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Alto Minho

Mais de 177 mil horas de trabalho perdidas com fecho de fronteiras no Alto Minho

Relatório do AECT Rio Minho

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Foto: Jota Faria / Arquivo

O relatório encomendado pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial (ACTE) Rio Minho à Universidade de Vigo aponta os custos do encerramento de fronteiras, tanto na vida pessoal e laboral dos trabalhadores, como no setor empresarial. Numa estimativa arredondada, por baixo, foram perdidas 177.704 horas de trabalho, quando o único local de mobilidade entre fronteiras no Alto Minho era a ponte de Valença e Tui.

“Entre 17 de março e 30 de junho de 2020, estima-se a passagem de 355.408 pessoas, apenas através da ponte internacional Tui-Valença. Os cálculos efetuados por estimativa, com base em dados fornecidos pelo SEF, e supondo um tempo médio de espera reduzido de 15 minutos para ir e 15 minutos para vir, as horas de trabalho perdidas seriam de 177.704. Essa também seria a estimativa do tempo que os veículos estariam a consumir combustível na ponte e nos acessos”, lê-se no relatório elaborado por dois professores de finanças da Universidade de Vigo.

Recorde-se que, como O MINHO noticiou, o demorado tempo de espera e as longas filas na fronteira entre Valença e Tui foram uma constante, levando ao desespero milhares de cidadãos que procuravam fazer a travessia.

O relatório nomeia todos os esforços, com custos associados, levados a cabo pelos serviços dos dois estados da Península Ibérica, para instaurar controle nas fronteiras. Nomeia também as consequências para vida dos trabalhadores e empresas na região.

“O custo de implementação do controle para os Estados: Polícia Nacional, Guarda Nacional Republicano (GNR), Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF); O custo económico do controle para trabalhadores e empresas, em horário comercial e de trabalho perdido em tempo de espera; O custo económico para empresas e proprietários de veículos, para combustível e os atrasos nos tempos de viagem das mercadorias; O custo ambiental dos veículos em espera, emitindo emissões, ao longo da ponte internacional e dos acessos”, enumera o relatório.

Aos já referidos custos, acrescentam-se mais dois: “Os custos adicionais de deslocação das pessoas a quem foram encerradas as pontes e o ferry entre A Guarda e Caminha, para se deslocarem aos seus postos de trabalho nos arredores de Tui – Valença. Os custos indiretos foram motivados pela atividade que deixou de se realizar, entre países, devido às dificuldades no cruzamento de fronteiras”.

Sobre o impacto para as populações da região, o relatório é claro: “As consequências do encerramento das pontes sobre o Minho, deixando apenas uma fronteira funcional, tiveram o efeito equivalente de dividir cidades ou vilas em duas partes”.

Xavier Cobas, mentor do relatório, afirma a O MINHO que “o Rio Minho é muito mais um ponto de contacto, do que uma fronteira, são milhares de pessoas que fazem a sua vida entre os concelhos portugueses e a região autónoma da Galiza”. O financeiro, mentor do relatório, é, também, um trabalhador transfronteiriço, entre Vigo, faculdade onde leciona, e Seixas, terra onde reside.

“É difícil estimar os custos milionários causados pelo encerramento e o controle de fronteiras. Custos que repercutiram sobre as pessoas sem nenhuma compensação”, conclui o relatório.

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