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Ponte de Lima

Moradores da Lapa, em Ponte de Lima, não descartam providência cautelar para parar obras

Plano de mobilidade encurta passeios e aumenta estacionamento. “Pode estar a violar a lei 123/2006”

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Os moradores do Largo da Lapa, em Ponte de Lima, não descartam a hipótese de avançar com uma providência cautelar para parar as obras que estão na decorrer naquele espaço no centro histórico da vila.

Em causa, a alteração do plano de mobilidade que encurta passeios e aumenta o espaço de estacionamento. “Pode estar a violar a lei 123/2006”, referem os moradores.

O presidente da Câmara contactado por O MINHO reconhece que “já foram feitas pequenas alterações no projeto para irem ao encontro das pretensões dos moradores” e espera que a providência cautelar não avance: “seria lamentável que tal acontecesse”.

Os moradores com o andamento da obra perceberam as deficiências do projeto e vieram a público denunciar o que está a ser feito: “com as guias do passeio postas, tornou-se ainda mais gritante o absurdo”, começam por dizer, acrescentando que “além dos desníveis entre as casas, o passeio tem, em vários locais, uma pendente acentuada para a rua, devido ao desnível entre as casas e a rua que está quase sempre numa cota inferior às casas.

Iniciadas há cerca de dois meses, os moradores e transeuntes continuam sem ter um “passeio” em condições, tendo, pelo contrário, “de caminhar pela terra, o que se agravou com as chuvadas de há uma semana, em que uma pessoa ficou com a perna enterrada na lama até ao joelho”. Mas há mais questões levantadas pelos moradores a começar pela primazia do automóvel em detrimento dos peões, “em contraciclo com o que se está a fazer pelo país fora”. Os passeios de 1,5 metros para os peões, “além de pequenos, serão ainda obstruídos pelas frentes dos carros estacionados, por caixas de corte da EDP e por candeeiros de iluminação pública”.

O resultado final, também, não agrada: “será um espaço todo em pedra, que absorverá e irradiará o calor do sol. Vai-se tornar impossível circular a pé ou bicicleta por esta zona, sem uma sombra”.

Associação de Cidadãos Automobilizados

O caso já chegou à Associação de Cidadãos Automobilizados. A O MINHO, o presidente Mário Alves, confirma ter tido acesso ao caso: “já pedimos o projeto de execução à câmara porque estamos em crer que não cumpre o decreto de lei 123/06”.

Foto: O MINHO

Mário Alves lamenta que “os moradores e a população em geral não tenham tido acesso ao projeto de execução porque legalmente tem que estar disponível”. Sem querer tecer muitos comentários sem “ver o projeto”, Mário Alves diz que “à primeira vista, os passeios parecem ser muito estreitos” mas “no decreto lei já tudo detalhado e espero que o Município tenha levado isso em conta”.

Na teoria, se o projeto não cumprir os requisitos legais terá que ser reformulado pela autarquia, em diálogo com as entidades interessadas no projeto e ”de forma pedagógica”. Caso persistam os erros recorrer ao tribunal é uma hipótese.

Victor Mendes

O presidente da Câmara de Ponte de Lima em declarações a O MINHO começa por esclarecer que as “reivindicações prendem-se com questões relacionadas com o acesso para cidadãos com mobilidade reduzida” e não com o corte de árvores.

Para o autarca, numa primeira análise, a Câmara tem que cumprir com a legislação em vigor e “se um dos grandes objetivos desta intervenção numa área que faz parte do centro histórico é melhorar as acessibilidades, nomeadamente, para cidadãos com mobilidade reduzida, o município terá que cumprir com a legislação em vigor”.

Por isso, “o meu compromisso era verificar, uma vez mais, se o projeto de uma forma global cumpria com a lei das acessibilidades e a conclusão era que cumpria mas apesar disso fizemos alguns ajustamentos que, no fundo, vão ao encontro das reivindicações das pessoas que ali vivem e cumprem também aquilo que são os nossos objetivos”.

Providência cautelar não é oportuna

Ora uma vez que o projeto foi alterado levando em conta as pretensões dos moradores, para Victor Mendes, “não me parece que seja oportuno a apresentação de uma providência cautelar de um projeto que foi aprovado na câmara, teve o visto do tribunal de contas, que cumpre as leis das acessibilidades, que é equilibrado, que vai dinamizar aquele espaço, que vai ordenar o estacionamento e vai ter um novo mobiliário urbano”.

Foto: O MINHO

A providência irá “prejudicar quem ali vive e atrasar as obras e isso sim é que nos preocupa porque queremos que as obras decorram o mais rapidamente possível, reduzindo o impacto que estas obras costumam ter. Estou convicto que irá imperar o bom senso e estamos disponíveis para dialogar com quem quer que seja”.

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Ponte de Lima

Presidente da segunda maior Junta de Ponte de Lima demite-se por causa de central de betuminoso

António Fiúza disse que sairia quando aquela central começasse a funcionar: “À população de Arcozelo peço desculpa por esta minha demissão”

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Foto: Facebook de António Fiúza

O autarca de Arcozelo, segunda maior freguesia do concelho de Ponte de Lima, anunciou hoje a sua demissão do cargo de presidente da Junta, depois de a central de betuminoso instalada naquela localidade ter entrado em funcionamento.

“Em dezembro de 2017 afirmei, na Assembleia de Freguesia de Arcozelo, que no dia em que a central de betuminoso iniciasse a sua produção, eu imediatamente apresentaria a minha demissão de Presidente da Junta”, explica António Fiúza numa longa nota publicada, este sábado à noite, na rede social Facebook.

“Quero honrar a minha palavra e… a central de betuminoso já se encontra em plena laboração!”.

A demissão do autarca eleito, em 2017, na lista independente Ponte de Lima Minha Terra (PLMT) terá efeitos a partir de 31 de agosto.

“À população de Arcozelo peço desculpa por esta minha demissão. Só vos rogo, encarecidamente, compreensão e não condenação! Faço-o porque adoro a minha terra e com a consciência que a minha continuidade no cargo, sempre em constante conflito com outros órgãos autárquicos do nosso concelho, seria prejudicial para a Vila de Arcozelo”, afirma.

A instalação daquela central de betuminoso no centro de Arcozelo foi, desde 2016, bastante contestada por parte substancial da população, tendo a sua construção sido mesmo embargada.

“Situa-se a 300 metros de uma Unidade de Cuidados Continuados da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, instituição que detém nas proximidades, uma creche, lar de idosos e centro de dia”, dizia, na altura, o porta-voz de um movimento cívico.

Por o local, em apoio da população, passaram vários deputados e eurodeputados, de diferentes partidos.

Os terrenos utilizados pela Quinta da Lagoeira, detentora da empresa Predilethes, para instalação daquela central de betuminoso, num total de 15.680 metros quadrados, foram vendidos pela Câmara Municipal de Ponte de Lima, por ajuste direto, pelo preço de 10 euros o metro quadrado.

Nas Eleições Autárquicas de 2017, a lista independente PLMT conseguiu 4 mandatos, contra três da segunda lista mais votada, um do PSD e outro da CDU.

Mensagem de António Fiúza na íntegra

“O PROMETIDO É DEVIDO…”

Foto: Facebook

Em Dezembro de 2017 afirmei, na Assembleia de Freguesia de Arcozelo, que no dia em que a Central de Betuminoso iniciasse a sua produção, eu imediatamente apresentaria a minha demissão de Presidente da Junta.

Como o prometido é devido ou, tal como me disse uma amiga jornalista que tive o prazer de conhecer nestas andanças da politica “… pois é senhor Fiuza, já os nossos avós diziam que a palavra dada é palavra honrada mas… será que esse ditado popular também se aplica à palavra de um politico?!” Quero acreditar que a palavra de um politico também tem que ser honrada ou melhor dizendo, tem obrigação de ser honrada, embora reconheça que a maior parte dos políticos não honram a sua palavra. Quero honrar a minha palavra e… a Central de Betuminoso já se encontra em plena laboração!

Após ter informado os meus colegas do executivo, bem como todos aqueles que comigo integraram a lista independente Ponte de Lima Minha Terra nas eleições autárquicas de 1 de outubro de 2017 e os funcionários da autarquia, apresentei hoje o meu pedido de demissão à senhora Presidente da Assembleia de Freguesia de Arcozelo, com efeitos a partir do próximo dia 31 de agosto.

Demito-me porque:

-Não aceito… trair a confiança dos 803 eleitores que votaram na minha lista sabendo de antemão que seria sempre oposição à instalação da central de betuminoso.

-Não aceito… que pretendam transformar a minha freguesia no caixote do lixo industrial do concelho.

-Não aceito… porque existem eventuais riscos para a saúde dos arcozelenses! Já me custa ver morrer bons amigos com a silicose provocada pela inalação do pó de sílica proveniente do corte ou transformação do granito. Basta!…

-Não aceito… que os autarcas e a população da freguesia de Arcozelo estejam impedidos de escolher o melhor caminho para construir o futuro da sua terra e sejam obrigados a aceitar aquilo que não desejam… a porcaria que os outros não querem!

-Não aceito… pois uma unidade deste tipo irá afastar ou condicionar a instalação de excelentes unidades de produção com a possível criação de centenas de postos de trabalho bem remunerados. Nós necessitamos urgentemente de empregos com qualidade, na área de serviços ou em novas tecnologias.

-Não aceito… pois, contrariamente ao que se afirmava, esta Central de Betuminoso não criou e nem irá criar qualquer posto de trabalho para a população de Arcozelo.

-Não aceito… porque não existe qualquer vantagem económica ou social para a freguesia, antes pelo contrário, estou convicto de que se irá gerar uma menos valia para todos aqueles que aqui nasceram e/ou residem.

Saio com a promessa de não mais voltar a liderar uma lista em futuras eleições autárquicas. Mas acreditem que vou continuar determinado e empenhado nos vários combates, pugnando sempre pelo desenvolvimento e bem-estar da população da Vila de Arcozelo. Aqui nasci, aqui vivi e… um dia irei morrer. Esta é a minha terra… a nossa terra. Procurei sempre servir a população de Arcozelo principalmente os mais humildes, os mais carenciados, as crianças, os idosos, os doentes e aqueles que vivem sós desejando apenas um pouco de carinho ou uma palavra amiga. Quero continuar a servir mas a utilizar outras vias que não… a politica! Existe por aí muita gente à minha espera… à vossa espera!

À população de Arcozelo peço desculpa por esta minha demissão. Só vos rogo, encarecidamente, compreensão e não condenação! Faço-o porque adoro a minha terra e com a consciência que a minha continuidade no cargo, sempre em constante conflito com outros órgãos autárquicos do nosso concelho, seria prejudicial para a Vila de Arcozelo. Tenho a certeza que o meu sucessor, juntamente com os restantes elementos do executivo, irá ter pela frente dois anos de sucesso para a freguesia com a execução dos seguintes projetos: Construção do Polo Industrial do Granito; Colocação de Piso Sintético e Sistema de Rega no Campo de Jogos; Concurso público para execução do excelente projeto, recentemente concluído, para a Rua da Ponte do Arquinho; Construção da Casa Mortuária e alargamento dos Cemitérios das Regadas e Paroquial; Pavimentação e alargamento de vários arruamentos da Vila de Arcozelo que já se encontram sinalizados.

Termino com um especial agradecimento à população da Freguesia de Arcozelo que sempre me dedicou um carinho enorme e muita paciência em me aturar. Obrigado a todos e acreditem que me custou imenso tomar esta decisão.

António Fiuza

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Ponte de Lima

PJ investiga incêndio em anexo em Ponte de Lima

Em Freixo

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Bombeiros de Ponte de Lima no local Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Um edifício anexo a uma habitação ficou totalmente destruído pelas chamas na sequência de um incêndio urbano ao início da tarde desta segunda-feira, em Freixo, concelho de Ponte de Lima.

Ao que O MINHO apurou no local, o fogo, de origem desconhecida, consumiu o anexo nas traseiras de uma propriedade na Rua da Quintinha, ficando apenas as paredes de pé, num incêndio que deflagrou de “forma estranha”.

Incêndio destruiu anexo nas traseiras da habitação Foto: Fernando André Silva / O MINHO

O chefe de operações e socorro da equipa dos Bombeiros de Ponte de Lima mobilizada para o local explicou que, à chegada do auxílio, o anexo encontrava-se “totalmente tomado pelas chamas”.

“A primeira equipa que chegou protegeu as imediações para não alastrar para outras habitações nem para os campos de cultivo”, disse a O MINHO.

Com a chegada das restantes equipas, que totalizaram doze elementos da corporação “mãe” de Ponte de Lima e do destacamento territorial do Freixo apoiados por cinco viaturas, o incêndio ficou confinado ao anexo e estava, pelas 18:27, em fase de rescaldo.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

“Há ainda o risco de algumas das paredes cederem”, explicou a mesma fonte.

O MINHO falou com o proprietário da habitação situada na mesma propriedade do anexo que explicou que o mesmo pertence a um irmão, conhecido empresário no ramo do imobiliário na localidade de Freixo.

“A eletricidade do anexo em causa está cortada há muito tempo, não faço ideia de como se terá iniciado este incêndio”, sublinhou, salientando que “é tudo muito estranho”.

Foto: Fernando André Silva / O MINHO

Militares da Guarda Nacional Republicana de Ponte de Lima estiveram na propriedade e registaram a ocorrência.

De acordo com informações recolhidas no local, foi chamada uma equipa da Polícia Judiciária para tentar apurar as causas da ignição.

Não há feridos a registar.

Notícia atualizada às 19h52.

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Ponte de Lima

Ponte de Lima recebe tourada para mulheres e já foi anunciada manifestação contra

A 11 de agosto

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Foto: Ponte de Lima SEM Tortura Animal

Ponte de Lima prepara-se para receber no próximo dia 11 de agosto um evento tauromáquico dedicado ao público feminino. Está também, para o mesmo dia, já marcada uma manifestação contra este evento.

“Toiros p’rás Mulheres”, assim se chama, conta com as cavaleiras Sónia Matias, Ana Batista e Verónica Cabaço, onde serão “lidados” seis touros, e é “dedicado a todas as minhotas”, de acordo com a organização.

Foto: Divulgação

Em simultâneo, decorrerá a “Manifestação Contra a Tourada em Ponte de Lima”, a partir das 15:00, organizada pelo movimento “Ponte de Lima SEM Tortura Animal”.

De acordo com a organização da manifestação, este protesto surge, não só por serem contra este tipo de eventos, mas também por acharem que as mulheres do Minho “não se identificam com esta homenagem”.

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