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Melo pede que se rejeite tese de “ou é o hospital ou é o quartel” e destaca retorno dos KC-390

Destaca lucro de 11 milhões por unidade vendida
Melo pede que se rejeite tese de “ou é o hospital ou é o quartel” e destaca retorno dos kc-390
Foto: Lusa

O ministro da Defesa destacou hoje o retorno financeiro para Portugal do investimento nas aeronaves KC-390, com um lucro de cerca 11 milhões por unidade vendida, criticando a tese que contrapõe gastos no setor e manutenção do Estado social.

“É bom que os portugueses percebam que, quando às vezes ouvem aquela conversa de ou é o avião, ou é o hospital, ou é o quartel, isso é tudo conversa. Porque um país decente tem de tudo: tem os hospitais, tem as Forças Armadas. A diferença é que nas Forças Armadas tem também retorno”, argumentou Nuno Melo, nas instalações do Estado-Maior da Força Aérea, em Alfragide, Lisboa.

O governante falava na cerimónia de assinatura de um aditamento ao contrato de aquisição das aeronaves KC-390 pelo Estado português à empresa brasileira Embraer, que estabelece a compra de uma sexta unidade e a consagração do direito de opção para aquisição de até dez aeronaves adicionais, que serão posteriormente vendidas a países aliados.

Nuno Melo sublinhou que cada aeronave vendida por Portugal resulta num lucro que já ascende aos 11,3 milhões de euros e salientou que este programa permite “potenciar as indústrias nacionais, que, por seu lado, garantem mais postos de trabalho, a criação de maior riqueza, que depois é redistribuída a bem de todos”.

“Seria quase pecado mortal se não aproveitássemos esta oportunidade”, defendeu o ministro.

Por outro lado, ao albergar em Beja o centro europeu de formação de pilotos das aeronaves KC-390, Nuno Melo defendeu que este investimento contribui para a coesão territorial do país, atraindo mais população para o interior.

“A Força Aérea, com este investimento, acaba por ser um instrumento de coesão territorial”, sustentou.

À margem da cerimónia, Nuno Melo confirmou que este investimento será contabilizado para o esforço adicional que Portugal terá para atingir os 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em despesas militares até ao final do ano, compromisso assumido junto da NATO em julho.

“Dos 2% de crescimento já em 2025, há 20% que têm que ser utilizados em bens, equipamentos e infraestruturas, e nós estamos a falar precisamente nesses 20% de um investimento que obviamente conta, aliás, eu diria que é um investimento paradigmático dos que contam, com uma modernização que as Forças Armadas precisam”, afirmou.

O chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), general Cartaxo Alves, anunciou que existe a possibilidade de a quarta aeronave ainda chegar a Portugal este ano, algo que só se previa acontecer em 2026.

O general apontou que está em causa “o maior programa de Defesa até hoje, quer em termos financeiros, de ambição, quer em termos de futuro” e considerou que os KC-390 são aeronaves “à frente do seu tempo”.

Em Beja, no centro de formação, Cartaxo Alves adiantou que já foram formados pilotos húngaros e estão a ser formados pilotos holandeses.

Em 2019, Portugal acordou adquirir à Embraer cinco aeronaves KC-390 e um simulador, com o objetivo de substituir os Hércules C-130.

Recentemente, o Governo anunciou a intenção de compra de um sexto avião KC-390 da Embraer para a Força Aérea, a aquisição de um segundo simulador e a venda de 10 outros aviões para países da NATO.

No âmbito deste processo foram introduzidas modificações à aeronave para a adequar aos requisitos estabelecidos por alianças como a NATO, Nações Unidas e União Europeia, que fazem com que as aeronaves possam ser adquiridas por outros países com um lucro para o Estado português.

O KC-390 é um avião de transporte militar multifacetado, com valências que vão desde o combate a incêndios florestais, a realização de operações de busca e salvamento, evacuações médicas e missões de ajuda humanitária.

No passado dia 18 de julho, a Força Aérea portuguesa recebeu a terceira aeronave.

 
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