Mãe de jovem que morreu após derrocada em Esposende angaria fundos para “fazer justiça”

Campanha pretende arrecadar 50 mil euros

A mãe da jovem que morreu soterrada, juntamente com o namorado, na sequência de uma derrocada, em Palmeira de Faro, Esposende, em 23 de novembro do ano passado, lançou uma campanha de angariação de fundos para “fazer justiça” e também para reparar a casa. A campanha tem como objetivo chegar aos 50 mil euros.

“Estou a tentar arrecadar fundos porque no passado dia 23 de novembro de 2022, de madrugada, eu e a minha família fomos vítimas de uma derrocada fatal de rochas de grande porte que se abateram sobre a minha casa. Da mesma, resultaram, para nossa tragédia, a morte da minha filha e do namorado, ambos com 22 anos, que dormiam num dos quartos, para além de inúmeros prejuízos materiais. Desde essa data, tudo mudou na nossa vida, perdemos pessoas que amamos, estamos realojados num apartamento camarário, ficamos sem a maior parte dos nossos pertences, (casa, um carro, recheio da casa)”, conta Ana Bajão no texto que acompanha a campanha de ‘crowdfunding’ lançada na plataforma gofund.me.

E acrescenta: “No entanto, para nós, o mais importante é apurar as causas e responsabilidades do sucedido. Acreditamos que só com uma boa investigação dos factos é que vai ser possível fazermos justiça neste caso. Para isso, precisamos de um bom apoio jurídico e processual e, é por essa razão que procuramos arrecadar fundos, na esperança que sejam suficientes”.

A mãe de Susana Gonçalves acrescenta que, “no fim do processo judicial, caso haja fundos que não precisem de ser alocados ao mesmo, a restante verba será dirigida para minimizar os custos com a reparação da casa”.

A campanha pode ser acedida aqui.

Derrocada fatal

Como O MINHO noticiou, Susana Gonçalves e Fábio David, morreram na sequência de um deslizamento de terra, na freguesia de Palmeira de Faro, em Esposende, quando dormiam num dos quartos da residência.

Na habitação estavam seis pessoas. Os jovens de 22 anos que se encontravam no primeiro piso morreram. As restantes pessoas – um casal entre os 40 e os 50 anos e duas crianças, de dois e 12 anos, foram retirados ilesos.

Movimento de terra não licenciados

O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária, sendo que, entretanto, a Câmara de Esposende informou, recentemente, que os movimentos de pedras e terras nos lotes vizinhos da casa onde morreu o jovem casal não foram licenciados.

“As autoridades estão a apurar as circunstâncias em que ocorreu, no verão de 2022, a retirada de pedras e terra, da base do talude, nos dois lotes de terreno existentes ao lado da moradia onde morreu o jovem casal. O Município de Esposende pretende a clarificação desta situação, uma vez que esses movimentos de pedras e terra não foram comunicados à autarquia nem estavam licenciados”, referia o município em comunicado.

Uma equipa constituída por técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) e da Universidade do Minho (UM) esteve no local da tragédia, tendo como objetivo “o apuramento cabal das circunstâncias que provocaram a derrocada, tendo, para o efeito, procedido à contratação de serviços para a realização dos estudos necessários que permitam apurar todos os factos”.

Recorde-se que o Município de Esposende avançou para a realização de um estudo geotécnico, desenvolvido pela Universidade do Minho, cujas conclusões contribuirão para que, em conjunto com os estudos desenvolvidos pelo LNEC, sejam apuradas as causas do deslizamento de terras.

“Além dos estudos em torno da situação de Palmeira de Faro, o Município de Esposende pretende desenvolver estudos complementares que permitam acautelar situações idênticas no futuro”, acrescenta o comunicado.

E conclui: “O Município de Esposende pretende apurar a verdade sobre este acidente, combatendo a desinformação que tem sido veiculada sobre o assunto. Sublinhe-se que, desde a primeira hora, os diversos serviços do Município de Esposende responderam com apoio aos moradores da zona afetada”.

Famílias desalojadas

Na sequência da derrocada fatal, oito famílias tiveram que ser desalojadas, sendo que três delas já foram autorizadas a regressar a casa em dezembro.

O presidente da Câmara, Benjamim Pereira, disse na altura, à Lusa, que as restantes cinco só poderão regressar a casa depois de apresentarem à câmara garantias de que não há risco de derrocada do talude.

 
Total
0
Partilhas
Artigo Anterior

Lula da Silva no parlamento no 25 de Abril (mas fora da sessão solene)

Próximo Artigo

Eis a estátua de D. Afonso Henriques que será instalada em Espanha

Artigos Relacionados
x