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Junta médica manda trabalhar doente oncológica de Braga incapaz de fazer esforços

Lídia Pinto está com baixa sem vencimento desde fevereiro
Junta médica manda trabalhar doente oncológica de braga incapaz de fazer esforços

Uma doente oncológica de Braga está sem vencimento desde fevereiro porque uma junta médica da Segurança Social considera que está apta para trabalhar. Lídia Pinto, 54 anos, ainda está a fazer tratamento, que lhe causa dores constantes, e não pode pegar em pesos, o que inviabiliza fazer os esforços necessários no seu trabalho de auxiliar num lar de idosos.

Lídia Pinto, residente em Panoias, detetou o cancro na mama em março do ano passado. O diagnóstico foi confirmado dois meses depois.

Teve que retirar uma mama totalmente e outra parcialmente. Teve complicações. Por dificuldade de cicatrização teve que “tirar pele da barriga para colocar na prótese”. Continua a fazer quimioterapia oral e de seis em seis meses vai ao hospital fazer medicação intravenosa para as dores.

“Tenho que fazer medicação durante três anos”, afirma a O MINHO.

Em agosto do ano passado foi à primeira junta médica, onde lhe foi reconhecida a incapacidade para trabalhar. Em fevereiro deste ano, foi a uma nova, mas, para sua surpresa, foi-lhe dito que podia voltar ao trabalho.

Junta médica manda trabalhar doente oncológica de braga incapaz de fazer esforços
Lídia Pinto tem cancro da mama. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

“O médico chumbou-me e nem me examinou. Só me pediu os papéis da médica [de família], tirou umas fotocópias, pôs lá para o lado e disse assim: ‘Olhe, você tem 54 anos, no lar já tem outra no seu lugar, você faça-se à vida’. Foi esta a conversa dele. Mandou-me sair e quando chego cá fora tenho um papel a dizer que não tenho direito a baixa”, recorda Lídia Pinto, realçando que não tem condições, para já, de voltar ao trabalho.

“O máximo que posso pegar é dois quilos na mão esquerda, porque na direita não posso pegar em peso nenhum, que foi do lado que eu tirei o peito”, sublinha, notando que os utentes são pesados e praticamente todos andam de cadeira de rodas. “Temos que pegar neles e deitá-los, na circunstância em que eu estou não posso”, frisa.

Meteu baixa sem vencimento e pediu uma reavaliação. Regressou em maio e a resposta foi a mesma. “Não subsiste a incapacidade temporária para o trabalho”, pode ler-se no processo a que O MINHO teve acesso. Voltou a recorrer e, na passada sexta-feira, 03 de junho, foi novamente à junta médica, que mais uma vez a mandou trabalhar. “O mesmo médico, a mesma conversa. Ainda acrescenta que se eu não quero trabalhar é porque tenho rendimentos para sobreviver”, conta.

Junta médica manda trabalhar doente oncológica de braga incapaz de fazer esforços
Lídia Pinto trabalha num lar. Foto: Paulo Jorge Magalhães / O MINHO

Agora, esgotaram-se as hipótese de reavaliação e, dessa forma, fica definitivamente sem direito aos vencimentos desde fevereiro. Agora terá que recomeçar todo o processo. “Vou ter que ir trabalhar nem que seja um só dia para ir à medicina do trabalho e fazer o processo todo novamente. Do dinheiro que ficou para trás não vou receber nenhum”, lamenta.

Lídia Pinto tem contado com a ajuda da mãe, com quem vive, além do marido e de um irmão invisual.

A doente oncológica afirma que não quer a reforma, quer voltar a trabalhar, mas neste momento não consegue. “Só quero que me dêem baixa até ter condições de trabalhar. Eu faço isto desde os 12 anos, o trabalho não me mete medo, é o que eu gosto de fazer. E sabe Deus o que me custa estar sempre poder ir. Ele [o médico] que não pense que me estou a queixar para não ir trabalhar, tomara eu poder ir trabalhar”, conclui Lídia Pinto.

 
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