Arquivo

Muitas instituições para pessoas com deficiência não reabrem centros ocupacionais

Covid-19
Muitas instituições para pessoas com deficiência não reabrem centros ocupacionais

O presidente da Confederação de Organizações de Pessoas com Deficiência disse hoje que a maioria das instituições não estará em condições de reabrir na segunda-feira os seus Centros de Atividades Ocupacionais, porque precisam de tempo para se adaptarem.

O Governo determinou a 13 de março a suspensão dos Centros de Atividades Ocupacionais (CAO), que apoiam adultos com deficiência, devido à pandemia de covid-19 e na segunda-feira foi anunciado para dia 18 a sua reabertura bem como o retomar das visitas aos lares residenciais.

Em declarações hoje à Lusa, José Reis disse que algumas instituições não estão ainda em condições de reabrir os CAO e terão de analisar o guião distribuído pelo Governo com as recomendações para o efeito, tal como para os lares de idosos.

“Começámos a entregar o guião às instituições. Tem lá questões que são muito exigentes para as quais as instituições precisam de se adaptar e reagrupar. Isto vai levar tempo. Não é possível estar a admitir de uma assentada nos CAO a totalidade dos utentes que estão em casa com as famílias”, disse o presidente da Confederação Nacional de Organizações de Pessoas com Deficiência (CNOD).

Segundo José Reis, as instituições estão a contactar os pais para os informar das recomendações.

“As instituições estão a falar com os pais. Uma das questões que preocupa é a do transporte dos utentes. Normalmente são as instituições que disponibilizam carrinhas para ir buscar os utentes. No guião recomenda-se numa primeira fase que sejam os pais a levá-los à instituição”, afirmou.

As instituições vão também ter de reagrupar os seus espaços para que não haja contacto entre os utentes que estão em lares residenciais e os que vão regressar com a reabertura dos CAO.

“Os utentes que estão no exterior vão regressar e o guião recomenda que não deve haver utilização dos mesmos espaços, que deve haver uma separação entre estes e os que estão nos lares residenciais, o que vai obrigar a uma readaptação por parte das instituições, e muitas têm problemas de espaço”, salientou.

Além destas questões, há também orientações no que diz respeito à higienização, a limpezas e distanciamento social, que, segundo Luís Reis, não é fácil na área da deficiência.

“Em relação ao retomar das visitas nos lares residenciais, também aqui as instituições estão a procurar adaptar-se de acordo com as regras para que não haja perigo. Há um receio geral de que a situação possa vir a agravar-se”, realçou.

No entendimento do presidente da CNOD, vai ser uma exigente tarefa para as instituições que estão no terreno.

“No entanto, quero salientar que a reabertura está programa para dia 18, não é nenhuma exigência que abra. Todos estão conscientes de que há muito trabalho a fazer, muita reformulação e, por isso, tem de haver flexibilização na reabertura, que pode prolongar-se”, concluiu.

Também Maria dos Prazeres, mãe de um utente num lar residencial de uma instituição para pessoas com deficiência em Coimbra e que esteve doente após testar positivo para a covid-19, disse à Lusa estar preocupada com o retomar das visitas na segunda-feira, apesar de “estar desejosa de ver o filho”, depois de dois meses.

“Acho que ainda é cedo, apesar de estar desejosa de ver o meu filho. Os casos continuam a aparecer na comunidade. A minha esperança é que como o vírus já atacou o lar que eles tenham alguma imunidade. Mas, com a reabertura dos CAO esse risco aumenta”, disse.

Maria Prazeres Quintas contou que o filho testou positivo para a covid-19 depois de estar confinado, mas teve sintomas ligeiros e ficou curado.

“As recomendações são semelhantes às dos lares de idosos, mas a forma como vão ser postas em prática têm de ser diferentes. Um deficiente não é um idoso, querem circular, andar, têm comportamentos diferentes. É uma realidade diferente de um lar. Eu não imagino ser possível colocar uma máscara no meu filho porque irá tirá-la”, disse.

Para já, Maria Prazeres Quintas aguarda que a instituição lhe diga em que moldes poderá voltar a ver o filho.

 
Total
0
Shares
Artigo Anterior
Maestro de caminha luta por um lugar entre os melhores do mundo

Maestro de Caminha luta por um lugar entre os melhores do mundo

Próximo Artigo
Homem detido por assalto em lisboa após ter sido libertado por causa da pandemia

Homem detido por assalto em Lisboa após ter sido libertado por causa da pandemia

Artigos Relacionados