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Braga

Máscaras e emoção dos fiéis no regresso às missas no Bom Jesus de Braga

Regresso das missas

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Foto: Basílica do Bom Jesus do Monte

Reportagem de Vítor Fernando Pereira, da Agência Lusa


Nem as máscaras, obrigatórias, no rosto escondiam o ar de alívio, felicidade e, sobretudo, emoção das seis pessoas que hoje assistiram, na Basílica do Bom Jesus, em Braga, à primeira missa do resto das suas vidas.

“Isto enche-me a alma, é uma sensação que não consigo explicar, não há palavras, não sei”, disse José Luís Tinoco, de 80 anos, o primeiro a chegar para assistir à missa, marcada para as 08:00.

Ciente de que, por causa da idade, integra o chamado grupo de risco, o octogenário garantiu ter todos os cuidados e seguir todas as recomendações das autoridades de saúde, tanto assim que até agora, e desde que a pandemia de covid-19 chegou, o filho, a nora e os netos ainda não entraram na sua casa.

Mas à missa no Bom Jesus, à “sua missa” no Bom Jesus, José Luís Tinoco não podia faltar.

“Senti tanto, mas tanto, a falta disto”, disse, com visível emoção.

Naquela basílica de Braga, Património da Humanidade, não havia missas presenciais desde 14 de março, tendo desde então o reitor celebrado apenas com a companhia de um operador de câmara, que assegurava a transmissão via internet.

“Era um vazio muito grande, um silêncio abismal, mas, ao mesmo tempo, o eco que se ouvia era ensurdecedor”, confessou João Paulo Alves.

No entanto, o sacerdote acredita que o reabrir das portas das igrejas é ainda mais importante para os fiéis que ali encontram a sua “fortaleza e a força para o caminho” e procuram “a graça para vencer a pandemia”.

“Se tivesse de usar uma palavra apenas, essa palavra seria alívio”, referiu.

As missas são adaptadas à nova realidade: à entrada, não há água benta, mas há um dispensador de gel desinfetante para as mãos.

A lotação, que em tempos normais é de 177 pessoas, fica agora reduzida a pouco mais de 60.

Todos, sacerdote incluído, têm de usar máscara, cada banco só dá para uma ou duas pessoas, há uma porta para entrar e outra para sair, há sinalética a pedir para que seja respeitada a distância de segurança, há “rececionistas” que encaminham e orientam quem entra.

O coro, que até aqui reunia umas 15 pessoas, já só pode contar com duas ou, no máximo, três.

Quem comunga, não pode dizer “ámen”.

Fazendo jus ao provérbio “se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé”, é o padre que se desloca até cada uma das pessoas para lhes dar a comunhão. Sempre na mão.

Não há saudação da paz, mas, mesmo assim, os fiéis sentem-se abraçados por Deus, e isso já lhes enche a alma.

“Se uma mudança custa sempre, custa sempre mais quando é imposta e quando se lhe junta o medo. É um recomeço, um passo para voltarmos à normalidade. E um alívio”, disse José Leite, 60 anos, outro bracarense que nunca perde a “missa das oito”, aos sábados, no Bom Jesus, a intercalar a sua caminhada matinal.

O reitor da basílica não esconde as saudades do “pré covid-19” e da agitação que se vivia naquele local de culto.

“Em condições normais, hoje teríamos aqui três casamentos, oito batizados e uma peregrinação com mais de 150 pessoas. Foi tudo cancelado. Mas tudo há de ficar bem”, afirma.

Portugal está desde 03 de maio em situação de calamidade por causa da pandemia, mas o Governo tem entretanto aprovado sucessivas medidas de desconfinamento, estando a partir de hoje autorizado o regresso das cerimónias religiosas comunitárias.

“Quero lá saber que tenha de usar máscara, que tenha de desinfetar as mãos, que tenha de ficar sozinho num banco. É aqui que eu me sinto bem, aqui nunca me sinto só”, soltou José Luís Tinoco.

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Braga

Câmara de Braga empresta sala ao Tribunal de Menores devido à falta de espaço

Pandemia tornou espaço ainda mais exíguo

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Foto: Jornal "Correio do Minho"/correidominho.pt

A Câmara de Braga ‘emprestou’ gratuitamente ao Tribunal de Família e de Menores uma sala no edifício da Rua do Farto, onde está sedeada a Polícia Municipal, para que ali se realizem julgamentos e outras audiências judiciais.

A vereadora Olga Costa adiantou a O MINHO que a cedência da sala – que é usada, normalmente, pelas comissões específicas da Assembleia Municipal – é pelo período de seis meses. “Cedemos o espaço até às 18:30, a hora a que as comissões se reúnem. Mas, se algum dia dela precisarmos, o Tribunal abdica nesse dia”, salientou.

Conforme O MINHO noticiou, a pandemia tornou ínfimo o espaço, já de si exíguo, do Tribunal de Família e Menores de Braga. As regras das autoridades sanitárias obrigaram à criação de uma sala de isolamento, que substituiu a dos advogados. Estes têm agora de vir para a rua ou para o café, para tentarem chegar a acordo em processos que envolvem a tutela de menores. “O Ministério da Justiça devia ter vergonha e arranjar, de imediato, um novo espaço. Isto não tem condições nenhumas”, disse, há dias, a O MINHO, o advogado João Magalhães.

Tribunal de Família de Braga sem espaço leva advogados a fazerem acordos na rua

O jurista diz que para tentar um acordo sobre a tutela de um menor já teve de vir para a rua conferenciar com o colega da outra parte. “Não sou só eu. Também um outro advogado teve de ir para fora do edifício, à chuva, discutir uma outra querela”, lamentou, frisando que os processos que envolvem menores são de “grande delicadeza e impacto social”.

A pequenez do Tribunal, que ocupa dois andares de um prédio estreito no Campo da Vinha, obriga – acrescenta – a que apenas possam entrar seis pessoas, com filas de espera e perdas de tempo. “Ir ao Tribunal de Menores é uma tarefa difícil”, sublinha.

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Braga

Dois detidos com mais de 50 doses de cocaína e heroína em Braga

Tráfico de droga

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Foto: GNR

Dois homens, de 28 e 46 anos, foram detidos por tráfico de droga, esta terça-feira, em Palmeira, Braga, anunciou hoje a GNR. Tinham em sua posse dezenas de doses de cocaína e heroína.

Em comunicado, a GNR refere que, no decorrer de uma ação de policiamento, os militares abordaram um veículo com dois ocupantes que demonstraram nervosismo perante a situação”.

Consequentemente, foi realizada uma busca à viatura que resultou na apreensão de 50 doses de cocaína, cinco doses de heroína, duas navalhas utilizadas para o corte do produto, um estojo com oito lâminas, dois moinhos raladores, quatro cachimbos, 200 euros em dinheiro e do veículo.

Os detidos foram constituídos arguidos e os factos remetidos ao Tribunal Judicial de Famalicão.

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Braga

PS apela à Câmara para não despejar família carenciada em Vila Verde e pede obras na casa

Polémica

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Foto: Divulgação / PS Vila Verde

Uma família que reside numa habitação social em Vila Verde está em vias de ser despejada, após deliberação do tribunal. Recusavam-se a pagar renda por se queixarem de falta de obras na habitação por parte da Câmara.

O executivo PSD diz que foram esgotadas todas as tentativas possíveis para sanar o diferendo, mas a vereação PS ficou ao lado da família, apontando desleixo à autarquia por ter deixado a casa chegar a condições de quase inabitabilidade.

Em comunicado, o vereador socialista José Morais fala em “estado lastimável” da habitação, apresentando um vídeo a mostrar as condições em que a família vive.

José Morais diz que o teto da casa, em Parada de Gatim, já caiu face ao ‘peso’ da chuva, e que a família, com dois filhos menores, é forçada a colocar baldes para aparar a água quando chove.

“A Câmara deixou a casa chegar a este estado de degradação e, para cúmulo, agora, quer expulsar a família por, alegadamente, ter rendas em atraso”, denuncia o vereador e candidato à presidência de Câmara em 2017 pelo PS.

O vereador afirma que a família “pagou sempre a renda até surgirem graves problemas de humidade” e acrescenta que a “Câmara nada fez”.

“Pensem comigo: Perante este cenário quem não deixaria de pagar a renda?”, questiona José Morais, apontando dedo a Júlia Fernandes, vereadora com o pelouro da ação social, a quem acusa de “falta de humanidade”.

“É desumano deixar pessoas a viver nestas condições e nada fazer para resolver o problema. É desumano pretender pôr uma família a viver na rua, em particular nesta fase tão difícil que atravessamos”, diz José Morais, adiantando que a função dos políticos é “defender todos em geral e os mais desfavorecidos em particular”.

O vereador pede ainda ao presidente da Câmara, António Vilela, que suspenda a ordem de despejo e “ordene a execução imediata de obras nas habitações sociais”.

Câmara nega

Em declarações ao jornal Terras do Homem, a Divisão Jurídica e a Divisão de Educação e Promoção Social afirmam que “foram esgotadas todas as tentativas possíveis para sanar o diferendo”, desmentindo a versão da família.

Explica que o contrato de arrendamento foi celebrado em 2011 e que, em maio do ano seguinte, a família já se atrasava a pagar a renda, “situação que se verificou recorrentemente”.

Diz ainda a autarquia que, a partir de maio de 2016, a família deixou de pagar as rendas, alegando “a existência de problemas de humidade provocados pelo painel solar”.

Diz o Município que “mandou reparar o referido painel no mês seguinte, conforme consta da ficha de cabimento”, mas que, mesmo assim, não voltou a pagar quaisquer rendas desde esse período.

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