Morreu o primeiro presidente da Câmara de Vila Verde eleito após o 25 de Abril

Foto: Joaquim Gomes / O MINHO / Arquivo

O primeiro presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, a seguir ao 25 de Abril, António Cerqueira, morreu esta quarta-feira, aos 85 anos, anunciou a autarquia. Foram decretados três dias de luto municipal em sua honra.

“O Município de Vila Verde presta a devida homenagem pelo trabalho que desempenhou no campo político e social, com um contributo inestimável para a história e o desenvolvimento do concelho de Vila Verde”, pode ler-se na nota de pesar da Câmara.

“Vila Verde recordará eternamente António Cerqueira, pela sua caraterística personalidade, ao serviço do Concelho e das suas freguesias, figura ímpar do concelho, esteve presente em inúmeras instituições onde deixou a sua marca”, salienta a Câmara.

“Foi um homem de causas e de grande obra em todas as freguesias do concelho de Vila Verde e a sua morte empobrece Vila Verde”, acrescenta a nota de pesar.

“A presidente da Câmara Municipal de Vila Verde [Júlia Fernandes] endereça à família as mais sentidas condolências, decretando ainda três dias de luto municipal”, conclui o texto.

As cerimónias fúnebres decorrerão quinta-feira, na igreja paroquial de Santa Maria de Mós, em Vila Verde, o corpo de António Cerqueira estará em câmara ardente a partir das 09:30 e o seu funeral terá lugar às 18:30, indo a sepultar no cemitério local.

Esteve preso

Nascido em 30 de setembro de 1938, em Santa Maria de Mós, concelho de Vila Verde, António Cerqueira foi professor do ensino básico durante 16 anos, 12 dos quais em Moçambique, tendo regressado a Portugal depois da Revolução dos Cravos.

Eleito pelo CDS, foi o presidente da Câmara Municipal de Vila Verde durante seis mandatos consecutivos, a partir das primeiras eleições autárquicas depois do 25 de Abril de 1974, tendo desempenhado tais funções entre os anos de 1976 a 1997.

António Cerqueira foi condenado por diversos crimes relacionados com a governação pública.

Cerqueira era acusado pela oposição de gerir a Câmara quase como uma empresa privada familiar, e acabou condenado a seis anos de prisão, em cúmulo jurídico, pela prática de três crimes de peculato (uso indevido de bens de instituições públicas), três de falsificação e um de abuso de poder. Foi ainda obrigado a devolver 100 mil euros ao Estado de ordenados recebidos indevidamente.

Respondeu por sete casos em simultâneo e era acusado da prática de onze crimes. Num deles, foi condenado a quatro anos de prisão e 50 dias de multa, pelo crime de peculato por ir caçar para o Alentejo na viatura oficial da Câmara com o respectivo motorista. Nas deslocações particulares beneficiou ainda de ajudas de custo, crime pelo qual foi condenado a três anos de prisão e 20 dias de multa.

O Tribunal considerou-o também culpado de três crimes de falsificação de documentos e de abuso de poder pela prática ilegal de actos administrativos, como a despromoção de funcionários que não eram da sua confiança e a promoção ilegal de outros. Depois de ter sido avisado de que estava a receber ilegalmente o ordenado de autarca por inteiro enquanto também recebia como gerente de uma empresa privada, António Cerqueira terá falsificado uma acta da gerência da sociedade, na qual dizia que deixara de ser sócio-gerente.

No dia 12 de março de 2004, Cerqueira entregou-se no Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo para cumprir a pena, tendo sido libertado sob condicional depois de cumprir metade da mesma.

Aproximação ao Chega

Como O MINHO noticiou, nas autárquicas de 2021, António Cerqueira foi apresentado como presidente da comissão de honra da candidatura do Chega local.

Após o nosso jornal ter noticiado que a comissão de honra do Chega, partido que faz da luta contra a corrupção uma das suas principais bandeiras, seria presidida pelo ex-presidente da Câmara condenado e preso, o líder nacional, André Ventura, mandou retirá-lo da candidatura.

Com Fernando André Silva e Pedro Luís Silva

 
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