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Alto Minho

Manta de eucaliptos aviva memória dos dias em que o “diabo andou à solta” em Monção

Reportagem

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Foto: Facebook de Praça da República de Monção

A ‘manta’ de eucaliptos que hoje cobre as quatro aldeias de Monção mais afetadas pelos fogos de outubro de 2017 tem avivado na memória os dias em que “o diabo andou à solta” naquele concelho do Alto Minho.


As chamas começaram já a noite do dia 14 de outubro de 2017 tinha começado a cair. Deflagrou nas freguesias vizinhas de Longos Vales e Merufe. Quando chegou à aldeia de Bela saltou o rio Minho e atingiu a Galiza. O incêndio foi dado como extinto no dia 16, mas deixou um rasto de destruição em várias das 24 freguesias de Monção, no distrito de Viana do Castelo.

Longos Vales, Merufe, Barbeita e Bela foram das mais atingidas.

“Foi num ápice. A velocidade era tal, cerca de 30 a 40 quilómetros por hora. Ardia mais pelo ar do que pelo chão. Pensei que ia acabar o mundo, que não nos íamos salvar”, disse hoje à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Bela, que viu 95% da sua área da aldeia ser consumida pelo fogo.

Passados dois anos, Luís Cunha disse sentir-se “frustrado e impotente” por ver os cerca de 500 habitantes da aldeia, na maioria idosos, “completamente assustados” com a “invasão de eucaliptos”.

“Até ao momento não houve nenhuma intervenção de ordenamento florestal. Onde existiam árvores autóctones neste momento proliferam eucaliptos. Há eucaliptos por todo o lado, até junto aos aglomerados habitacionais”, lamentou, temendo a ameaça de “nova tragédia”.

Sem recursos para “combater” a espécie, Luís Cunha sublinhou que, “se o terror voltar”, dentro de um a dois anos, “será muito pior do que em 2017″.

“A freguesia não tem floresta, tem uma manta de eucaliptos. Os proprietários não têm condições para limpar os terrenos. Tenho alertado várias vezes, mas a Câmara de Monção também não tem meios para poder atuar”, lamentou.

Em Barbeita, a mesma queixa. O autarca, João Sousa, explicou que “os particulares nada fizeram” pelos terrenos consumidos pelo fogo de há dois anos, que agora são cobertos por “milhares e milhares de eucaliptos”, a “acha certa para uma grande fogueira”.

“Os eucaliptos nasceram de uma tal forma que hoje a freguesia está infestada de eucaliptos. Está pior do que antes dos incêndios de 2017. É tremendo. Não sei como nasceram tantos”, desabafou.

O receio de que o “fim do mundo” volte a assolar a aldeia traz-lhe à memória o pior dia da sua vida.

“Não vou esquecer nunca a sensação de colocar a minha mulher, a filha e os netos na cave da casa e de partir, com o genro e amigos, para tentar travar o diabo que andava solta. Um monstro que devorava tudo por onde passava. Ficámos à sua mercê, cercados por fogo por todos os lados. Mas sobrevivemos”, frisou.

Há dois anos, o presidente da Junta de Merufe, Márcio Alves, juntou o executivo e partiu para o terreno para ajudar bombeiros e sapadores.

Na sua aldeia “desapareceram cerca de 1.600 hectares de um total de 3.550 hectares consumidos em todo o concelho de Monção”.

A casa de primeira habitação e vários armazéns e cortes destruídos pelo fogo “foram todos reconstruídos”, mas “o principal” está por fazer – “a burocracia é um contratempo”.

“Temos cerca de um milhão de euros aprovados em candidaturas para fazer reflorestação. A candidatura, que prevê intervir em 320 hectares, ainda está dependente de questões burocráticas e outra, de mais 100 hectares, está a aguardar aprovação”, explicou.

Dois anos depois da tragédia, adiantou, “uma das candidaturas já foi adjudicada e deverá começar a ser executada este mês”.

Em Longos Vales, Pedro Rodrigues tinha tomado posse da Junta de Freguesia que conquistou nas autárquicas de 2017 na véspera da chegada do fogo e não tinha tido tempo para conhecer os cantos à casa.

“Tinha a Proteção Civil em cima de mim a pedir informações, meios e apoios. Vi-me aflito”, admitiu.

Na floresta, “completamente destruída”, ainda “decorrem trabalhos de abate dos pinheiros queimados” e os eucaliptos vão ganhando terreno.

“A curto prazo vamos ficar invadidos de eucaliptos”, referiu.

Os dias “muito complicados” de outubro de 2017 “nunca mais serão esquecidos” por terem ardido “áreas, dentro da própria aldeia, que não se pensava que pudessem arder”.

“Só não ardeu mais porque a população interveio e a entreajuda foi mais forte do que o fogo”, destacou.

Reportagem de Andrea Cruz, da agência Lusa

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Ponte de Lima

Direito de Resposta – “Aveleda responsável pela redução de caudal de rio em Ponte de Lima, conclui APA”

Por Aveleda, S.A.

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Foto: DR

Ao abrigo da Lei de Imprensa, é publicado o Direito de Resposta de Aveleda, S.A. à notícia “Aveleda responsável pela redução de caudal de rio em Ponte de Lima, conclui APA”, publicada em 08 de agosto de 2020.

Exmo. Sr. Director do Jornal “O Minho”

Dr. Thiago da Costa Correia,

 

Na sequência da notícia publicada neste Jornal, no passado dia 08/08/2020, intitulada de “Aveleda responsável pela redução de caudal de rio em Ponte de Lima, conclui APA”, vem a Aveleda, S.A., ao abrigo do artigo 24.º da Lei n.º 2/99, de 13 de Janeiro (Lei de Imprensa), exercer o seu direito de resposta, que deverá ser publicado com igual destaque, nos seguintes termos:

 

  1. A referida notícia destaca a posição da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) face à alegada responsabilidade da Aveleda pela redução do caudal do rio Estorãos, referindo expressamente ter a APA concluído que a “a redução do rio Estorãos, em Ponte de Lima, está relacionada com a captação para a exploração vinícola da Aveleda”.
  2. A Aveleda esclarece não existirem quaisquer dados técnicos que sustentem a conclusão alegadamente extraída pela APA, já que esta – ou qualquer outra entidade – não realizou, até ao momento, quaisquer medições de caudal da linha de água e muito menos analisou a relação entre os períodos de bombagem e o escoamento do mesmo. 
  3. Diligências essas que foram expressamente requeridas pela Aveleda, face às acusações absolutamente infundadas de que tem sido alvo.
  4. Não obstante ter sido efectivamente notificada, em momento algum lhe foi imputada qualquer tipo de responsabilidade, tendo-lhe sido unicamente requerido pela APA a redução temporária do volume de captação de água do ribeiro Formigoso, atendendo às proporções mediáticas deste caso.
  5. É falso que a equipa do SEPNA, da GNR de Arcos de Valdevez tenha “verificado que há uma redução do caudal do rio após a captação”. Esta equipa apenas constatou que o caudal do rio estava abaixo do normal, jamais tendo relacionado esta diminuição com a captação da Aveleda.
  6. O que, de todo modo seria impossível, pois que à data das diligências, bem como nos dias anteriores e posterior às mesmas, não ocorreu qualquer captação de água do ribeiro Formigoso. Nos termos da licença da Aveleda, a captação de água é cíclica, realizando-se entre as 24h00 e as 5h00, por períodos curtos de cerca de três dias, intervalando com períodos mais longos, sem qualquer captação.
  7. A Aveleda não tem qualquer responsabilidade pela redução do caudal do rio Estorãos, não resultando, sequer, da sua captação, qualquer alteração visível na linha de água, conforme confirmam os diversos testes visuais efectuados quanto ao seu impacto no ribeiro Formigoso.
  8. Pois que, não existe qualquer redução do caudal do ribeiro do Formigoso, onde se situa a captação de água da Aveleda, nem tão pouco no local da afluência deste com o rio Estorãos, que dista 1,6km, não restando, por isso, dúvidas de que não pode ser esta captação causa da redução drástica do caudal do rio Estorãos junto à ponte velha, desconhecendo a Aveleda as razões que motivam esta redução.
  9. Conforme se pode verificar no local, o caudal do ribeiro do Formigoso e o caudal o rio Estorãos, a montante da afluência do ribeiro do Formigoso, está perfeitamente normal para esta época do ano.
  10. É visível em imagens captadas por satélite que em anos anteriores, por exemplo, 2009 e 2013, o caudal do Rio Estorãos junto à ponte velha, estava igualmente reduzido e seco, altura na qual a Aveleda não tinha qualquer vinha, pois esta data de 2018.
  11. No ano passado o caudal do rio Estorãos não teve o mesmo efeito de redução, mesmo com a captação de água por parte da Aveleda dentro das limitações legais e equivalentes às praticadas este ano no ribeiro Formigoso, como demonstram algumas imagens captadas este ano, o que nos leva a crer que a causa da redução do caudal se deve a razões alheias à nossa responsabilidade.
  12. A Aveleda permanece inteiramente disponível para cooperar em tudo quanto se revele necessário, encontrando-se, aliás, a reunir todos os elementos que permitam o cabal esclarecimento da situação.
  13. Face às declarações agora prestadas ao Jornal “O Minho”, desprovidas de qualquer fundamento, a Aveleda reitera ainda o convite para conhecer a vinha de Cabração feito há mais de um ano, ao Sr. Presidente da Junta de Estorãos que, estranhamente, nunca mereceu resposta, na expectativa de que seja agora acedido.
  14. Sem prejuízo, a Aveleda não pode continuar a ser alvo de denúncias e acusações sem qualquer sustento técnico-científico.
  15. Desta forma, a Aveleda afasta qualquer responsabilidade pela redução do caudal do rio Estorãos, tudo fazendo para repor a verdade dos factos.
  16. Recorda-se que a Aveleda é uma empresa com elevada responsabilidade ambiental e social conforme atestam as suas certificações, visíveis no site oficial da empresa, e os seus projectos de sustentabilidade vitícola. A Vinha de Cabração foi alvo dum projecto de biodiversidade realizado em conjunto com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICN) e que visou a plantação de mais de 4.000 árvores nas bordaduras da vinha, com vista ao desenvolvimento da fauna e flora daquela zona. Esta empresa realizou ainda sementeiras, nas vinhas, de espécies produtoras de sementes, que muito contribuirão para atrair pássaros, mamíferos e outras espécies naquele local, não podendo esquecer ainda a elevada contribuição da Aveleda na criação de postos de trabalho para as populações que ali residem.

Em resposta à notícia (08/08/2020):

Aveleda responsável pela redução de caudal de rio em Ponte de Lima, conclui APA

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Alto Minho

Reabilitação “urgente” em igreja de Paredes de Coura pronta até final do ano

Rubiães

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Foto: Divulgação / DRCN

As coberturas da igreja e torre de São Pedro de Rubiães, em Paredes de Coura, estão a ser reabilitadas, numa intervenção “urgente” de 50 mil euros a concluir até final do ano, foi hoje divulgado.

Em comunicado, a Direção Regional de Cultura do Norte (DRCN) justifica a “urgência” da intervenção no templo, classificado como Monumento Nacional, com “o avançado estado de degradação em que as coberturas da igreja se encontravam, com particular incidência nas águas do telhado voltadas a norte”.

A empreitada, orçada em cerca de 50 mil euros, é financiada pelo Ministério da Cultura, através DRCN, com o apoio da Câmara de Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo.

“Com a empreitada em curso pretende-se repor o bom desempenho das coberturas da igreja e corpo da sacristia, através da substituição integral do revestimento cerâmico dos telhados por outro idêntico e colocação de novos rufos, bem como a revisão, tratamento e reforço de todos os madeiramentos da estrutura de suporte”.

A intervenção prevê ainda a limpeza das fachadas, da torre e das restantes superfícies em granito, “atendendo à colonização biológica intensa que apresentam”.

A igreja de São Pedro de Rubiães, na freguesia com o mesmo nome, é propriedade do Estado e tem culto regular.

“Trata-se de um dos exemplares mais interessantes do românico do Alto Minho, que se insere ainda numa paisagem envolvente bem conservada. Mantém na fachada principal um portal de arco pleno bem decorado, ao qual acresce um conjunto de cachorros singular, com motivos vegetalistas e antropomórficos a suportar cornija enxaquetada que envolve a nave e capela-mor”, destaca a DRCN.

A igreja “terá sido construída em finais do século 13, integrando na configuração atual do corpo da igreja alterações realizadas já durante o século XVI, sendo que a torre sineira foi introduzida posteriormente, a norte”.

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Alto Minho

Viana do Castelo faz empréstimo de 2,7 milhões para obras a realizar até 2021

Estradas, equipamentos escolares e desportivos

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Foto: CM Viana do Castelo (Arquivo)

A Câmara de Viana do Castelo aprovou hoje, com a abstenção do PSD, a contratação de um empréstimo de 2,7 milhões de euros, para financiar investimentos em estradas, equipamentos escolares e desportivos a concluir até 2021.

Na apresentação da proposta, o presidente da câmara, o socialista José Maria Costa, explicou que, com a contratação daquele empréstimo, “não fica colocada em causa a disponibilidade financeira do município”, acrescentando que os 2,7 milhões de euros visam “garantir a componente nacional de candidaturas apresentadas a fundos comunitários e já aprovadas, com taxas a fundo perdido de 85%”.

Daquele montante, a aplicar em 2020 e 2021, cerca de um milhão de euros será investido na requalificação de estradas e caminhos municipais, meio milhão de euros na reabilitação do pavilhão municipal Zé Natário, 900 mil euros na construção de relvados sintéticos e equipamentos desportivos e 300 mil euros, na requalificação da escola EB 2,3 Pintor José de Brito.

A bancada do PSD no executivo municipal justificou a abstenção com o facto de, em fevereiro, a assembleia municipal ter aprovado a contratação de um empréstimo de médio e longo prazo para financiamento de investimento, no valor total de 3.882.500 euros, mas “muitos destes investimentos não foram realizados”.

“A nova proposta para investimentos vem hipotecar a liquidez financeira deste município. Preocupa-nos este facto, não os investimentos, porque os consideramos relevantes para a estratégia de desenvolvimento local. A nossa preocupação prende-se exclusivamente com o não comprometimento financeiro da autarquia, uma vez que nos parece que, neste momento, particularmente devido às contingências atuais de crise, é um risco enveredar por uma estratégia de investimento assente em empréstimos bancários”, sustenta a declaração de voto do PSD.

Na reunião camarária de hoje, foi ainda aprovado, por unanimidade, um investimento de mais de 2,1 milhões de euros em transportes escolares, refeições e auxílios económicos a alunos do concelho, para o ano letivo 2020/2021.

Foi ainda aprovada, por unanimidade, a abertura de um concurso público, no valor de 750 mil euros, para concluir a remoção de coberturas com placas de fibrocimento de cinco escolas do concelho.

De acordo com a proposta, as escolas básicas da Abelheira, Carteado Mena, Pedro Barbosa, Foz do Neiva e Arga e Lima “vão ter as atuais coberturas substituídas por painéis de poliuretano em sistema ‘sandwich'”.

“Este investimento municipal corresponde à última fase da remoção de fibrocimento nos edifícios escolares”, sustenta o município, lembrando que, até 2017, foram investidos mais de meio milhão de euros na substituição das coberturas em fibrocimento de treze equipamentos escolares, designadamente escolas de ensino básico e jardins-de-infância”, refere a proposta aprovada.

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