A GNR levantou hoje um auto de notícia por danos verificados em duas máquinas e um trator que realizam trabalhos de prospeção de lítio ao serviço da Savannah, em Covas do Barroso, Boticas, segundo fonte da Guarda.
A fonte do Comando de Vila Real da GNR disse que durante a noite de quarta para quinta-feira alguém danificou duas máquinas de perfuração e um trator de apoio e que, depois do alerta, uma patrulha do posto de Boticas foi ao local e levantou um auto de notícia.
A informação foi inicialmente dada à agência Lusa através de um e-mail que referia que ativistas contra a mina de lítio destruíram máquinas de prospeção em Covas do Barroso, depois de invadirem a área de concessão, e que esta ação representa um escalar da resistência ao projeto que pretende destruir as serras do Barroso.
A Lusa confirmou esta situação com a GNR e contactou a empresa Savannah que afirmou que, “apesar deste episódio, os trabalhos no terreno continuaram hoje com naturalidade” e que “assim continuarão”.
A Savannah esclareceu ainda que as máquinas afetadas são subcontratadas, mas também uma máquina de trabalho agrícola e um trator de um habitante da aldeia de Covas do Barroso, com quem a empresa referiu estar “totalmente solidária” hoje.
“A Savannah está a fazer o trabalho legitimado pelo Estado em terrenos onde temos autorização para trabalhar. Esperamos que as autoridades competentes façam o seu trabalho de proteção de pessoas e bens, fazendo cumprir a lei”, frisou.
Disse ainda que “os indivíduos que se vangloriam de atos de vandalismo não são ativistas, são criminosos”.
“É, infelizmente, algo que antecipávamos como resposta ao empenho da Savannah em criar mais empregos locais e desenvolver um diálogo cada vez mais construtivo com a população local”, apontou.
A Savannah quer explorar lítio na área de Covas do Barroso, no norte do distrito de Vila Real, mas a mina é contestada por populares, autarcas e ambientalistas.
Nos últimos sete anos, foram realizadas várias manifestações e submetidos processos judiciais, entre outras ações de luta contra a exploração mineira neste território.
O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.
Em fevereiro, os trabalhos de prospeção estiveram suspensos durante 15 dias em Covas do Barroso, em consequência de uma providência cautela.
A providência cautelar deu entrada no Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela e foi interposta por três proprietários contra a servidão administrativa concedida pelo Ministério do Ambiente em dezembro, que permite à Savannah aceder a terrenos privados e baldios durante um ano.
Depois de uma paragem de duas semanas e do ministério responder à providência com uma resolução fundamentada, invocando o interesse público do projeto, a empresa retomou a campanha de prospeções de lítio.
Na semana passada, a Comissão Europeia incluiu os projetos de exploração de lítio em Boticas e Montalegre no primeiro lote de projetos designados como estratégicos ao abrigo do Regulamento Europeu das Matérias-Primas Críticas.