vereador na Câmara de Viana do Castelo e ex-deputado na Assembleia da República, Eduardo Teixeira.

O Tribunal de Viana do Castelo rejeitou a lista à Assembleia Municipal apresentada e liderada por Eduardo Teixeira, por “irregularidade insuprível”. Também o Tribunal Constitucional “negou provimento” ao recurso.

Com aquela decisão ficou validada a lista à Assembleia Municipal encabeçada por Eduardo Viana.

No acórdão do conselho jurisdição nacional assinado pelo presidente do conselho de jurisdição nacional, Nunes Liberato e pelo relator, João Paulo Meireles, foi ainda aplicada a mesma sanção, a mais leve do regulamento de disciplina do partido, ao candidato às eleições autárquicas de 2017 e atual vereador do PSD na Câmara de Viana do Castelo, Hermenegildo Costa (também já notificado da decisão), e ao empresário Luís Sanches, na altura secretário-geral da concelhia.

De acordo com o documento, com 19 páginas, os quatro responsáveis foram sancionados pela “manifesta falta de zelo no desempenho de funções” e por “pôr em causa o bom nome do partido ou a confiança que está depositada no infrator”.

Àquelas infrações, Carlos Morais Vieira e Hermenegildo Costa juntam o “manifesto desrespeito pelas deliberações emitidas pelos órgãos competentes do partido”.

Já Eduardo Teixeira e Luís Sanches foram ainda sancionados por se terem “candidatado a qualquer lugar eletivo do Estado ou de autarquias locais, sem autorização do competente órgão do partido”.

No acórdão, o conselho de jurisdição justificou a sanção menos gravosa pelo facto de os “arguidos serem militantes ativamente empenhados, com exercício abnegado de funções e cargos no partido, com um historial de dedicação a servir as populações designadamente decorrente do exercício de cargos autárquicos” e, por “nenhum ter antecedentes disciplinares”.

Ao mandatário concelhio, Sandro Durães, não foram aplicadas sanções por “não se vislumbrar qualquer censura que lhe deva ser dirigida”.

“Agiu com poderes para o ato que lhe foram legalmente conferidos e reiterados. Seguiu as instruções de quem lhe conferiu tal instrumento de representação, entregou listas completas, com a documentação completa e sem irregularidades”, sustenta o acórdão.

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Viana do Castelo

Pastelaria assaltada em Viana do Castelo

Roubada caixa registadora

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Ainda está em processo de averiguações, o assalto à mão armada de uma pastelaria na Freguesia de Chafé, em Viana do Castelo.

O crime ocorreu, ontem ao final da tarde, por um indivíduo sob ameaça de arma de fogo.

Segundo fonte do Comando Territorial da GNR de Viana do Castelo, ao JN, o assaltante “roubou caixa registadora e pôs-se em fuga”, desconhecendo-se o valor do roubo no estabelecimento comercial, situado na rua de Estrada Velha.

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