Neste Artigo
A primeira das seis marchas LGBTQIAP+ do Minho este ano é já na próxima semana, no dia 3 de junho, e o Braga Fora do Armário espera que seja a maior edição de sempre na cidade, com mais de mil pessoas.
Para esta ano, o coletivo optou por um “grito de desabafo” inspirado na canção FMI de José Mário Branco para o seu lema: “quero ser feliz, porra”.
A discussão para o mote surgiu em várias reuniões abertas em que os problemas enfrentados pela comunidade foram abordados, nomeadamente na saúde, na educação, educação das novas gerações para uma sociedade mais inclusiva e diversa, além de tópicos como habitação, uma vez que jovens LGBTQIAP+ enfrentam dificuldades em serem aceites.
Outras questões como xenofobia e racismo, e também situações internacionais foram lembrados. No entanto, segundo Catarina Barbosa, que faz parte do Braga Fora do Armário, não foi encontrado um tema que fosse superior aos outros.
“É a mais básica das necessidades”
“Então, quase por brincadeira citou-se parte do FMI do José Mário Branco, grande referencia na musica de intervenção: “Quero Ser feliz, porra!” Na música ele diz isto num momento em que está “farto” já não pode ouvir mais a culpa ser do FMI ou de governo ou de outro qualquer, diz ainda que não lhe interessa as coisas mesquinhas e mundanas que se tornam sensação no momento. Ele apenas quer ser feliz, quer que o deixem em paz e o deixem ser feliz. E no fundo é isso que queremos”, disse Catarina a O MINHO.
“É a mais básica das necessidades, transversal a qualquer pessoa. Queremos ser felizes. É isso que nos move e é disso que isto se trata. O que pretendemos mostrar é que ainda não temos a felicidade que nos foi prometida. Não podemos ainda estar de forma tranquila a viver as nossas vidas, sem ter de olhar por cima do ombro com receio da discriminação a cada esquina”, completou Mafalda Gomes, também do coletivo.
Esta vai ser a 11.ª edição da marcha em Braga, e o coletivo já consegue identificar alguns avanços na luta contra o preconceito, mas também reconhece que ainda é preciso melhorar.
“A sociedade está a evoluir”
“A sociedade como um todo está a evoluir. Vejo as gerações mais novas, crianças e adolescentes a combaterem e destruíram as ideias de género que minha geração tem e até que as anteriores tinha. E isso dá-me esperança para lutar por um mundo melhor”, refletiu Catarina.
Para Mafalda, é encorajador saber que Braga já chega à sua 11.ª marcha, o que significa um progresso nesta luta. A integrante do coletivo aponta que um dos avanços significativos é o aumento da visibilidade e da conscientização sobre as questões LGBTQIAP+ na sociedade, que ajuda a combater estereótipos negativos e a desconstruir preconceitos.
No entanto, Mafalda reforça que o progresso se reflita em políticas, leis e proteções para a comunidade, e que isso inclui a criminalização da discriminação e do discurso de ódio, bem como a garantia de proteção aos direitos já adquiridos.
“É importante também que sejam implementados programas educacionais para combater o preconceito e a homofobia nas escolas e na sociedade em geral, explica Mafalda.
“Hastear uma bandeira é um acto bonito, mas simbólico”
Na semana passada, algumas câmaras, e até a Assembleia da República, demonstraram apoio à comunidade no Dia Internacional contra Homofobia, Transfobia e Bifobia. A autarquia de Cabeceiras de Basto, por exemplo, hasteou a bandeira do arco-íris pelo segundo ano consecutivo.
O coletivo dá as boas-vindas a estas actos. No entanto, lembram que não basta ficar apenas nas palavras e nos gestos.
“Hastear uma bandeira ou iluminar um edifício é um acto simbólico, bonito, sim, mas simbólico. O que nos interessa é as políticas e as medidas nas quais isso se reflecte”, pontua Catarina.
“Embora a visibilidade e o apoio político sejam importantes, a luta contra o preconceito e a garantia dos direitos LGBTQIAP+ requerem ações abrangentes em diversas áreas”, completa Mafalda.

A concentação da marcha do próximo dia 3 de junho começa pelas 16:00 no Parque da Ponte, e vai pela Avenida da Liberdade até o coreto da Praça da República, onde vai ser lido o manifesto e serão feitos os discursos. Antes, este sábado, vai acontecer uma festa pré-marcha, no Rick Universal, em Braga, pelas 22:00.
Seis marchas no distrito de Braga
Esta será a primeira de seis marchas programadas para o distrito de Braga este ano, um quarto das 24 que já estão confirmadas para 2023 em Portugal.
A marcha seguinte vai ser em Guimarães, que vai realizar a segunda edição no dia 1 de julho.
Segue-se Barcelos, que já vai para a quarta edição no dia 15 de julho. Famalicão (9 de setembro), Vizela (30 de setembro) e Esposende (7 de outubro), assim como Guimarães, terão as suas segundas marchas LGBTQIAP+ este ano.
Outros concelhos próximos ao Minho também vão receber marchas este ano: Vila Real (20 de maio), Chaves (17 de junho), Porto (8 de julho), Santo Tirso (15 de julho) e Felgueiras (29 de julho).