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Braga

Motards vão à missa em Braga pedir a bênção após três acidentes numa semana

Grupo “Os Unidos”

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Chamam-se “Os Unidos” e são o mais recente grupo ‘motard’ do Minho. Com sede na União de Freguesias de Real, Dume e Semelhe, na cidade de Braga, hoje foram benzidos na igreja de São Jerónimo, em Real, depois de três “azares” com integrantes do grupo ao longo dos últimos dias.

Fundado a 13 de novembro de 2020 por José Silva, após fragmentação de outro conjunto motard, “Os Unidos” são agora 435 elementos, grande maioria provenientes do distrito de Braga, e não devem ficar por aqui.

José Silva lembrou-se de criar o grupo depois de perceber que havia vários eventos que poderiam ser feitos, mas nunca o eram, no anterior local de associativismo que integrou. “Convidei alguns elementos para dar uns ‘giros’ ao domingo, e de lá para cá tem sido sempre a crescer”, sustenta.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Os elementos são, na sua larga maioria, de Braga, mas há quem venha da Póvoa de Lanhoso, de Caldas das Taipas, de Barcelos, e um pouco de todo o Minho. “Estamos a ter uma boa adesão, o pessoal gosta porque os ‘giros’ são com intervalo a meio, onde fazemos um lanche e tentámos conhecer-nos melhor e isso é que é bonito no convívio motard”, disse a O MINHO.

José admite que o grupo foi criado “numa altura má, de confinamento”, mas realça que todos vão separados e que os ‘giros’ são feitos com muito cuidado, assim como foi a bênção que decorreu este domingo, e que serviu também para homenagear três integrantes acidentados ao longo dos últimos dias.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Três azares com três membros

“Nas duas últimas semanas tivemos três azares, com três membros, da qual nenhum foi nos ‘giros’ oficiais mas, para todos os efeitos, são membros do grupo, e eu como administrador do grupo senti-me na obrigação de fazer esta bêncão”, vincou.

Em dois dos acidentes, a responsabilidade foi de automobilistas que nem sempre são os melhores amigos dos ‘motards’ nas estradas. São, aliás, a maior dificuldade, conforme explica José.

Em Cabreiros, um automobilista decidiu limpar o pára-brisas, mas o esguicho passou para um motociclista que seguia na traseira, acabando por lhe retirar visibilidade na viseira do capacete. “O nosso elemento apitou e protestou, mas o condutor travou a fundo e originou-se um acidente”, contextualiza José.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Outro dos acidentes foi na reta de Sequeira. “Uma automobilista ia a sair da antiga Moviflor e embateu lateralmente num dos nossos elementos, projetando-o para o chão”, contou José, deixando um apelo a quem anda na estrada protegido com ‘mais chapa’.

“Deixo apelo aos automobilistas, porque um motociclista é um veículo que vai em paz, alguns em família, e às vezes somos apertados sem necessidade. Há uma linha em que podemos avançar viaturas, com cuidado, mas mesmo assim há automobilistas que nos apertam”, lamenta, pedindo “paz” e “partilha” no uso das estradas.

Evento anual

Em relação à bênção, será para se tornar um evento anual, conta. “A Benção das Motas em Real, Braga, deverá acontecer sempre no segundo fim de semana de julho, em evento oficial. Desde uma mobilette a gás até a uma 2.000 CC, aceitámos todo o tipo de duas rodas, ou três, ou até quadriciclos”, brinca.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“Os nossos giros são feitos a pequena velocidade, a conhecer o Minho, não há cá campeões. Eu é que vou à frente, e comunico com o último através de walkie talkie, para não ficar ninguém para trás. Fazemos os ‘giros’ com cabeça, vamos em fila, não há ultrapassagens, eu sou o primeiro a censurar caso veja algo desse género”, finalizou o responsável.

“Continuem, mas com cuidado”

Francisco Silva, presidente da UF Real Dume e Semelhe, relembrou que a freguesia apoia a associação porque “leva o nome da freguesia longe e pelo convivo salutar”. “A UF tem 19 associações e a pandemia veio trazer algumas complicações a algumas delas, esta está em contraciclo”, disse Francisco Silva, pedindo “continuidade”, mas também “cuidado” na estrada.

Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Com 435 membros, o grupo “Os Unidos” quis também honrar a memória de motards falecidos durante esta missa/bênção. Deram, depois, uma volta de mota pelas ruas da União de Freguesias.

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