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Alto Minho

Melgaço: Câmara garante condições de segurança em piscina onde morreu uma mulher

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O vereador da proteção civil de Melgaço garantiu que estavam reunidas todas as condições de segurança na piscina do centro de estágios da vila onde, na terça-feira, morreu uma mulher de 33 anos.

 

“Não se tratou de falta de meios de segurança. Na altura do acidente, tínhamos cerca de 600 pessoas no recinto e dois nadadores salvadores e um vigilante mais meios do que obrigam as normas europeias que prevê um nadador salvador para 400 pessoas”, afirmou Hilário Afonso.

O responsável, que é também presidente da Melsport, empresa municipal que gere a piscina aquele complexo, afirmou estar a aguardar pelos relatórios médicos para “perceber” as causas da morte de uma mulher de 33 anos, na terça-feira, naquela piscina ao ar livre, tal como confirmado pelos bombeiros locais.

Hilário Afonso garantiu que, conhecidas as razões do acidente, “tudo será feito, se necessário com reforço dos mais meios de vigilância”.

“A natureza do acidente leva-nos a acreditar que se tratou de uma coisa momentânea, instantânea”, sublinhou Hilário Afonso, adiantando que o alerta foi dado “ao nadador salvador mais próximo do local por uma senhora que estranhou o facto de uma mulher se encontrar imóvel no fundo da piscina”.

Os bombeiros locais foram alertados para um “trauma por mergulho” cerca das 17:30, tendo deslocado para o local uma viatura INEM, a que se juntou a SIV do concelho, e a VMER de Viana do Castelo, que confirmaria o óbito da mulher de 33 anos, natural do concelho vizinho de Monção.

Segundo o vereador da proteção civil, esta foi a primeira morte registada naquele espaço que abriu em 2005, com capacidade para acolher entre 400 a 600 pessoas.

 

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Viana do Castelo

Apreendidas 42 mil doses de droga que iam ser vendidas em Viana

Tráfico de droga

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Foto: Divulgação

A PSP apreendeu cocaína e heroína suficientes para 42 mil doses, durante uma operação de combate ao tráfico de droga para várias zonas do Norte e Centro a partir de três bairros do Porto, informou hoje fonte policial.

Durante a operação, realizada na sexta-feira e hoje divulgada pela PSP em comunicado, foram detidos um homem de 19 anos e uma mulher de 39, ambos sem atividade profissional conhecida.

Segundo a polícia, o esquema agora descoberto passava por venda de droga a pessoas de pelo menos quatro distritos, junto às zonas habitacionais da Pasteleira Nova, Pasteleira Velha e Dr. Nuno Pinheiro Torres, no Porto.

De acordo com a polícia, a venda direta da cocaína e a heroína aos consumidores era feita depois nas zonas de Coimbra, Viseu, Vila Real e Viana do Castelo.

A droga foi apreendida numa busca domiciliária.

Trata-se, em concreto, de cocaína suficiente para 41.065 doses individuais (um total de oito quilos) e heroína que dava para 1.269 doses individuais.

A PSP apreendeu ainda um automóvel e diversos objetos e documentação “relacionados com a referida prática ilícita”.

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Alto Minho

No caminho português até Santiago faz falta o som dos passos de milhares de peregrinos

Reportagem

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Foto: Ilustrativa / DR

Reportagem de Andrea Cruz, da Agência Lusa

No caminho português pela costa, que parte do Porto e passa pelo Minho até Santiago de Compostela, na Galiza, ouve-se a natureza, mas falta o som dos passos de milhares de peregrinos que a pandemia silenciou nos dois países.

“Ouvem-se os pássaros, os grilos, o vento, mas falta o som dos passos dos peregrinos, do cajado a bater nas pedras e a marcar o ritmo da caminhada, das conversas em idiomas de todo o mundo ou das cantigas entoadas em grupo. É triste”, desabafa Alberto Barbosa, o presidente da Associação dos Amigos dos Caminhos Santiago de Viana do Castelo.

O mesmo silêncio atravessa os caminhos Interior e Central nesta rota milenar seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX, quando foi descoberto o sepulcro do apóstolo Santiago Maior em Santiago de Compostela, capital da Galiza, em Espanha.

O surto do novo coronavírus quase parou aeroportos, repôs fronteiras entre Portugal e Espanha e impediu a peregrinação rumo à catedral de Santiago, encerrada desde 13 de março, para venerar as relíquias do santo. A pé, a cavalo ou em excursões, faltam as pessoas no caminho, que no ano passado atingiu um recorde, com 350 mil peregrinos.

O movimento na rota parou há mais dois meses. Suspendeu negócios que germinaram e tinham tudo para ganhar dimensão com o retorno da peregrinação.

“O caminho espalha economia por onde passa. Da pequena mercearia ao café, do restaurante ao alojamento, dos transportes a outros serviços. É uma microeconomia que gera receitas para as localidades mais pequeninas e isso é que é muito interessante no caminho”, reforçou Alberto Barbosa.

O “pico” da presença dos peregrinos na região começa em março e estende-se até final do verão. Em 2019, mais de 80 mil passaram por Valença, rumo a Tui, através da centenária ponte sobre o rio Minho.

Só no albergue de São Teotónio, o primeiro dos três municipais existentes no Alto Minho, pernoitaram 10% daqueles viajantes. O edifício está fechado e sem data para reabrir.

“Até setembro os albergues públicos não devem abrir. Têm de se adaptar e não vai ser fácil, ao contrário dos privados”, explicou à Lusa o vereador do turismo da Câmara de Valença.

José Monte antevê uma redução “drástica” da capacidade do albergue, com duas camaratas e 60 beliches, que até agora acolhiam “muita gente, de todos os destinos”.

“Estamos à espera de orientações para nos adaptarmos”, referiu, olhando o edifício inaugurado há 15 anos.

Mas, desabafa, com o controlo das fronteiras desde março, que impede as deslocações turísticas e de lazer entre os dois países, sendo apenas permitida circulação de transportes de mercadorias e de trabalhadores transfronteiriços, é “muito difícil” ver “alguma luz ao fundo túnel”.

“Mal a nossa ponte internacional, um marco do caminho, esteja aberta e não haja condicionalismos julgo que as pessoas, naturalmente, irão fazer o caminho, seguindo as regras e procurando espaços privados”, vaticinou o autarca.

Além dos peregrinos, Valença está privada da visita regular dos vizinhos galegos, que estão a 400 metros de distância, em Tui. A fortaleza portuguesa, habituada a 12 mil pessoas por dia, está deserta. Dos 200 estabelecimentos comerciais instalados no interior, poucos reabriram e o silêncio tomou conta de ruas e vielas.

“Havia uma cultura de sinergias que funcionava em função da ponte. Havia uma rotina dos espanhóis viram a este lado fazer compras, almoçar, jantar. O bacalhau é o prato de eleição. Hoje isso reduz-se a nada”, desabafou José Ponte.

Perto da muralha, com vista para o Minho e para as duas pontes, João Teixeira regressa a casa, de sachola ao ombro. Mata o tempo em trabalhos no quintal porque a loja de numismática, filatelia e velharias, no rés-do-chão da habitação, está fechada. Faltam os clientes, “cerca de 80% de espanhóis”.

“O pouco dinheiro que tínhamos amealhado foi todo. Enquanto não abrirem a fronteira isto vai ser um caos. É muito triste”, afirmou, lamentando também a ausência dos peregrinos que lhe compravam “muitas conchas de Santiago”.

Em Caminha, não há ponte, mas há um ‘ferryboat’ parado. No centro da vila o albergue gerido pela associação presidida por Alberto Barbosa acolhia mais de seis mil peregrinos por ano. Fechou e já não reabre este ano.

“Este é um espaço de partilha. Pode não ser muito compatível com o novo coronavírus que não se dá muito bem com partilhas. É difícil adaptar estes espaços às exigências da DGS [Direção-Geral da Saúde]. É preciso investir e é preciso ver se justifica”, explicou.

Já em Carreço, Viana do Castelo, no alojamento local criado por Hugo Lopes na casa que herdou da família, as portas reabriam com o desconfinamento, com redução de 30% na lotação e as normas impostas pela covid-19. Em todos os recantos da Casa do Sardão está presente a passagem de peregrinos, mas deles agora nem sinal.

Mas, apesar da incerteza quanto ao futuro, o professor de educação física que trocou o ensino por um novo projeto de vida quis acender uma “luz ao fundo do túnel”.

“Para motivar as pessoas. Dar-lhes algum conforto e alento para que comecem a reorganizar os projetos de viagens, de peregrinação. Não que o façam agora, mas que pelo menos vejam uma luz ao fundo do túnel”, referiu.

Hugo viveu no estrangeiro, lecionou nos PALOP, mas foi nos montes de Carreço, naquele “espaço de partilha”, que diz ter experienciado a “mudança” mais “positiva” na sua vida.

“O sentimento que existe aqui é muito especial. A peregrinação a Santiago não é turismo, pode ser entendido como uma forma de turismo, mas não é. O espírito que se vive é completamente diferente”, frisou.

Hugo Lopes sabe que a normalidade vai demorar a chegar à tradição secular, mas acredita que chegará.

“Vai durar um bocadinho. Vai ser uma partilha com distanciamento quanto baste. Vamo-nos aproximando consoante nos permitam aproximarmo-nos”, rematou.

Em Portugal, morreram 1.289 pessoas das 30.200 confirmadas como infetadas, e há 7.590 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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Alto Minho

Arcos de Valdevez uniu-se e Isabel já tem uma carrinha adaptada

Solidariedade

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Foto: DR / Arquivo

Em janeiro de 2017 foi caminhar na ecovia de Arcos de Valdevez quando começou a notar “uma diferença no pé esquerdo, perda de força e arrastamento de pé”.

Foi aí que iniciou o calvário de Isabel Silva, residente em Gondoriz, Arcos de Valdevez, atravessando os meses seguintes por entre exames e internamentos, até que chegou o diagnóstico “assustador”: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

Seguiram-se várias fases da doença até que Isabel acabou atirada para uma cadeira de rodas, uma das consequências iniciais da doença. Para poder ter mais qualidade de vida, a família deixou um apelo em vários órgãos de comunicação social e através de uma página de Facebook de forma a conseguir adquirir uma carrinha adaptada para transportar a familiar.

O objetivo foi hoje atingido. Isabel Silva já tem uma carrinha adaptada, depois de várias ofertas vindas de diversos pontos da sociedade arcuense e de todo o Portugal.

Numa publicação nas redes sociais, a família de Isabel deixa um agradecimento: “a toda a gente que nos ajudou do fundo do coração. Abre se uma janela de esperança e motivação na vida da Isabel nesta grande batalha contra a doença”.

Não existe cura para esta doença que afeta o sistema nervoso de forma degenerativa e progressiva, mas é possível melhorar a qualidade de vida dos utentes.

A conta solidária, devidamente autorizada pelo Ministério da Administração Interna, foi criada a 28 de fevereiro deste ano. Em três meses, conseguiram angariar mais de 22 mil euros.

Apesar de existirem comparticipações do Estado para este tipo de doentes, a burocracia atrasa de tal forma os pagamentos que muitos chegam já depois do doente falecer.

Com o tempo, Isabel vai deixar de conseguir cuidar de si própria. Mas, mesmo assim, consegue ver um lado “positivo”.

“O melhor é ver o lado positivo, os dias que ainda tenho para estar com os que amo, os passeios a locais novos onde ainda poderei ser levada para conhecer, os mimos, abraços e beijos que ainda posso dar e receber à minha filha, ao meu companheiro, à minha família e às minhas amigas”, destacou Isabel.

Esclerose Lateral Amiotrófica

Filomena Borges, responsável pelo departamento de comunicação da Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA), já havia explicado a O MINHO que este tipo de aquisições [carrinha adaptada] acarretam “demoras” do Estado nas comparticipações aos utentes que sofrem desta doença que afeta a comunicação entre cérebro e músculos.

A responsável daquela associação explicou que existem, atualmente, cerca de 800 casos identificados com ELA em Portugal, surgindo 200 novos casos a cada ano, e que a Segurança Social, através do Estado, disponibiliza apoios para garantir o direito à mobilidade, como é o caso de adaptar viaturas, mas também à comunicação.

Acrescentou, todavia, que estes processos são “muito demorados e os doentes que submetem estes pedidos” nem sempre chegam a usufruir deles em vida, dada a “imprevisibilidade da doença” que não tem ainda qualquer cura.

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

Filomena Borges sumarizou as caraterísticas da ELA, apontando que esta doença surge quando os “neurónios motores responsáveis deixam de transmitir informação entre o cérebro e os músculos, porque morrem precocemente, paralisando o doente”.

“É uma doença profundamente incapacitante, sem causas definidas e sem cura, que, em proporções imprevisíveis, vai tomando conta do corpo da pessoa”, acrescentou.

É uma doença sem reabilitação possível, mas com a possibilidade de assegurar qualidade de vida, através de fisioterapia, terapia da fala, psicologia, entre outros métodos clínicos.

Explicou que a doença pode manifestar-se inicialmente com dificuldades em mover os membros ou de falar e deglutir, afetando ainda a pressão respiratória. “Esta doença, por ser incapacitante, acaba por ser não só da pessoa que a tem mas também da própria família, dos cuidadores informais”.

Segundo dados da mesma associação, existem atualmente cerca de 800 portugueses diagnosticados com Esclerose Lateral Amiotrófica, surgindo cerca de 200 novos casos a cada ano.

A nível mundial, de acordo com informação disponibilizada pela CUF, os dados variam muito segundo o tipo de estudo e a população em causa mas estima-se que existam três a cinco casos de Esclerose Lateral Amiotrófica por cada 100 mil pessoas a nível global.

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