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Braga

Mulheres de Braga: “Vítimas de violência doméstica sentem-se gozadas pelos tribunais”

Mais de uma centena de mulheres juntaram-se à porta do Tribunal de Braga em vigília contra a violência doméstica

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Vigília "Mulheres de Braga". Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Nem uma vítima mais”. Cerca de uma centena de pessoas juntaram-se, esta quarta-feira à noite, junto ao Tribunal de Braga para uma vigília em memória de Gabriela Monteiro, que perdeu a vida em plena rua, esfaqueada pelo ex-companheiro, a cerca de 20 metros do Palácio da Justiça de Braga.


O evento, organizado por Sandra Ataíde e Anabela Ataíde, teve dois pontos de encontro distintos, a poucos metros um do outro. Enquanto perto de uma centena de pessoas acendia velas em frente ao tribunal, cerca de 50 outras pessoas juntaram-se no local onde Gabriela foi assassinada.

Vigília “Mulheres de Braga”. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

O MINHO falou com Anabela Ataíde, criadora do grupo de Facebook “Mulheres de Braga”, que deu conta de vários testemunhos de mulheres, vítimas de assédio e violência física e psicológica, que se sentem “humilhadas” pelos tribunais.

“O grupo era para ser um cantinho mas já conta com mais de 6 mil mulheres que desabafam e contam um pouco do que sofrem”, explica Anabela, dando exemplo de mulheres que, face a agressões dos maridos, denunciaram o caso e tiveram de partir para uma casa de abrigo com os filhos.

“É inexplicável como é que as mulheres têm de sair da vida normal e os agressores ficam em casa, ou com pulseira eletrónica ou como arguidos”, lamenta, indicando que “há lá [no grupo da rede social] desabafos de mulheres que estão a aguardar decisões do tribunal mas que são perseguidas na rua pelos agressores e os magistrados dizem que não podem fazer nada porque a rua é pública”.

Sandra Ataíde e Anabela Ataíde, organizadores da vigília. Vigília “Mulheres de Braga”. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Outra queixa generalizada que Anabela tem assistido é a falta de instituições a quem recorrer durante estas situações. “Vamos fazer uma petição para alterar leis, porque a polícia só pode fazer o que a lei deixa mas se as leis forem alteradas, os polícias podem agir de outra forma, de acordo com a lei”.

Anabela explica que está a ser preparada uma petição para entregar na Assembleia da República para alteração de leis de forma a que “nem mais uma mulher morra às mãos destes assassinos”.

É preciso falar destes casos nas escolas

Sandra Ataíde, outra das organizadoras desta vigília, é presidente da Associação de Pais da EB 1 das Parretas, em Braga, e lamenta que muitas crianças já vejam a violência doméstica como “algo normal”. “Alguns miúdos acham normal porque assistem ao pai a bater na mãe em casa e não há ninguém na escola que lhe diga que isso não é normal”, vinca.

Pena perpétua para os assassinos

Marta Costa e Gabriela Magalhães vieram de Vila Verde propositadamente para manifestar apoio às mulheres que se veem neste tipo de situação. Gabriela crê que as penas são demasiado leves e que isso faz com que estas situações se continuem a repetir. “Eu acredito na reabilitação mas acho que 25 anos é muito pouco para quem tira a vida a alguém neste contexto”, diz, apontando a “pena perpétua” como medida a ser tomada nestes casos.

Vigília “Mulheres de Braga”. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Este agressor [de Gabriela Monteiro] é confesso, no entanto, vai ser condenado e há provas evidentes para o condenar, no entanto daqui a uns anos está cá fora e o mal é de quem foi e dos filhos que cá ficam. Estas situações são diárias e isso é uma vergonha”, salienta.

“A Gabriela Monteiro foi assassinada no meio da rua com crianças a assistir, a 100 metros de uma esquadra e a 20 metros de um tribunal. Isto é surreal, mas só é surreal porque é permissivo pela lei”, vinca.

Vigília “Mulheres de Braga”. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Vigília “Mulheres de Braga”. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Vigília “Mulheres de Braga”. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Marta Costa concorda com a amiga e sublinha que é necessário “tomar medidas mais sérias para este tipo de crime”. “Não se admite, neste século, isto ainda acontecer. É preciso tomar medidas drásticas porque senão as pessoas não vão parar e vai chegar ao ponto de se fazer justiça pelas próprias mãos”.

Luís é homem mas sente-se envergonhado

Luís Cardona, de Braga, marcou presença na vigília, não só porque é conhecido da vítima mas porque se sentiu afetado por este crime. “Isto não tem classificação, foi uma situação chocante que me afetou bastante, chegando a envergonhar-me pelos homens que fazem isto, embora seja um crime que acontece também com homens a serem vítimas”, diz.

Luís Cardona. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

O morador em Real refere que este tipo de vigílias são importantes para “se pôr um termo a isto”. “Acredito que cada vez mais se dê atenção a estes casos com este tipo de mobilização popular”, finalizou.

Vigília “Mulheres de Braga”. Foto: Fernando André Silva / O MINHO

20 mulheres mortas em 2019

Gabriela Monteiro foi a vigésima sexta vítima mortal de violência doméstica, este ano, em Portugal. Na lista, de acordo com dados da Procuradoria Geral de República (PGR), constam 20 vítimas do sexo feminino e seis do sexo masculino. 25 adultos e uma criança. Na região do Minho, esta foi a quarta morte registada em 2019, no âmbito deste crime.

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Braga

Carro desgovernado anda 100 metros em despiste na principal via de Braga

Acidente

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Foto: Paulo Jorge Magalhaes / O MINHO

Uma viatura entrou em despiste na Avenida Frei Bartolomeu dos Mártires, sentido Continente – Braga Parque, esta noite de sábado,

A viatura acabou por transpor o separador central e a imobilizar-se na via contrária, ao embater num poste suporte a um outdoor.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O carro terá andado mais de 100 metros em despiste, com os moradores da zona a sairem à rua após os barulhos fortes que ouviram.

O condutor saiu pelo próprio pé, não sendo solicitado até agora assistência pré-hospitalar.

A PSP está no local.

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Braga

Paulo Cunha ganha distrital de Braga do PSD e quer Barcelos ‘laranja’ em 2021

Política

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Foto: DR / Arquivo

As eleições autárquicas de 2021 são o “foco número um” da nova distrital de Braga do PSD, hoje eleita, numa lista única encabeçada por Paulo Cunha, presidente da Câmara de Famalicão.

Foram às urnas 1.254 militantes, dos quais 1.195 votaram na lista de Paulo Cunha.

Registaram-se ainda 51 votos brancos e oito nulos.

Em declarações à Lusa, Paulo Cunha disse que as autárquicas de 2021 constituem “o foco número um”, sendo o objetivo manter as atuais nove câmaras já detidas pelo PSD e tentar conquistar as restantes cinco.

Segundo o novo presidente da distrital social-democrata, a reconquista da Câmara de Barcelos, atualmente liderada pelo PS, será uma das grandes apostas.

“O atual presidente da Câmara de Barcelos [Miguel Costa Gomes] não se pode recandidatar, devido à lei de limitação de mandatos, e essa será uma oportunidade que o PSD saberá certamente aproveitar, estando à altura das suas responsabilidades”, referiu.

Paulo Cunha terá como “vices” José Novais, de Barcelos, e Carlos Cação, de Vila Verde.

O presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, será o presidente da mesa da assembleia distrital.

Paulo Cunha já tinha liderado a distrital de Braga do PSD entre 2010 e 2014, ano em que deu lugar ao eurodeputado José Manuel Fernandes.

O PSD lidera as câmaras de Braga, Vieira do Minho, Amares, Famalicão, Terras de Bouro, Esposende, Celorico de Basto e Vila Verde.

No caso de Braga, a câmara foi ganha por uma coligação que juntou o PSD, o CDS-PP e o PPM.

Em Vieira do Minho, Amares e Famalicão, também houve coligação, mas apenas entre o PSD e o CDS-PP.

O PS detém Barcelos, Cabeceiras de Basto, Fafe e Guimarães, enquanto a Câmara de Vizela foi conquistada por uma lista independente, liderada por Vítor Hugo Salgado.

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Braga

Cobras e ratos ameaçam moradores junto ao futuro ecoparque de Braga

Limpeza de terrenos

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Os moradores da rua Quinta dos Passos, em São Víctor, cidade de Braga, estão revoltados com a autarquia por esta fazer ‘vista grossa e ouvido mouco’ aos sucessivos apelos para a limpeza de um lote de terreno que acarreta animais que ameaçam a saúde pública.

Ariana Correia, porta-voz dos moradores daquela urbanização situada em Areal de Baixo, junto ao futuro ecoparque das Sete Fontes, disse a O MINHO que têm sido sucessivas as denúncias ao longo dos últimos anos mas que a autarquia “nada faz” para a limpeza.

Braga dá “passo decisivo” para criar um ecoparque na cidade

 

“O terreno pertence a um particular que não o limpa e está nestas condições há quatro anos, sem que ninguém faça nada”, lamenta a moradora, visivelmente irritada com o executivo liderado por Ricardo Rio (PSD).

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Antigamente tínhamos uma senhora que fazia a limpeza, nós pagávamos, mas houve uma denúncia e a senhora nunca mais foi lá limpar aquilo”, explica.

Nos últimos meses, a situação tende a agravar-se, depois de um morador ter detectado cobras naquele espaço, situado por cima de garagens e onde crianças costumam brincar.

“Têm aparecido cobras e ratos no local e isso é uma ameaça para as nossas crianças”, assegura, revelando que já falou com o presidente da junta de São Víctor, Ricardo Silva, e que este se mostrou bastante atencioso mas também não conseguiu resolver o problema.

“Enviámos um ofício aos serviços municipais há mais de um ano e até hoje não obtivemos resposta”, sublinha.

O MINHO falou com fonte da AGERE que remeteu o assunto para a Câmara. Enviado um email a questionar através do endereço de email de reclamações dos munícipes, o mesmo nunca foi respondido.

Recentemente, O MINHO contactou o presidente da autarquia a propósito deste tema. Apesar de nos ter assegurado que ia questionar os serviços, nunca mais obtivemos resposta por parte de Ricardo Rio.

O MINHO sabe que a Câmara estará há mais de dois anos a tentar contactar o proprietário do terreno, mas sem sucesso.

Após uma pesquisa junto do site Portal da Queixa, verificámos que este é um problema recorrente na cidade de Braga, com vários munícipes a solicitarem uma resposta da autarquia através daquele meio, uma vez que não obtêm resposta dos serviços.

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