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Marcelo teve “conversa muito interessante” com Lula (e desdramatizou cancelamento de Bolsonaro)

Política

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Foto: Ricardo Stuckert

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, que hoje se reuniu com o antigo Presidente brasileiro Lula da Silva, afirmou que falaram da guerra na Ucrânia e do “equilíbrio geopolítico”, numa conversa “muito interessante”

O encontro entre Marcelo Rebelo de Sousa e Lula da Silva — que defrontará o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, nas eleições presidenciais de 02 de outubro — realizou-se na residência oficial do cônsul-geral de Portugal em São Paulo, Paulo Nascimento, e durou cerca de uma hora e 45 minutos.

“Falámos dos temas mundiais importantes, muito importantes, como é que o Presidente Lula via a questão da Ucrânia, a duração da guerra, os efeitos da guerra, o equilíbrio geopolítico, a situação económico-social”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, no fim da reunião.

Lula da Silva esteve acompanhado por Celso Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores nos seus dois governos, e não prestou declarações à comunicação social.

Segundo o Presidente português, “foi uma análise muito, muito abrangente, muito longa, por isso mesmo muito abrangente, mas muito interessante”.

Interrogado se quanto à invasão da Ucrânia pela Rússia houve alguma aproximação ou pontos de vista totalmente opostos, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que as posições são diferentes e que no Brasil esta guerra é vista “como um conflito europeu”.

“Daí a importância desta conversa, porque não é apenas um conflito europeu, há aqui um problema de equilíbrio geopolítico. E é bom que quem está noutros continentes tenha a noção exata de que esse equilíbrio geopolítico toca a todos, quer dizer, o mundo de hoje já não conhece separações, não conhece fronteiras”, considerou.

Marcelo Rebelo de Sousa realçou que Portugal é membro da União Europeia e da NATO e tem uma posição “muito clara” sobre a guerra na Ucrânia.

“Nós somos não só solidários como claramente determinados nas posições da União Europeia e da NATO. Portugal, além do apoio humanitário, tem dado inclusive apoio militar. Não é essa a posição do Brasil e não é essa a visão que se tem no Brasil e se tem noutros continentes em relação àquele conflito”, referiu.

A comitiva portuguesa neste encontro incluiu o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, e o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Francisco André.

Também estiveram presentes Luís Faro Ramos, embaixador de Portugal em Brasília, e Maria Amélia Paiva, consultora do Presidente da República para as relações internacionais.

Deixou cair Brasília

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou hoje que deixou cair a ida a Brasília para um encontro com o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e já está a reprogramar a sua agenda em São Paulo

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas no fim de um pequeno-almoço com o antigo Presidente do Brasil Lula da Silva, na residência oficial do cônsul-geral de Portugal em São Paulo, que durou cerca de uma hora e 45 minutos.

Interrogado se vai ou não viajar hoje ao fim do dia para Brasília para se encontrar com Bolsonaro na segunda-feira, respondeu: “Houve um convite escrito, eu aceitei por escrito. Na medida em que não aparece uma confirmação escrita, isto quer dizer que, de facto, eu vou ficar no programa originário”. E acrescentou: “Não tem drama nenhum”.

O Presidente da República assinalou que o programa inicial desta sua visita ao Brasil só incluía Rio de Janeiro, para assinalar os cem anos da travessia aérea do Atlântico Sul, e São Paulo, para a Bienal do Livro. Depois surgiu o convite de Jair Bolsonaro para ir a Brasília.

Marcelo Rebelo de Sousa indicou que aguardará ainda “até ao começo da tarde” por uma eventual “confirmação por escrito” da parte da Presidência do Brasil sobre esse encontro e que, se não chegar, o seu programa “fica por São Paulo — como esteve sempre para ficar no início”.

O chefe de Estado adiantou que já está a acrescentar pontos à sua agenda em São Paulo no tempo que terá até viajar de regresso a Portugal: “Já estou a reprogramar. Estou no plano A, que depois foi substituído pelo B. Voltamos ao plano A”.

“Está visto que os planos A são sempre preferíveis”, observou.

Até agora, continuava oficialmente em aberto se Marcelo Rebelo de Sousa iria ou não viajar para Brasília hoje ao fim do dia, para um encontro seguido de almoço com o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no Palácio Itamaraty, na segunda-feira.

Jair Bolsonaro declarou à CNN Brasil na sexta-feira que tinha decidido cancelar o almoço entre os dois, o que justificou com o facto de Marcelo Rebelo de Sousa se ir encontrar hoje com Lula da Silva.

O Presidente português desvalorizou reiteradamente este episódio e disse que aguardava uma eventual comunicação por escrito do seu homólogo.

Bolsonaro vai recandidatar-se ao cargo nas presidenciais marcadas para 02 de outubro, nas quais irá defrontar Lula da Silva.

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