Mural com oito metros instalado em Cerveira evoca José Rodrigues

Um mural com mais de oito metros, pintado por um artista brasileiro durante uma residência artística realizada em Vila Nova de Cerveira, evoca o escultor José Rodrigues, falecido em setembro, anunciou hoje a Fundação da Bienal de Arte.

Em comunicado, a Fundação Bienal de Arte de Cerveira (FBAC) adiantou que a escolha do local para a instalação da pintura do artista brasileiro Elton Hipólito foi “premeditada”, localizando-se “em frente ao espaço ajardinado onde se encontra a escultura ‘O Esforço’ do mestre José Rodrigues“.

O presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira revelou que no próximo dia 29 de outubro aquele jardim vai ser rebatizado numa homenagem conjunta, da autarquia e da família do escultor.

“Como forma de reconhecimento e homenagem póstuma a Câmara decidiu, na quarta-feira, por unanimidade, a alteração toponímica daquele jardim. No dia 29 de outubro às 15:00 será colocada uma placa identificativa do Jardim Mestre Zé Rodrigues”, referiu, na altura, Fernando Nogueira.

O mural classificado como “projeto de arte pública” intitula-se Lacunas da Memória e foi executado durante “quatro dias de intenso trabalho” do artista brasileiro, no âmbito do programa de Residências Artísticas 2016 da Fundação Bienal de Arte de Cerveira.

Segundo o artista natural de São Paulo, citado na nota enviada à imprensa, o trabalho “pretende contribuir para as questões que surgem de vivências pessoais e de impressões da sociedade atual inerentes ao esquecimento, à memória e à sua preservação“.

O coordenador artístico e de produção da FBAC, Cabral Pinto, também citado naquela nota, referiu que se trata de “uma homenagem a um grande ícone das artes plásticas em Portugal, um artista excecional que deixou marcas profundas e um legado cultural de excelência em Vila Nova de Cerveira”.

Em 2012, a Câmara da vila das Artes distinguiu “o trabalho e dedicação” do mestre José Rodrigues, agraciando-o com a medalha de honra do município, “pelo impulso que conferiu às Bienais Internacionais de Arte de Vila Nova Cerveira e ao seu papel enquanto diretor artístico, na VI edição”.

Considerado um dos fundadores da bienal, a mais antiga do país, que se realiza desde 1978, o escultor foi homenageado em 2011, na abertura da edição daquele ano, numa cerimónia que contou com a presença do então Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Em Vila Nova de Cerveira, além do “Cervo” e do “Esforço”, José Rodrigues é ainda o autor da peça “Navegações”, situada junto à margem do rio Minho e do espólio do Convento São Paio, na Serra da Gávea, que adquiriu, restaurou e onde viveu.

Na execução do mural o artista brasileiro Elton Hipólito “optou por se servir apenas de tinta de pigmentos naturais, sendo que a terra colhida no Parque de Lazer do Castelinho reproduziu os tons claros da obra e a terra retirada do monte da Senhora da Encarnação deu origem aos escuros, chamando à atenção para a problemática dos incêndios”.

Os brasileiros Elton Hipólito e Priscila Lopes Cantisano e a portuguesa Selma Pereira são os artistas que integram o terceiro período de residências da FBAC, cuja apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos, decorre na próxima quinta-feira, 13 de outubro, na Casa do Artista Jaime Isidoro, com entrada livre.

 

 

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