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Alto Minho

Ligação à A3 facilita instalação de fábrica de vacinas em Paredes de Coura

Ministro das Infraestruturas visitou obra de ligação à autoestrada

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Foto: Rebeca Martins

O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, disse hoje que a construção da ligação do parque empresarial de Formariz, em Paredes de Coura, à Autoestrada 3 (A3) facilitou a instalação da farmacêutica Zendal naquele concelho do Alto Minho.

“Paredes de Coura não esteve à espera do investimento na rodovia para se desenvolver e isso é merecedor de reconhecimento, mas a verdade é que o início desta obra permite a Paredes de Coura atrair, mais facilmente, um conjunto de investimento e o mais recente e emblemático é mesmo a fábrica de vacinas”, referiu o governante.

Pedro Nuno Santos referia-se à nova fábrica da farmacêutica espanhola Zendal, em construção em Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo, num investimento de 15 milhões de euros, vai começar a produzir vacinas em dezembro.

Em janeiro, em comunicado enviado às redações, a Zendal explicou que o polo biotecnológico permitirá “aumentar a capacidade de produção e embalagem de vacinas virais para a saúde humana”.

O grupo de biotecnologia sediado em O Porriño, na Galiza, Espanha, justifica o novo investimento por “considerar que o momento atual é extremamente positivo para aproveitar as sinergias da eurorregião”.

A produção na fábrica de Paredes de Coura irá “começar com um quadro inicial de 30 pessoas, das quais pelo menos 50% serão licenciadas”.

“Este polo pretende colaborar com centros de formação profissional, universidades e centros tecnológicos do Norte de Portugal”, acrescentava a nota.

Pedro Nuno Santos, que falava aos jornalistas à margem de uma visita àquela empreitada, num investimento superior a nove milhões de euros e com novo prazo de conclusão previsto para o verão de 2022, disse que a “fábrica de vacinas não se instalou” em Paredes de Coura por causa daquele investimento, mas sublinhou que aquele investimento “foi muito importante para conseguir mais facilmente convencer-se a fábrica de vacinas a localizar-se em Paredes de Coura”.

“É um bom exemplo da importância deste tipo de investimentos em zonas do país que se têm desenvolvido mas que estão relativamente distantes dos principais eixos viários. Quer dizer, não estão muito distantes, mas depois, na prática, estão, e estes investimentos permitem que o território possa beneficiar de outras oportunidades de desenvolvimento e Paredes de Coura é paradigmático disso mesmo e por isso quisemos vir aqui”, destacou.

Já o presidente da Câmara de Paredes de Coura, Vítor Paulo Pereira, disse que não se trata da “estrada da piedade, foi conquistada e, de certa forma, contraria os discursos da geografia”.

“Nós entramos no programa a partir do momento em que Paredes de Coura foi notícia pelo crescimento industrial de uma forma surpreendente. Surpreendente somente para quem não sabia do trabalho que estávamos a fazer. Obviamente que conseguimos captar investimento sem a estrada. Isso aconteceu ao longo dos anos, mas não tenham dúvidas que esta estrada vai trazer sobretudo mais velocidade”, referiu Vítor Paulo Pereira.

“No caso da fábrica das vacinas, com esta ligação, a partir de agora os dois polos biotecnológicos de Porriño, na Galiza, e de Paredes de Coura ficam à distância de 25 minutos. Num mundo global o tempo é fundamental e o que esta estrada nos veio dar foi tempo, e tempo é o que damos aos empresários que se querem fixar aqui”, sustentou o autarca socialista.

Em causa está a criação de um acesso rodoviário, reclamado há mais de cinco décadas por autarcas e empresários, com cerca de 8,8 quilómetros de extensão, para ligar o parque empresarial de Formariz, em Paredes de Coura, à A3, (nó de Sapardos – Vila Nova de Cerveira), no distrito de Viana do Castelo.

A empreitada, iniciada em junho de 2020, tinha conclusão inicialmente prevista para dezembro, no entanto, em janeiro foi anunciado que o traçado inicial da ligação ia ser “ajustado” para garantir a preservação de uma calçada romana encontrada durante a execução da obra.

O achado arqueológico que integra os Caminhos de Santiago tem “cerca de 45 metros de lajeados de calçada com pequenos muros de contenção e afloramentos rochosos com marcas de entalhes para possibilitar a sua passagem”.

A empreitada “visa a melhoria das condições de acessibilidade, circulação e segurança” naquele troço e envolve a execução de “quatro novas rotundas para beneficiação das condições de mobilidade na ligação à rede viária local, a construção de oito obras de arte e de uma ponte sobre o Ribeiro das Corredouras”.

A obra inclui a construção de “dois pontões, sobre a Ribeira de Sapardos e sobre a Ribeira de Borzendes, de duas passagens agrícolas, duas passagens inferiores e uma passagem superior para peões”.

A construção daquela ligação faz parte do Programa de Valorização das Áreas Empresariais lançado pelo Governo, em fevereiro de 2017.

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