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Braga

Moradores contra habitações de cariz social em Braga ameaçam com manifestação

Política

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Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

O representante de uma associação de moradores de Ferreiros/Aveleda, em Braga, pediu hoje a “revogação” da decisão da Câmara de construir “59 fogos de cariz social” nos limites daquelas freguesias, alertando para “consequências irreparáveis” para aquela comunidade.

A insatisfação dos moradores foi noticiada em primeira-mão por O MINHO, dando conta de um abaixo-assinado que já circulava por entre as habitações já existentes naquele local. Agora, os moradores ponderam manifestar-se contra uma construção que, diz o presidente da Câmara, ainda nem sequer se sabe se será concretizada.

Numa intervenção durante a reunião quinzenal do executivo, José Manuel Silva, da comissão, disse que, com “o pânico e o medo instalados”, já há quem pondere vender os seus imóveis e ir viver para outro lado.

“Para resolver o problema de 200 pessoas, não podem criar um problema a 2.000”, referiu, adiantando que os moradores não vão aceitar “de ânimo leve o ónus” da Estratégia Local de Habitação de Braga.

Defendendo que no terreno em causa deveria ser criado um espaço verde, os moradores alegam que a “aglomeração de pessoas fragilizadas” poderá ter “consequências irreparáveis” para aquela comunidade “pequena e suburbana”.

Em curso está uma petição, que já conta com mais de 2.000 subscritores, para que a Câmara abandone a ideia de ali construir habitação.

Na resposta, o presidente da Câmara, Ricardo Rio, depois de frisar que o terreno tem capacidade construtiva, disse não concordar que a criação de “menos de 40 habitações” possa ser “lesiva” de toda aquela comunidade.

Ricardo Rio acrescentou que “ainda não é certo” que o projeto se venha mesmo a concretizar.

Anteriormente, Rio já tinha garantido hoje que o município não vai construir qualquer novo bairro social no concelho, vincando que a solução habitacional prevista para Ferreiros não é um bairro social.

“A Câmara não tem intenção nenhuma de construir nenhum bairro social novo, seja em Ferreiros seja noutra parte qualquer do concelho”, assegurou.

Em relação a Ferreiros, disse que está prevista a construção de 38 habitações para um total de 124 pessoas daquela freguesia ou de freguesias limítrofes.

“Não está em causa o realojamento de qualquer bairro. São habitações a custos controlados, para cidadãos absolutamente normais, sem patologias estereotipadas”, acrescentou.

Em exclusivo a O MINHO, o autarca tinha considerado que a petição deste grupo de moradores “enferma de várias enverdades”.

Ricardo Rio fez notar que “no local em causa não se encontra prevista a construção de 59 fogos, antes se tratando de 38 habitações, de tipologia variável entre T1 a T4, de estética e dimensão semelhantes aos blocos vizinhos”.

Blocos na Rua Edgardo Sá Malheiro. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Garantiu ainda que estas habitações procurarão “alojar sobretudo, famílias provenientes da própria União de Freguesias de Ferreiros e Gondizalves e freguesias limítrofes”, rejeitando acusações de moradores que afirmam que os novos inquilinos vêm de outros bairros sociais já existentes na cidade.

Aquela solução consta da Estratégia Local de Habitação (ELH) de Braga, que preconiza um investimento de cerca de 45 milhões de euros, para resolver o problema das 781 famílias sinalizadas em situação de carência habitacional.

A ELH vai beneficiar 781 agregados familiares, que se traduzem em 2.000 pessoas “que têm hoje habitações de menor qualidade ou até indignas”.

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