“Mal entrei no balneário, ouvi os atletas dizerem que há um jogo para ganhar quinta-feira”

Artur Jorge

Declarações após o jogo FC Porto-SC Braga (4-1), da oitava jornada da I Liga de futebol, disputado na sexta-feira:

– Artur Jorge (treinador do SC Braga): “Não conseguimos ser tão competentes como o adversário. Tivemos uma primeira parte longe do nosso habitual. Ainda assim, tivemos o jogo equilibrado, com maior ascendente do FC Porto. Só que, nesse momento, sofremos dois golos em minuto e meio e isso condicionou o resto do jogo. Estivemos diferentes para melhor na segunda parte, mas não chegámos àquilo que pretendíamos.

As consequências são imediatas: perdemos três pontos. Naturalmente, não queríamos este resultado e vínhamos cá para tentar ganhar, mas temos de continuar a olhar para a frente.

Mal entrei no balneário, ouvi os atletas dizerem que não valia a pena ficarmos de cabeça baixa, porque temos um jogo para ganhar na quinta-feira [frente ao Saint-Gilloise, para a Liga Europa]. Esse é o estado de espírito deles, que naturalmente estão tristes.

Para mim, [a derrota] não belisca rigorosamente nada. Podem querer rotular-nos do que quiserem, mas sei quais são os nossos objetivos. Por isso, não alterará nada. Perdemos um jogo em casa do campeão nacional e isso não nos haverá de afetar no campeonato.

O FC Porto foi melhor na globalidade do jogo. Houve muito mais Sporting de Braga na segunda parte. Tivemos, sobretudo, outra atitude competitiva, que me agradou mais e se aproximou do que costumamos ser. Fomos em busca do empate, tivemos uma bola no ferro e estávamos no nosso melhor momento quando fizemos o golo. Depois, somos contrariados outra vez ao sofremos o terceiro golo, com alguma infelicidade à mistura.

Quando se dá a expulsão [do guarda-redes Matheus], ficámos com o resultado definido, que, na minha opinião, era exagerado. O nosso adversário teve o seu aproveitamento e aumentou para números que creio que não merecíamos, mas acabam por ser factuais”.

– Sérgio Conceição (treinador do FC Porto): “Os resultados são importantes, mas não são aquilo que nos guia. O que nos guia é o trabalho diário, e temos de ganhar confiança diariamente para jogar bem e ganhar os encontros. A equipa fez uma excelente partida.

Entrámos da forma que faz parte das características dos meus atletas. Fomos uma equipa agressiva, intensa, à procura de limitar a dinâmica do adversário, sabendo explorar com bola aquilo que tínhamos para explorar. Estrategicamente, foi um jogo acima da média.

Estes são os mesmos jogadores que estiveram presentes nos últimos jogos. Não éramos assim tão maus, nem somos agora assim tão bons. Somos o que somos. Trabalhámos de forma determinada e ambiciosa para conseguir os objetivos.

São três pontos importantes, frente a uma belíssima equipa, que tem feito um trajeto fantástico. Isso vem abrilhantar a vitória. Parabéns aos jogadores, pela dedicação e humildade. Fomos coesos a todos os níveis. Desta forma, o futuro será bem mais positivo do que foi este passado recente.

Não há revolta nenhuma, aqui há trabalho e dignidade de quem trabalha neste clube em tentar conseguir os melhores resultados. São momentos que vivemos de uma forma apaixonada. Queremos sempre ganhar e ‘amassar’ os adversários, mas nem sempre é possível, porque o adversário também tem qualidade.

Por vezes, sente-se nos adeptos alguma impaciência e isso acaba por passar para a equipa. Estamos a falar de jogadores jovens, muitos dos quais no início do seu trajeto, e é preciso tranquilidade e confiança.

O meu festejo [no 3-1] virado para as bancadas e a puxar pelos adeptos tem a ver com isso. Depois disso, o Sporting de Braga praticamente não existiu. Tivemos cinco, seis ou sete ocasiões claras antes da expulsão do Matheus. Foi nesse sentido que festejei o golo assim, também porque representava melhor aquilo que estávamos a fazer em campo.

Não é, de todo, o único bom jogo que fizemos. Já tivemos jogos muito interessantes e de muita qualidade esta época, mas não estivemos tão bem em um ou outro jogo. Estamos conscientes disso e sabemos o que temos de fazer e o que nos faltou. Acho que a base passa por perceber aquilo que não está bem e em família resolvemos essa situação”.

 
Total
0
Partilhas
Artigo Anterior

Braga: Fomos à Noite Europeia dos Investigadores (e estavam lá mais de 300)

Próximo Artigo

Vitória com missão difícil para travar líder Benfica

Artigos Relacionados
x