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Ligação Porto/Vigo sem comboio elétrico por diferença de tensão, denuncia o Eixo Atlântico

Apesar da conclusão da sua eletrificação

O secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoán Mao, disse hoje que a ligação ferroviária entre o Porto e Vigo, na Galiza, não é assegurada por comboios elétricos devido à diferença de tensão da linha, apesar da conclusão da sua eletrificação.

“A eletrificação da linha entre Vigo e Tui não tem a mesma tensão que entre Vigo e a Corunha, nem a mesma que entre Valença e Faro. A linha Vigo, Guilharei e Ourense está a três mil volts, a linha nova, de alta velocidade, que liga Ourense a Santiago de Compostela, Corunha, até Madrid e a linha portuguesa a 25 mil volts”, alertou Xoan Mao.

A eletrificação da linha do Minho entre Nine e Valença foi concluída no primeiro semestre de 2021.

Para o secretário-geral da associação transfronteiriça que reúne 39 municípios do Norte de Portugal e da Galiza, a diferença de tensão elétrica na ligação ferroviária internacional põe em causa a competitividade da linha, considerando que o investimento na sua modernização e eletrificação não passou de um “engano”.

“Os únicos comboios que podem circular nesta linha são híbridos, bi-tensão, necessários para garantir a transição, na catenária, mas são muito mais escassos e caros. Quase todos são da Renfe [operadora que explora a rede ferroviária espanhola] que, obviamente, não os partilha com os concorrentes. Por sua vez, os concorrentes teriam de alugar essas composições o que retiraria competitividade à exploração da linha”, defendeu.

Segundo Xoan Mão, na linha entre a Corunha e Vigo, do lado espanhol, há 25 mil volts de tensão, de Vigo a Tui três mil volts e de Valença a Lisboa novamente 25 mil volts.

“Instalaram uma eletrificação híbrida, bi-tensão, que pode ativar uma ou outra com a promessa de que no futuro passariam de três mil para 25 mil volts, mas para que isso aconteça é preciso nova intervenção”, apontou.

A modernização e eletrificação da Linha do Minho, entre Nine, no distrito de Braga, e Valença, no distrito de Viana do Castelo representou um investimento de 86,4 milhões de euros, inserido no Plano de Investimentos Ferrovia 2020 e cofinanciado pelo programa Compete 2020.

A modernização da Linha do Minho foi anunciada em 2011, depois de afastada a possibilidade de encerramento da ligação ferroviária internacional entre a cidade do Porto e Vigo, na Galiza.

 
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