Ministra defende apoio financeiro estatal para centro de artes em Guimarães

Lamenta que o Governo “esteja em gestão”
Foto: Rui Dias / O MINHO

A ministra da Cultura defendeu hoje a atribuição de um apoio financeiro anual a rondar os 300 mil euros ao Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), em Guimarães, lamentando que o Governo “esteja em gestão”.

“Infelizmente, estamos em gestão, e eu não posso desenvolver o projeto. Mas a ideia é de que este Centro Internacional em Guimarães beneficie de um apoio [financeiro] anual fixo e que possa ser dinâmico no futuro, tal como as fundações sediadas no Porto e em Lisboa beneficiam”, afirmou Dalila Rodrigues aos jornalistas, em Guimarães, após a assinatura de protocolos para a reabilitação do Padrão D. João I e da Igreja Mosteiro Santa Marinha da Costa.

Com esta medida, o CIAJG, nascido aquando da Capital Europeia da Cultura (CEC), em 2012, ficaria equiparado a outras estruturas em situação semelhante, como o Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e a Casa da Música, no Porto, resultantes das respetivas CEC.

“Resultou de Guimarães Capital Europeia da Cultura, temos agora Évora Capital Europeia da Cultura, também com a preocupação de deixar garantias de bom funcionamento e de boa oferta cultural a artística no futuro. Aqui estou para sinalizar a necessidade de enquadrar um orçamento [para o CIAJG] que andará em torno dos 300 mil euros ano”, declarou a governante.

Inaugurado em junho de 2012, no âmbito da Guimarães CEC daquele ano, o CIAJG acolhe parte da “coleção do artista José de Guimarães, composta por arte africana, arte pré-colombiana, arte antiga chinesa, e um conjunto representativo da sua obra”.

José de Guimarães, de nome artístico, nasceu em 1939 naquela cidade minhota e começou a trabalhar como artista na década de 1960, tendo sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian em 1976 e 1977.

O CIAJG é gerido pela cooperativa A Oficina, também responsável por outros espaços da cidade como o Centro Cultural Vila Flor e a Casa da Memória.

A ministra da Cultura e o ministro da Defesa, Nuno Melo, deslocaram-se hoje a Guimarães, para assinarem protocolos com o município para a reabilitação do Padrão de D. João I (Padrão de São Lázaro), alvo de vandalismo e destruição em agosto de 2024, que terá um custo de cerca de 30 mil euros.

“Assinámos também um memorando de entendimento entre o ministério da Cultura e o município de Guimarães para a valorização, o restauro, a proteção, a interpretação e a mediação de todo o património histórico, arquitetónico, arqueológico. Será fundamental que este memorando tenha efeitos concretos, designadamente, e no imediato, na reabilitação da Igreja de Santa Marinha da Costa”, explicou Dalila Rodrigues.

Segundo a ministra, na Igreja de Santa Marinha da Costa, em “situação de emergência”, decorrerá durante este ano uma intervenção para a substituição da cobertura, prevendo-se no futuro uma intervenção de fundo.

“Em Santa Marinha da Costa haverá já uma intervenção através do Fundo de Salvaguarda [do Património Cultural], de que o Património de Portugal dispõe para situações de emergência. A Igreja encontra-se numa situação de emergência. Deveria ter sido substituída a cobertura já na altura da intervenção do arquiteto Frenando Távora na pousada, mas a Igreja ficou para trás e não podia ter ficado”, lamentou a governante.

 
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