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Braga

Líder do Chega em Braga quer auditoria às obras da Câmara se for eleito vereador

Entrevista com Nelson Pereira

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Foto: DR / Arquivo

Três perguntas ao presidente da Concelhia de Braga do Chega, Nelson Pereira, para quem os últimos três anos de mandato de Ricardo Rio não têm “grandes feitos”. E promete pedir uma auditoria às obras municipais se for eleito vereador.

Na qualidade de líder concelhio do Chega em Braga como valora a atividade do Município no atual mandato? O que foi bem feito e o que não o foi?

Braga é uma cidade com mais de 2000 anos de história. Todavia, praticamente todo o património histórico, designadamente o do período romano, foi emparedado pelo betão e irremediavelmente perdido. (ver entrevista dada ao jornal O MINHO por Francisco Sande Lemos, ex-diretor da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, em 09/03/2021).

Imagine-se que tal património não tinha sido destruído e que tínhamos autarcas que o recuperavam e lhe davam a devida visibilidade. Teríamos com toda a certeza uma cidade com um património único a que nenhum turista faltaria. Braga, é também, num conceito micro, aquilo que nos define enquanto país. Um país que a seguir ao 25 de Abril foi governado pelo PS e PSD, que levaram o país sucessivamente a períodos dramáticos no que à economia diz respeito. A corrupção parece ser o lema, e se no país temos casos ainda a contas com a lenta justiça, temos em Braga quem tenha sido absolvido por crimes prescritos e uma grande obscuridade no período de Mesquita Machado que Ricardo Rio parece não querer descortinar. Continuamos por tudo isso um país empobrecido, sem futuro para os nossos jovens. No mesmo sentido, temos um concelho que não cria emprego, mas que cria divertimento, ao velho estilo romano! “O pão e o circo” conseguimos pelo menos preservar.

No presente mandato autárquico, e depois de cerca de três anos sem grandes feitos, a não ser as grandes obras pagas com recursos a empréstimos para que os que venham depois paguem, e refiro-me ao Fórum Altice Braga e Mercado Municipal, na senda de um monumental estádio de futebol, como monumental é o seu esforço de dívida, praticamente sem qualquer hipótese de ser pago, a não ser que um milagre aconteça. Mas depois desses anos sem grandes feitos, dizia, temos agora o abate de árvores, o reboliço de pequenas obras, como endireitar passeios e retificar as célebres rotundas cavaquistas. É recorrente este modus operandi que não é mais do que tapar os olhos aos mais distraídos. A Braga de Ricardo Rio é a Braga de Mesquita Machado, até nos buracos das vias públicas que continuam iguais e nas descargas do Rio Este e recolha do lixo, principalmente aos fins de semana.

O que pensa que poderia ser feito, de melhor, para o desenvolvimento concelhio e o bem-estar das populações, isto se o Chega dirigisse o Município?

Braga precisa antes de tudo de transparência! Transparência dos contratos públicos, dos grandes contratos públicos, como o do Estádio Municipal, da Agere, da Investe Braga, do S. Geraldo, etc. Os dinheiros públicos têm de ser devidamente justificados.

É sabido que há fome em Braga. E são organizações particulares que a socorrem. Há pessoas com habitações sem quaisquer condições de salubridade. Idosos que morrem de frio. Crianças que dormem nas camas dos pais por causa do exíguo espaço, casas sem saneamento básico! Basta fazer uma ronda pelas freguesias rurais para perceber do que o concelho precisa.

Braga parece ser dirigida desde a varanda da autarquia. Trata-se da cidade com jardins e lavagens de paredes, “para inglês ver”, e deixa-se à sua sorte as freguesias limítrofes da cidade. Não há um levantamento das reais necessidades do concelho! A partir de um pequeno raio, estamos em zonas profundamente rurais, algumas de estilo medieval. É preciso tirar a gravata e sujar os sapatos. É preciso deixar a altivez ao velho estilo despótico e entrar nas casas dos pobres e perceber do que realmente necessitam.

Que propostas vai apresentar o partido ao eleitorado? O que faria de diferente? Pensa que o Chega pode ganhar as eleições autárquicas, ou, pelo menos, eleger vereadores e deputados municipais?

O CHEGA tem um programa diferente de todos os partidos do sistema. O 1.º dos quais é o forte combate à corrupção, ao nepotismo e ao favorecimento da habitual clientela. É obrigação política, ética e moral a criação de uma lei que proíba o nepotismo na administração pública, que se impeça por todos os meios a destruição de valor das instituições públicas, que todos possam concorrer por igual ao mercado de trabalho público e que as denominadas “cunhas” parem definitivamente. O CHEGA apoia e defende a meritocracia, como igualmente defende a transparência.

Braga precisa de um verdadeiro parque público, com condições adaptadas ao clima das estações do ano, para que as pessoas desfrutem e não se remetam a fins-de-semana nos centros comerciais.

Precisamos de criar mais e melhor emprego pelo que a atratividade de novas empresas e apoio às já residentes, será um dos pontos do programa.

As freguesias rurais terão de ser também requalificadas. Faremos o levantamento das reais necessidades, algumas das quais ainda na base da pirâmide.

O Quadrilátero está praticamente adormecido. As cidades que dele fazem parte, gerem cada qual a sua quinta. A pequenez de um país revê-se nas autarquias. É urgente uma união dos concelhos vizinhos em prol do engrandecimento do país.

Auditoria às obras

Trataremos também de pedir uma auditoria independente às obras e dinheiro gasto pelo município. Aos contratos com as referidas empresas, faremos um verdadeiro escrutínio e apresentaremos à população do concelho os resultados. Vamos cuidar da pobreza do concelho e deixar as grandes obras para quando houver um superavit na contabilidade pública.

É altura de os portugueses em geral, e os bracarenses em particular, perceberem que o PS e o PSD foram quem levou o país ao atual estado a que chegamos: pobres e endividados! A corrupção é endémica! É urgente uma mudança drástica neste panorama. Votem diferente, pelo menos uma vez na vida!

O CHEGA quer presidir à Câmara Municipal de Braga para exercer um mandato irrepreensível, que orgulhe os bracarenses pois faremos de Braga um sítio mais aprazível para se viver.

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