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Alto Minho

Limites da futura Paisagem Protegida da Serra d’Arga terão implicações na exploração de lítio

Lítio em Viana, Ponte de Lima e Caminha

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Foto: Facebook de Susana Araújo / Grupo "Movimento SOS Serra d'Arga"

Diversos autarcas de Municípios com direito administrativo sobre o território da Serra d’Arga (Caminha, Ponte de Lima e Viana do Castelo) expressaram nas últimas semanas a vontade de avançar a breve prazo com a constituição da Área de Paisagem Protegida da Serra d’Arga.

Depois do inventário do património ambiental, patrimonial e paisagístico da serra, concretizado, em grande parte, ao abrigo do projeto ‘Da Serra D’Arga à Foz do Âncora’, falta a definição da área que será incluída na futura Área de Paisagem Protegida. Uma questão com mais de dez anos que agora pode chegar ao fim.

A investigadora do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território – CEGOT, unidade de investigação científica que agrega as Universidades de Coimbra, Porto e Minho, Andreia Amorim Pereira, estuda há mais de uma década a Serra d’Arga e defende que “é crucial refletir sobre os critérios de definição do limite da área a classificar, o qual terá, necessariamente, de extravasar o perímetro da Rede Natura 2000, área que já beneficia de um regime jurídico específico, espelhado no plano sectorial respetivo, e transposto para os demais instrumentos de gestão territorial, designadamente os planos especiais e municipais de ordenamento do território”.

Integração parcial das freguesias de Cabração, Covas e Coura

A geógrafa, doutoranda em gestão de paisagens culturais, defende que a definição do limite da futura Área de Paisagem Protegida da Serra d’Arga deve orientar-se pela articulação de critérios ambientais, histórico-culturais, paisagísticos e socioeconómicos integrando, parcialmente, as freguesias de Cabração, Covas e Coura.

“A ideia é assegurar a continuidade espacial e a coerência ecológica da área protegida, garantindo a conectividade entre habitats; abranger um mosaico paisagístico diversificado, representativo da complexidade da paisagem cultural da Serra d’Arga e incluir núcleos rurais característicos do povoamento serrano, bem como as áreas de exploração agro-pastoril adjacentes, às quais se associam sistemas de regadio, moinhos, caminhos, muros de divisórios e de suporte, socalcos tradicionais, espigueiros e eiras, entre outras estruturas de apoio, que constituem no seu conjunto um valioso património ecossociológico e integrar espaços onde atuam processos de degradação ambiental e paisagística, especialmente as áreas ciclicamente atingidas por incêndios florestais e as áreas mais ameaçadas pelo avanço de espécies exóticas invasoras”.

Este entendimento mais abrangente da área a classificar como paisagem protegida de interesse regional propõe que o traçado dos seus limites seja definido pela conjugação entre os alinhamentos naturais que individualizam as unidades de relevo, como sejam o vale dos rios, barreiras artificiais, como as vias de comunicação, os contrastes paisagísticos e de uso do solo e a aptidão funcional de cada parte da serra.

Deste modo, no concelho de Caminha, seria integrada no perímetro de classificação, a união de freguesias de Arga de Cima, Arga de Baixo e Arga de S. João, a freguesia de Dem, a união de freguesias de Gondar e Orbacém, a freguesia de Amonde e a metade nascente da freguesia de Argela, sendo o limite Noroeste estabelecido pelo traçado da autoestrada A27.

A fronteira Norte é delimitada pelo vale do rio Coura, sendo assim incluída na futura área de paisagem protegida a parte sul da freguesia de Coura, concelho de Paredes de Coura, e da freguesia de Covas, concelho de Vila Nova de Cerveira.

Áreas em Viana do Castelo

No concelho de Viana do Castelo, a investigadora propõe a inclusão das freguesias da Montaria, a união de freguesias de Nogueira, Meixedo e Vilar de Murteda e a parte norte da freguesia de Lanheses, coincidindo o limite sul com a extensão máxima da Rede Ecológica Nacional até ao confronto com a autoestrada A27.

Investigadora Andreia Amorim Pereira. Foto: DR

“O prolongamento do limite da futura Paisagem Protegida neste sector até ao sopé da Serra d’Arga, atingindo cotas na ordem dos 50 metros de altitude, visa potenciar a continuidade ecológica com a Área Protegida das Lagoas de Bertiandos e São Pedro d’Arcos e, simultaneamente, facilitar o acesso ao espaço de montanha por dois canais de comunicação naturais: o vale do rio Estorãos e o vale da ribeira da Silvareira”.

A proposta deste limite sul também traduz a transformação da paisagem resultante da especificidade das características morfológicas, ecossistémicas e funcionais da veiga do rio Lima. Por outro lado, a integração da vertente serrana em toda a sua extensão assegura a presença dos diferentes níveis de escalonamento altitudinal da paisagem, contribuindo assim para uma equilibrada representação do mosaico paisagístico da Serra d’Arga.

O limite ocidental acompanha a vertente oeste do vale da Ribeira de Nogueira, que estabelece a divisão entre a Serra d’Arga e o Monte de São Silvestre/Monte da Aguieira.

Segue, tomando a direção norte, pela linha de cumeada da elevação toponimicamente designada por Serra de Amonde, que corresponde sensivelmente ao limite administrativo da freguesia de Amonde.

Inflete, descendo a encosta noroeste desta elevação, na direção da Ponte da Sains, a partir da qual o limite acompanha a estrada florestal que passa nos lugares de Chã da Candosa e Alto da Peneda, na linha de festo da Ribeira de Gondar, até encontrar a autoestrada A27, como já referido.

“A depressão estrutural que se desenvolve entre Gondar e Amonde acompanha um importante alinhamento de falha com uma orientação nor-noroeste–su-sudeste, que condiciona a hidrografia local, correspondendo a uma área de grande fertilidade agrícola”.

Ponte de Lima deve incluir Cabração

No concelho de Ponte de Lima, propõe-se a inclusão da parte meridional das freguesias de São Pedro d’Arcos e Estorãos, a norte da autoestrada A27, e a união de freguesias de Cabração e Moreira do Lima.

O limite oriental da área proposta segue o vale do Rio Estorãos, com inclusão da área de Reserva Ecológica Nacional ao longo das suas margens e, na continuidade deste alinhamento, o vale do Ribeiro do Formigoso, que passa na aldeia de Cabração. Segue pela linha de cumeada da elevação localmente designada por Serra da Lousada, coincidindo com a divisão administrativa da freguesia de Covas, até ao rio Coura.

A investigadora considera “redutora e redundante” se a área a classificar se ficar pelo que está definido na ‘Rede Natura’: “a área abrangida pela ‘Rede Natura’ já está regulamentada pelo que é redundante classificá-la.”.

Andreia Amorim Pereira vai mais longe: “a gestão da paisagem em territórios rurais de baixa densidade, como a Serra d’Arga, é uma necessidade premente, em resultado do incremento do risco de perda do património ambiental, histórico-cultural e paisagístico associado às comunidades rurais tradicionais” bem como “da degradação paisagística dos espaços agro-silvo-pastoris”.

Lítio

Estão inseridas nesta proposta de delimitação diversas áreas que foram alvo de pedidos de prospeção de lítio, suscitando questões sensíveis quanto à gestão de conflitos de usos e da compatibilidade da exploração de minério com os objetivos de preservação e valorização ambiental e paisagística de uma área protegida.

Depreende-se da proposta de Andreia Amorim Pereira que o alargamento da área a classificar tornaria muito difícil qualquer exploração de minério na Serra d’Arga.

“Sou contra qualquer exploração de minério pelos inevitáveis impactos ambientais e de degradação paisagística durante o período de concessão de exploração e pela ausência de certezas quanto à condução do processo de restauro de ecossistemas e reabilitação da paisagem após a cessação da exploração. De igual modo, é conhecido o elevado risco de contaminação de recursos hídricos e, por inerência, dos solos”.

Questões cruciais

A investigadora manifesta a sua preocupação relativamente ao risco de insucesso dos objetivos de gestão da futura área de paisagem protegida da Serra d’Arga se a proposta de classificação em preparação “não souber compreender esta unidade territorial como um continuum biogeográfico, ecossociológico e paisagístico interdependente”.

Salienta que “a gestão dos riscos decorrentes da estrutura da propriedade rústica, das características da exploração agrícola, da inadequada gestão silvícola, do abandono rural e do pastoreio desordenado requer a implementação de um plano de gestão ativa num perímetro mais amplo do que o atual limite do Sítio de Importância Comunitária Serra d’Arga”.

Por isso, ressalta que a própria preservação dos valores ambientais existentes na área presentemente integrada na Rede Natura 2000 “pode ser posta em causa pela continuidade territorial dos fatores e processos de risco: nas dinâmicas ambientais não existem fronteiras estanques”.

As preocupações de Andreia Amorim Pereira são evidentes ao alertar “para as consequências negativas de excluirmos dos limites da futura área de paisagem protegida as aldeias serranas e os espaços de produção agro-silvo-pastoril associados”.

E apresenta quatro motivos: ”a génese dos processos de risco encontra-se nos espaços de produção, em exploração ou não, não sendo possível mitigar os riscos de incêndio, erosão e perda de biodiversidade, sem a implementação de um plano de gestão destas áreas; o património construído, incluindo a arquitetura vernacular ou popular tradicional, é parte fundamental da paisagem cultural da Serra d’Arga; os sistemas tradicionais de produção agro-silvo-pastoril e de regadio constituem um património cultural em risco e a atratividade turística da Serra d’Arga a médio/longo prazo carece da gestão integrada de todos os valores que dão forma à sua paisagem cultural e que lhe conferem especificidade”.

Aliás o seu potencial enquanto destino de turismo de natureza, turismo rural e touring cultural e paisagístico reside no território serrano no seu conjunto e não exclusivamente no Sítio de Importância Comunitária Serra d’Arga.

Gerir, preservar e valorizar

A constituição da Paisagem Protegida irá despoletar a criação de uma estrutura técnico-política e a operacionalização de um plano de gestão intermunicipal assegurando, deste modo, a persecução de uma estratégia de valorização do território comum de médio/longo prazo.

A investigadora defende que a área a classificar deverá criar mais valor para os territórios e populações envolvidas, nomeadamente, “no restauro de áreas florestais e arbustivas degradadas, na organização, diferenciação e promoção da oferta turística, na valorização de mercado de produtos da agro-silvo-pastorícia tradicional”.

Porém, Andreia Pereira lembra que “não é no núcleo granítico central da Serra d’Arga onde, à exceção dos pastores, se encontram as populações, as forças vivas de modelação da paisagem e os agentes produtivos. É fundamental envolver os habitantes locais, integrar as áreas onde se encontra a oferta de alojamento, os restaurantes, os artesãos ou os agentes turísticos”.

Na Serra d’Arga foi realizado pela investigadora um inventário sistemático georreferenciado dos vestígios arqueológicos e históricos das diferentes fases de ocupação do território que permitiu interpretar numa escala de maior detalhe os processos de evolução da paisagem cultural.

Este trabalho, associado à análise correlacionada de características do relevo, litologia, tipo de solos, coberto vegetal e uso do solo, resultou na caracterização de quatro unidades da paisagem cultural, que se desagregam em onze subunidades, que serviram de base à fundamentação da proposta de limites da área a classificar como paisagem protegida de âmbito regional.

“Unidade pastoril superior, corresponde ao núcleo granítico central que compreende o planalto d’Arga; unidade agro-pastoril serrana, que integra diversas rechãs que se desenvolvem entre os 500 e os 300 metros de altitude; unidade florestal e matos de média vertente, que se estende entre os 400 e os 200 metros de altitude, sendo constituída principalmente por povoamentos florestais de eucalipto e pinheiro, bem como por povoamentos mistos e matos arborescentes e a unidade de agricultura de baixa altitude e fundo de vale, ocupando vertentes com cota inferior a 200 metros e áreas de planície aluvial.

Projeto ‘Da Serra D’Arga à Foz do Âncora’

Os três municípios desenvolveram, entretanto, um projeto que incide sobre o território classificado como Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000 Serra d’Arga, correspondendo a uma área com 4.493 hectares, totalmente inserida na sub-região do Alto Minho, e cuja conservação florística e faunística é imperativa”.

A classificação daquele território como Área Protegida de âmbito regional pretende “reforçar o seu caráter único enquanto ativo territorial e produto turístico emergente”.

O projeto intermunicipal implicou um estudo entre o vale do Âncora e o maciço serrano, que incluiu o levantamento das espécies existentes. O estudo permitiu ainda fazer “o levantamento do património construído, mais de 600 exemplares, entre igrejas, cruzeiros, alminhas, moinhos, fontanários”.

A investigação no âmbito de uma candidatura dos três municípios a fundos do Norte 2020, no valor de 350 mil euros.

Foram efetuados atlas da flora, fauna e geologia, o inventário do património material, trilhos suportados por novas tecnologias através de uma aplicação móvel (app), um vídeo promocional e um documentário, reunidos numa página na Internet criada para o projeto.

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Ponte de Lima

Divisões no CDS: Ex-vice da Câmara de Ponte de Lima faz campanha pelo PSD

Gaspar Martins, cuja indicação para cabeça de lista do CDS por Viana foi vetada em Lisboa, acompanhou os candidatos do PSD na feira quinzenal

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Gaspar Martins, Jorge Mendes, Emília Cerqueira (n.º2) e Eduardo Teixeira (n.º3). Foto: Facebook de PSD Alto Minho Legislativas 2019

O ex-vice-presidente da Câmara de Ponte de Lima, Gaspar Martins, foi a surpresa na pré-campanha do PSD, esta segunda-feira, em terras limianas. Percorrendo a feira quinzenal, a caravana social democrata contou com a presença do histórico ligado ao CDS-PP, sempre ao lado do candidato laranja, Jorge Mendes.

Número dois da autarquia entre 2009 e 2017, lugar que passou, desde então, a ser ocupado por Mecia Martins, sua filha, Gaspar Martins foi indicado pela concelhia e pela distrital de Viana do Castelo para assumir o lugar de cabeça de lista do CDS no distrito, em maio, opção que foi vetada por Assunção Cristas, tendo a escolha do número um recaído em Filipe Anacoreta Correia.

Segundo O MINHO apurou junto de fontes internas do CDS/Ponte de Lima, a situação provocou grande desagrado a Martins, que, para além de ter sido rejeitado, sentiu que o autarca Víctor Mendes não defendeu convenientemente a proposta do seu nome, já que faltou à reunião da Conselho Nacional em que foram aprovados os cabeças de lista do partido e, dessa forma, não usou da sua influência, enquanto líder da histórica autarquia centrista, para marcar posição por si.

A situação, de acordo com as mesmas fontes, terá mesmo levado a que Gaspar Martins tenha confrontado Victor Mendes, em tom bastante crítico, na reunião da comissão política concelhia que se seguiu.

Divisões na Câmara

Este é mais um sinal, bastante ruidoso, da tensão que existe actualmente no executivo municipal, com duas fações a posicionarem-se pela sucessão no poder no pós-Victor Mendes. Num dos lados está a vice-presidente, Mecia Martins, no outro estão os outros três vereadores: Ana Machado, Vasco Ferraz e Paulo Sousa. Ferraz é considerado o líder desta fação.

Gaspar Martins tem, ultimamente, desafiado o poder instituído com uma série de acções como que demonstrando o poder que ainda tem nos bastidores. O aparecer em público com presidentes de Junta, a colocação de iluminação no prédio do centro histórico aproveitando uma alegada brecha no regulamento municipal ou, agora, ao lado do PSD em campanha, são gestos de quem quer ser um player nas próximas eleições.

Por seu lado, Mecia Martins tem, última e publicamente, assumido uma postura crítica em relação a alguns temas mais quentes dando sinais de que a qualquer momento pode romper com o resto do executivo. O último episódio aconteceu antes das Feiras Novas, quando a Mecia sugeriu que a Polícia Judiciária deveria investigar as contas da Associação Concelhia das Feiras Novas, presidida por Ana Machado, sua colega na vereação do CDS.

A O MINHO, fonte ligada à política limiana refere que Mecia Martins “não irá sair do executivo nem abdicar dos pelouros mas irá fazer alguma política de ‘terra queimada’, sobretudo, em relação aos pelouros dos outros três vereadores”.

Ministério Público

Recorde-se que tanto Vasco Ferraz como Gaspar Martins foram acusados pelo Ministério Público de um crime de prevaricação de titular de cargo político, outro de violação de regras urbanísticas e abuso de poder.

De acordo com o despacho, datado de 22 de outubro do ano passado, o Ministério Público da comarca de Viana do Castelo “considerou indiciado que um dos arguidos, aquele que foi vereador de 2009 a 2013, no dia 02 de setembro de 2013 deferiu o processo de licenciamento de um muro, desconsiderando as normas legais, a circunstância de a obra estar desconforme com o projeto apresentado, os sucessivos pareceres técnicos dos serviços da autarquia que o informaram disso e de que a obra não era legalizável e mesmo anteriores despachos que proferira relativamente à mesma obra indeferindo a sua legalização”.

Este caso pode ainda extremar mais a posição das duas facções e trazer novos dados para esta luta de poder.

Victor Mendes

Tentando acabar o mandato com dignidade mas atento a tudo isto está o actual presidente da Câmara. Victor Mendes tenta apagar os fogos políticos que vão surgindo e publicamente dá sempre a imagem de estar equidistante das duas fações.

No entanto, a mesma fonte não fica “nada admirada, se nos bastidores, Victor Mendes estiveram a fazer caminho para a fação de Vasco Ferraz. São conhecidos os problemas com Gaspar Martins e que não estão de todo sanados”.

O MINHO tentou ouvir os visados mas, para já, sem sucesso.

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Viana do Castelo

Bióloga de Viana eleita embaixadora da ONU para o combate às alterações climáticas

Entre 400 participantes

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Foto cedida a O MINHO

A investigadora Raquel Gaião disse esta terça-feira à Lusa que vai dar o seu melhor como embaixadora da juventude para o combate às alterações climáticas, estatuto que alcançou ao vencer um concurso internacional de vídeo promovido pela ONU.

“É uma responsabilidade. Vou tentar dar o meu melhor para desempenhar bem esse papel. Sempre que puder vou falar sobre a importância de mitigarmos as alterações climáticas e caminharmos todos juntos nesse sentido”, disse esta terça-feira à agência Lusa, a jovem bióloga de 24 anos, natural de Viana do Castelo.

Em comunicado divulgado esta terça-feira, a Ocean Alive, primeira cooperativa em Portugal dedicada à proteção do oceano, revelou que o vídeo realizado por Raquel Gaião venceu o concurso “The Global Youth Video Competition”, organizado no âmbito da Cimeira do Clima da ONU.

O vídeo da bióloga portuguesa, que, em 2018, foi a primeira portuguesa a ganhar o prémio mundial Global Biodiversity Information Facility Young Researchers Award, com um trabalho sobre o impacto das alterações climáticas na distribuição de macroalgas na costa Atlântica da Península Ibérica, “foi selecionado entre 400 candidatos de todo o mundo e obteve já mais de 60 mil visualizações do público”.

O trabalho da investigadora de Viana do Castelo será exibido na Cimeira do Clima, em 23 de setembro em Nova Iorque, e na Conferência das Partes (COP25) em dezembro, no Chile, onde Raquel Gaião Silva marcará presença.

“Sinto-me muito orgulhosa pelo projeto que temos em Portugal, da Ocean Alive. Orgulhosa porque os portugueses ajudaram a partilhar e a divulgar o trabalho da Ocean Alive. Não estava à espera de ver tanta gente a partilhar o vídeo e termos mais visualizações, sendo um país pequenino, a competir com países como a India ou o México. É um sentimento de orgulho nos portugueses e no nosso exemplo”, sublinhou.

Raquel Gaião estudou biologia na Faculdade de Ciências. Em 2018 concluiu o mestrado internacional. Trabalha há um ano na Bluebio Alliance (BBA) uma associação portuguesa sem fins lucrativos, fundada em 2015, que representa todos os participantes dos biorrecursos marinhos e da cadeia de valor biotecnológica azul.

“Tudo que faço é com muita paixão. Tento dar o meu melhor o que não significa que não haja outras pessoas a fazerem um trabalho fantástico. Eu arrisco e concorro, nunca a pensar que vou ganhar, mas para me desafiar a mim própria”, observou.

Além de se ter transformado em embaixadora da juventude para o combate às alterações climáticas, a jovem bióloga irá ser repórter da juventude na COP25, onde apresentará o projeto que inspirou o vídeo que documenta o trabalho da Ocean Alive como “um exemplo da categoria do concurso da ONU Cidades e ação local no combate às alterações climáticas”.

“O trabalho da Ocean Alive conseguiu sensibilizar as pescadoras da Carrasqueira, no estuário do rio Sado, para a importância de conservar as pradarias marinhas que são o sustento da sua pesca”, destacou Raquel Gaião.

Segundo a investigadora, o trabalho desenvolvido pela cooperativa portuguesa “conseguiu que as guardiãs do mar se tornassem agentes de mudança, influenciando outros pescadores, a utilizarem técnicas menos destrutivas e não poluir tanto as águas do mar”.

As “pradarias marinhas, desconhecidas do grande público, são constituídas por plantas aquáticas que formam uma floresta marinha que sequestram carbono a uma taxa 30 vezes superior ao das florestas terrestres”.

“São estas pradarias que tornam o estuário do Sado único em Portugal, pois como florestas que são, oferecem alimento, abrigo e local de reprodução para muitos organismos marinhos, como os cavalos-marinhos, raias e para as presas dos golfinhos que residem neste estuário. Se estas pradarias marinhas forem destruídas, o carbono por elas armazenado será libertado e uma grande biodiversidade marinha será perdida”, explica a nota da Ocean Alive.

A Ocean Alive “chama a atenção para o risco iminente de degradação das pradarias do estuário do Sado como consequência das extensas dragagens previstas, como parte da obra de melhoria dos acessos ao porto de Setúbal”.

“Não valerá a pena sermos um exemplo distinguido se as pradarias marinhas do estuário do Sado desaparecerem. Por isso, somos uma das organizações promotoras da manifestação contra as dragagens marcada para o dia 28 de setembro, em Setúbal”, adianta a instituição.

A Ocean Alive apela para a “tomada de consciência por parte do governo português para a necessidade de mudar o paradigma da criação de riqueza e empregos, mantendo os benefícios do estuário do Sado como um sistema natural que garanta qualidade de vida e um futuro sustentável, alinhados com os compromissos assumidos pelo nosso país na ONU”.

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Viana do Castelo

Três companhias luso-espanholas em festival de teatro amador de Viana do Castelo

No teatro Sá de Miranda

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Foto: Divulgação

Três companhias, duas espanholas e uma portuguesa, marcaram presença na segunda edição do festival transfronteiriço de teatro amador que decorre nos dias 20 a 22 deste mês no teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, informou esta segunda-feira a organização.

Segundo o Teatro do Noroeste-CDV, companhia profissional de Viana do Castelo, no primeiro dia, a programação do PLATTA, com companhias do Alto Minho, da Galiza e de Castela Leão, inclui a apresentação de Get Back, pelo Porta Aberta Teatro, de Vigo, pelas 21:30.

No sábado, dia 21, também às 21:30, o Teatro Cachivache, de Palencia, sobe a palco com a peça “Meditaciones para una emergencia”.

No último dia do festival, pelas 12:00, são apresentadas as leituras encenadas em três línguas, do texto vencedor do Prémio PLATTA do Teatro Breve, a obra “A Importância de se Chamar António”, de Xacobe García.

Às 15:00, a encenadora Luísa Pinto dará uma palestra, no salão cobre do Teatro Municipal, com o tema “Teatro e Inclusão”.

Às 17:00, o Grupo de Teatro do Vez apresentará “Os 10 Cobrimentos”, espetáculo que encerrará o evento.

Com três edições por cada região membro, o Festival Transfronteiriço é promovido pela PLATTA – Plataforma Transfronteiriça de Teatro Amador, criada há mais de oito anos para “fomentar o diálogo do teatro amador transregional e transnacional como uma realidade dentro do espaço cultural nacional e europeu”.

A primeira edição decorreu, em março de 2018, em Castela e Leão, em junho, na Galiza e, em setembro em Viana do Castelo, organizado, pela primeira vez, na capital do Alto Minho, através da TEIA – Teatro Em Iniciativa Associativa.

A TEIA é uma rede cultural dinamizada pelo projeto Comunidade do Teatro do Noroeste – CDV composta por 23 entidades culturais da região.

Em dezembro de 2017, a TEIA formalizou a adesão à PLATTA, juntando-se à FEGATEA – Federação Galega de Teatro Amador, pela Erregueté – Revista Galega de Teatro, pela Federação de Grupos Amadores de Teatro Castela e Leão.

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