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Braga

Jovem que sofreu com o Estado Islâmico emociona plateia em Braga

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Foto: Joaquim Gomes / O MINHO

A jovem Farida Abbas-Khalaf, que esteve em cativeiro e foi violada, tendo assistido ao assassínio do seu pai e do seu irmão mais velho, emocionou esta tarde de sexta-feira em Braga, a plateia do Congresso de Investigação Criminal, quando falou sobre o sofrimento que teve com o Estado Islâmico, levando mesmo a que no final todos os congressistas se levantassem e fizessem minuto de silêncio, em homenagem às vítimas em todo o mundo.

Farida Abbas-Khalaf, que falava a meio da tarde de hoje, no Espaço VITA, em Braga, foi categórica ao afirmar que “esperávamos outra resposta da comunidade internacional que falhou”, lamentando que “quase quatro anos depois, desde agosto de 2014, infelizmente nenhum militante do Estado Islâmico foi ainda castigado pela comunidade internacional”.

Foto: Joaquim Gomes / O MINHO

Falando a dezenas de congressistas durante o fórum internacional dedicado ao terrorismo, Farida Abbas-Khalaf, de 23 anos, que reside na Alemanha, deu conta do périplo que está a fazer por vários países a fim de sensibilizar os Estados e os governantes para o problema.

“Infelizmente, estou aqui hoje a falar convosco para sumariar sofrimento da minha família e do meu povo”, começou por afirmar Farida Abbas-Khalaf, autora do livro, “A Garota que Escapou do ISIS”, já vencedora do Prémio LiberPress Catalunha 2017, há meio ano.

Preconizando a intervenção de um Tribunal Penal Internacional, Farida, sempre rodeada de excecionais medidas de segurança, a cargo da Polícia Judiciária – e cuja Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal, a ASFIC, organizou o congresso.

 

“O povo yazidi tem um futuro muito incerto ainda hoje e continua a aguardar pelo apoio da comunidade internacional, não temos uma casa nem um sítio para regressarmos, nem que o quiséssemos”, salientou Farida Abbas-Khalaf durante a intervenção mais aguardada daquele congresso internacional, em Braga, com especialistas de vários pontos do mundo.

“Ainda é minha esperança e espero que realmente tomem uma iniciativa para impedir os terroristas e que os crimes não sejam esquecidos, sendo castigados, é isto que queremos pedir a todos os países e instituições, que cooperem com a comunidade para não acontecer a qualquer pessoa mais no mundo e o que ainda sucede”, destacou Farida Abbas-Khalaf.

“Travar estes grupos para o futuro”, foi uma das ideias chave da jovem, lançadas também em Braga, dando assim o seu testemunho de que “mataram, violaram e venderam montes de raparigas como eu e que afinal continuam por aí livres, ainda não nenhum foi punidos”.

“Este genocídio deve ser reconhecido pelas Nações Unidas e por outras organizações, de modo a acabar com todo este sofrimento”, afirmou também a jovem yaziri, referindo que “ter havido na minha região mais de quatro mil pessoas forçadas a sair das suas casas”.

“Há mais de três mil yaziris em cativeiro e 55 mesquitas foram destruídas, muitos homens mortos, mulheres e crianças há, que foram e são escravizados, mais dez mil seres humanos em muitas diferentes aldeias, que emigraram, refugiaram ou foram mortos”, disse Farida.

A jovem deu ainda ao seu testemunho direto, revelando “terem feito e continuarem a fazer aquilo que é impensável fazer-se a um ser humano”, para depois dizer que “violaram-me, perdi pai e o meu irmão mais velho, foram assassinados por militantes do Estado Islâmico, estive em cativeiro com a minha mãe e toda a minha família, foram mais de duas mil pessoas da aldeia, 119 mortos ou raptados, a maior parte ainda hoje estão desaparecidos”.

“A minha mão esteve nove meses em cativeiro e eu quatro meses, desde a altura em que fui raptada, violada, agredida, usaram a mim e a muitas outras como escravas sexuais faziam tudo aquilo que podiam, o que ninguém poderia imaginar nos dias de hoje”, disse.

“Tentei suicidar-me várias vezes enquanto estive em cativeiro, mas então não foi possível, tentei escapar muitas vezes, não consegui, mas da última vez fui bem-sucedida”, revelou ainda, referindo que “a comunidade internacional está apenas a observar toda a situação”.

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